Europa não conseguirá suportar guerra prolongada com Rússia

Siga aqui o liveblog do Observador sobre os conflitos armados
A Europa não está preparada para uma guerra de desgaste prolongada com a Rússia, disseram esta semana vários oficiais de defesa da NATO, numa cimeira organizada pela Conferência de Segurança de Munique, na qual participaram sob regras que impedem a divulgação da sua identidade pelos participantes.
A notícia é do jornal britânico The Guardian, que diz que estes oficiais da NATO se mostraram bastante pessimistas com o cenário atualmente em cima da mesa. Por um lado, os especialistas que falaram na conferência, dedicada ao futuro da coordenação militar europeia, dizem que há uma falta de preparação dos países europeus para se envolverem numa guerra; por outro lado, os analistas falam também do pessimismo sentido pelos líderes europeus, que poderão sentir que estão a perder a guerra híbrida com a Rússia.
Um dos aspetos em que essa guerra híbrida se traduz é o recrudescimento do apoio popular aos partidos populistas e da direita radical por todo o continente europeu. Muitos destes partidos têm proximidades a Moscovo e podem enfraquecer o compromisso europeu com a Ucrânia e com a sua própria defesa.
Por isso, no caso de a atual situação militar escalar para uma guerra aberta entre a Europa e a Rússia, os líderes europeus não estarão disponíveis para um conflito prolongado e a NATO deverá focar-se numa guerra rápida.
Na mesma conferência esteve presente um antigo elemento do governo britânico, que admitiu que o Reino Unido fez um mau trabalho a transmitir ao público a urgência e a dimensão do conflito com a Rússia, diz ainda o The Guardian. Por isso, acrescentou um diplomata britânico na conferência, o nível do debate público em torno dos esforços de guerra — incluindo sobre a necessidade de cortar no bem-estar social para aumentar o investimento em defesa — tem estado “ao nível do jardim de infância”.
Outro diplomata disse, na conferência, que Moscovo tem conseguido explorar as fragilidades dos vários públicos europeus, tanto à esquerda como à direita, e conseguido penetrar na esfera política europeia — algo que pode vir a evidenciar-se cada vez mais do ponto de vista eleitoral, com o aumento da representatividade da extrema-direita nas eleições do próximo ano em países como a Polónia, a França ou a Itália. Ao mesmo tempo, os recentes ataques com drones no aeroporto de Leipzig, na Alemanha, atribuídos pelo governo alemão à Rússia, mostram a crescente ameaça russa no território europeu.
Com os Estados Unidos a reduzir cada vez mais a sua presença militar no território europeu, a coesão europeia em matéria de defesa surge como a principal prioridade num continente em que o crescimento da direita radical e as interferências russas ameaçam o entendimento, diz o The Guardian.
A fundação que organiza a Conferência de Segurança de Munique tem defendido a ideia de que o chamado “E5” — grupo das cinco maiores potências militares europeias, ou seja, França, Alemanha, Itália, Polónia e Reino Unido —, cujos ministros da Defesa já se reúnem periodicamente, deverá assumir um maior protagonismo na coordenação de defesa da Europa. Isso significaria, destaca o jornal britânico, que um país exterior à União Europeia, o Reino Unido, passaria a estar no centro da coordenação militar europeia.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.