11h. Governo defende que Portugal é moderado na imigração
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Bom dia. Miguel Luz, os detidos nas manifestações em Lisboa e Porto vão ter de se apresentar no tribunal já amanhã.
Foram 31 detidos, 25 na Praça do Rossio, seis no Porto. Estas detenções aconteceram na sequência de uma intervenção policial sobre os manifestantes, que vão ter que se apresentar em tribunal durante o dia de amanhã. As autoridades avisaram que os manifestantes poderiam ficar a pernoitar nas praças, mas não podiam ser montadas tendas. Como isso não aconteceu, acabou por levar a uma operação policial por volta das duas da manhã. Já esta manhã, o movimento Casa para Viver emitiu um comunicado em que fala na existência de 60 feridos, alguns deles graves, e critica o governo por preferir reprimir. As autoridades falam apenas em 11 feridos. Entretanto, foi também já convocada para terça-feira uma manifestação à porta da Assembleia da República, no dia em que começa a discussão do orçamento do Estado para 2027. A PSP justificou esta operação policial desta madrugada com a ocupação ilegal do espaço público. Depois de vários avisos e negociações, como dá conta o porta-voz da Polícia de Segurança Pública, Sérgio Soares.
A PSP encetou diversas ações de diálogo, sensibilização, comunicação, mediação com os manifestantes, até de negociação, se quisermos, para tentarmos demover os mesmos relativamente à questão temporal, aos limites impostos pelo Decreto de Lei 40674 e relativamente às estruturas de acampamento, que não estando licenciadas, não poderiam manter-se naquele local, uma vez que havia uma ocupação do espaço público de forma indevida. Apesar dessas ações da Polícia de Segurança Pública de diálogo, não houve esse acatamento por parte dos manifestantes, quer na cidade do Porto, quer na cidade de Lisboa, o que nos motivou a intervir.
Sérgio Soares, o porta-voz da Polícia de Segurança Pública, um dos detidos no Porto, João Silveira, também é o porta-voz do Movimento Acampada, relata à Rádio Observador o momento da detenção esta madrugada.
Estávamos na praça, em cordão. Fui detido nos primeiros momentos da avançada da polícia. Estávamos a resistir pacificamente, ordeiramente, como fazemos, quando fui separado do resto do grupo e colocado numa carrinha.
E depois foram levados pela polícia para a esquadra do Heroísmo. O que aconteceu entretanto? Do Bom Fim. O que aconteceu entretanto?
Nada, fomos simplesmente identificados e vamos a tribunal na segunda-feira. Agora o importante é voltar a centrar na luta para a habitação, centralizar com o resto dos camaradas para chamar toda a gente hoje para a Praça às 19h, como temos feito até agora. Não é isto que nos vai parar, o que é preciso é que isto valha a pena.
Ou seja, mesmo apesar desta detenção, não têm vontade de desmobilizar, pelo menos da tua parte.
Não, não temos vontade de parar a luta, obviamente. Sabemos dos riscos que estamos envolvidos e sabemos o que podemos ou não fazer. Há várias pessoas, temos imensa gente que estaria disposta também a estar aqui.
João Silveira, porta-voz do Movimento da Acampada no Porto, um dos seis detidos no Porto, entrevistado pelo jornalista do Observador Miguel Pinheiro Correia.
O LIVRE vai pedir explicações ao Ministério da Administração Interna.
O porta-voz do partido Jorge Pinto anunciou esta manhã que o LIVRE vai pedir explicações ao ministério liderado por Luís Neves sobre a intervenção policial desta noite. Jorge Pinto diz que o bastão é a saída fácil. Numa mensagem publicada na rede social Blue Sky, o líder do LIVRE acrescentou ainda que vai falar do assunto ao Presidente da República, na reunião marcada para a próxima semana, e também para pedir uma posição firme a António José Seguro. Também a vereadora do PS em Lisboa, Alexandra Leitão, publicou uma mensagem na rede social X em que acusa o governo de ter ordenado a carga policial, utilizando uma lei anterior à Constituição, pedindo também a António José Seguro que tome uma posição pública.
E a intervenção da polícia durante a madrugada procurou dispersar essas manifestações no Rossio e na Praça Dom João I.
Em Lisboa, a operação policial começou no Rossio, seguiu depois para a Praça da Figueira e outras zonas da baixa de Lisboa, até que a PSP garantisse que a manifestação tinha dispersado totalmente, como dá conta o relato do jornalista David Biléu.
Ainda estiveram na Rua dos Cavaleiros, onde montaram uma espécie de barricada, onde puseram vários caixotes do lixo a bloquear a entrada da rua, mas a situação não durou muito tempo, porque os caixotes foram repostos muito rapidamente e depois de terem subido a Rua dos Cavaleiros, a verdade é que esta manifestação se dispersou completamente.
David Biléu em Lisboa, já no Porto, o jornalista Miguel Pinheiro Correia descreve a forma como a polícia pôs fim aos protestos na Praça Dom João I.
