Cacique Raoni é diagnosticado com câncer aos 94 anos e recebe cuidados paliativos em MT

Segundo o instituto, exames confirmaram que o líder indígena enfrenta um adenocarcinoma pouco diferenciado. Por causa da idade, das condições clínicas e dos riscos relacionados a tratamentos mais agressivos, as equipes médicas recomendaram os cuidados paliativos.
Raoni está em casa, próximo da família e de seu povo, e conta com acompanhamento médico e uma estrutura de assistência domiciliar.
Na ocasião, Raoni foi levado ao Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), onde passou por uma gastroenteroanastomose, procedimento realizado para restabelecer a passagem dos alimentos e proporcionar melhores condições de alimentação e conforto.
Após a cirurgia, exames confirmaram o diagnóstico de câncer.
Cuidados paliativos
O Instituto Raoni destacou que a indicação de cuidados paliativos não significa ausência de tratamento. A assistência é voltada ao controle da dor e de outros sintomas, prevenção de complicações e manutenção da qualidade de vida.
O acompanhamento inclui alimentação, hidratação, atendimento médico, enfermagem e fisioterapia.
Depois de retornar a Peixoto de Azevedo, Raoni passou a receber assistência domiciliar organizada pela família e pelo Instituto Raoni, com participação de serviços públicos de saúde, profissionais parceiros e equipes especializadas.
O tratamento também considera a dimensão espiritual e cultural do cacique. Raoni é pajé e continua recebendo a presença e os cuidados de outros pajés de sua confiança.
Segundo o instituto, a assistência busca respeitar a cultura Mẽbêngôkre, a língua, as escolhas e as referências espirituais do líder indígena.
Sequência de internações

Cacique Raoni é transferido de avião para Hospital de São Paulo
No dia 15 de junho, Raoni foi internado na UTI do Hospital Dois Pinheiros, em Sinop (MT), após passal mal na aldeia onde morava. Os exames iniciais apontaram alterações na função renal e indicadores compatíveis com um processo infeccioso grave. A principal hipótese diagnóstica foi sepse com foco pulmonar, conforme o hospital.
Um mês antes, ele foi internado no mesmo hospital após sentir fortes dores na barriga devido à uma hernia antiga, mas recebeu alta médica após dois dias de tratamento. Cinco dias depois, Raoni voltou a apresentar complicações de saúde e foi novamente para a UTI para tratar um quadro de pneumonia, onde permaneceu por mais sete dias.
Segundo a unidade de saúde, o líder indígena apresentava múltiplas comorbidades, entre elas Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), cardiopatia com marcapasso implantado e insuficiência cardíaca.
Em setembro de 2022, ele chegou a ficar internado por cinco dias no hospital de Sinop, após ser diagnosticado com um problema cardíaco e passar por cirurgia para implante de marcapasso. Depois, passou alguns dias no município de Colíder até voltar para a aldeia.
Além disso, em julho de 2020, o cacique foi internado em um hospital de Colíder após ter passado mal. Ele chegou a ser transferido de avião para Sinop com complicações gastrointestinais e desidratação.
Em setembro do mesmo ano, foi novamente internado com diagnóstico de pneumonia pela equipe médica de sua aldeia, no Parque Indígena do Xingu. À época, recebeu alta médica nove dias depois. Ainda neste período, também apresentou um quadro depressivo após a morte da mulher dele, Bekwyjkà Metuktire.

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