Gilmar Mendes pede para PF enviar cópia do celular de Vorcaro e afirma que 'não se cogita qualquer levantamento de sigilo'

Segundo o ministro, o material serve de base para o julgamento marcado para esta terça-feira (15), quando os ministros devem analisar o relatório sobre mensagens de celular envolvendo Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
Mendes afirmou ainda que "não se cogita de qualquer levantamento de sigilo".
"O material permanecerá submetido a regime rigoroso de restrição, com acesso limitado a este Gabinete, nos mesmos termos do acesso de que dispõe o Relator desde 8 de março de 2026. O que se pede não é divulgação, mas apenas acesso interno, por quem está submetido ao mesmo dever de sigilo que vincula o Relator e a própria autoridade policial, disse Gilmar Mendes.
O aparelho em questão se trata de um iPhone 17 Pro apreendido pela Polícia Federal em 18 de novembro de 2025, quando Vorcaro foi preso pela primeira vez.
'Sem a verificação da mídia que se encontra no Gabinete do Ministro André Mendonça há mais de seis meses, não há como identificar omissões, obscuridades ou contradições no relatório, nem aferir a integralidade do que foi recuperado, o contexto das mensagens ou a representatividade da seleção".
Gilmar Mendes em Sessão da Segunda Turma do STF — Foto: Luiz Silveira/STF
Mendonça alegou que todos os ministros já contavam com o mesmo material necessário para o julgamento.
Gilmar afirmou que tomou conhecimento da determinação de Zanin e que se um dos membros do colegiado possui essas informações, "é prerrogativa dos demais membros do Tribunal acessar aquilo que fundamenta a decisão que lhes cabe proferir".
De outro lado, ministros como Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e o próprio Zanin vinham cobrando acesso irrestrito ao espelhamento completo do aparelho para contextualização ampla dos fatos antes de qualquer deliberação do plenário.
Em seu despacho à Polícia Federal, Zanin rebateu Mendonça e argumentou que não existe "hierarquia entre os ministros do STF". Ele também disse que as provas pertencem ao plenário do STF e a seus integrantes e não a um ministro especificamente.
O ministro também afirmou precisar do material na íntegra para formar convicção e julgar o caso na terça-feira (15), pontuando que "não se pode opor aos julgadores qualquer restrição ao acesso a informações, até porque todos eles estão submetidos ao dever de sigilo e de bem desempenhar suas funções, com imparcialidade e independência".
Ao final do ofício, o ministro frisou que a determinação de entrega até as 23h deste domingo se dá "sem prejuízo de outros gabinetes que possam encaminhar idêntica requisição para obter os mesmos dados colocados à disposição do Relator".
Julgamento no Supremo
Nesta quarta-feira (9), Fachin convocou o plenário da Corte para discutir na próxima terça-feira (15) o relatório da Polícia Federal (PF) que apontou uma suposta relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro.
Na sessão, os ministros vão discutir a validade do documento da PF feito a pedido do ministro André Mendonça. O documento sofreu críticas de alguns ministros da Corte. Na avaliação deles, Mendonça pediu para investigar um colega sem autorização do plenário.
O caso é inédito no STF. A decisão de Fachin de levar para análise do plenário o relatório da Polícia Federal (PF) que apontou mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para Moraes intensificou articulações de bastidores e apostas sobre apoio ou não para abrir uma investigação contra o ministro.
Até agora, seis votos são considerados mais consolidados. Os ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino, e Cristiano Zanin são apontados como pontos alinhados com Moraes. André Mendonça contaria com o apoio de Luiz Fux e Kassio Nunes Marques.
Nos bastidores, há incerteza sobre os votos de Fachin e Cármen Lúcia, que têm recebido acenos dos dois lados.
O ministro Dias Toffoli teria indicado a colegas que a tendência é não participar, já que o caso é desdobramento do Master e ele tem se declarado suspeito de votar em desdobramentos desde que deixou a relatoria das investigações.
Há quem defenda que o ministro pode votar, no entanto, sendo que a discussão envolve questões processuais, como o modelo para investigação de um integrante da Corte.
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