Iniciou-se uma negociação com a PSP, que chegou a dizer, como conseguimos testemunhar, que poderiam dormir na praça, mas não com as tendas e que caso mantivessem as tendas, a polícia teria que intervir. Os organizadores do movimento concordaram com a polícia, os que estavam a dialogar com a polícia concordaram e transmitiram essa decisão aos outros manifestantes, a uma grande multidão, que não concordaram e que por isso a decisão foi revertida. Acabaram por decidir manter a pernoita com tendas na Praça Dom João I. Em breves instantes, a polícia chegou em peso à praça e quando atuou, fê-lo de forma muito rápida. Começaram a atuar a partir de um dos lados da Praça Dom João I, perto da Rua Sá da Bandeira, e numa questão de menos de 10 minutos, conseguiram afastar e retirar todos os manifestantes da Praça Dom João I.
O jornalista Miguel Pinheiro Correia no epicentro das manifestações no Porto.
Em Lisboa, o deputado do Bloco de Esquerda, Fabián Figueiredo, falou com a PSP para tentar impedir essa intervenção policial.
Fabián Figueiredo participou na manifestação e ficou no Rossio durante a noite, tendo chegado à fala com a Polícia de Segurança Pública há poucos minutos da carga policial para tentar impedir esta ação.
O que eu queria era, se poderia nos ajudar, que as pessoas pudessem tirar as tendas sem haver necessidade de intervenção policial.
Repare, isso cabe a quem cá está.
Pronto, OK.
Mas deixe-me concluir. Eu consigo ajudar, se a senhora me deixar concluir. Agora, qual é a necessidade de mobilizar esse dispositivo policial? Você estudou ciências policiais, sabe perfeitamente que a mobilização do corpo de intervenção da UEP tem o efeito contrário à pacificação.
Estamos a perder tempo.
Não estamos nada a perder tempo. Repare, cada dia em que o emprego das forças de segurança é feito para combater o crime, é bem empregado. Para reprimir gente que está cá pacificamente é um mau emprego.
Fabián Figueiredo em conversa com o responsável da PSP na Praça do Rossio. Poucos minutos depois, a polícia deu início à intervenção para dispersar os manifestantes e pôr fim às tendas nesta praça em Lisboa.
O governo defende que Portugal é um dos últimos países moderados na Europa no que diz respeito à imigração.
É o que diz o secretário de Estado adjunto da Presidência e da Imigração, Rui Armindo Freitas, em entrevista à Agência Lusa para assinalar os três anos da Agência para a Integração e para as Migrações. Defende Rui Armindo Freitas que o governo nunca foi contra os imigrantes e que Portugal é, hoje em dia, uma exceção à regra na Europa.
No contexto europeu, Portugal continua a ser um país moderado. Eu diria que mesmo um dos últimos países moderados. Nós temos dito isto e temos repetido: humanismo com regras claras, porque o humanismo sem regra absolutamente nenhuma acaba por prejudicar todos, porque não é humanismo, é um humanismo de papel, como muitas vezes eu já classifiquei. Nós preferimos o humanismo dos atos, que é ter muito claro aquilo que são as regras para quem vem e aquilo que o país de acolhimento também tem a oferecer.
Rui Armindo Freitas, em entrevista à Agência Lusa, diz que o PS não ficou de fora da revisão da política da imigração em Portugal. Ainda assim, atribui culpas aos socialistas. Diz que a criação da AIMA foi atabalhoada e a forma como foram extintos os Serviços de Estrangeiros e Fronteiras fica também marcado como um ponto negativo na política migratória do país. Diz Rui Armindo Freitas também que está para breve a apresentação de um plano para a integração de imigrantes.
Aquilo que se pode esperar do Plano Nacional de Integração não será, com certeza, um Plano Nacional de Integração virado na pequena ação do programa de integração avulso, mas olhar para o cidadão estrangeiro como sendo alguém que tem que fazer um percurso de integração em Portugal quando nos procura para ter uma carreira na economia portuguesa. Porque um imigrante econômico vem para Portugal para partilhar com Portugal a sua capacidade de participar na economia portuguesa e a nossa sociedade também ter uma economia mais pujante, mais vibrante, porque conta com mais aquele imigrante.
Rui Armindo Freitas, secretário de Estado adjunto da Presidência e da Imigração, em entrevista à Agência Lusa a assinalar os três anos da criação da AIMA.
No futebol, o Sporting recebe hoje o Académico de Viseu, depois do Porto ter vencido o Gil Vicente.
Os Dragões venceram por 1 x 0, com o gol solitário de Borja Sáenz. A equipe de Farioli mantém-se assim invicta no Campeonato Português. No final do jogo, o treinador do Porto assume que era particularmente importante vencer esta partida depois das duas derrotas para a Liga dos Campeões. Hoje é o Sporting a entrar em campo frente ao Académico de Viseu, com Rui Borges também a procurar afastar os fantasmas da derrota da Liga Milionária.
Dentro daquilo que foi o jogo, nós identificamos claramente o porquê das coisas, o que poderíamos ter feito melhor em termos individuais e coletivos, para que no futuro não volte a acontecer da mesma forma. Por isso, em relação ao jogo do Académico, é totalmente diferente, equipes diferentes, dinâmicas diferentes, leva-nos a ter comportamentos diferentes dentro daquilo que é a nossa ideia de jogo e focamo-nos muito mais naquilo que temos que fazer com o Académico do que propriamente agora naquilo que fizemos com o Lazio, que temos que dar continuidade. Não, no Lazio nós olhamos, percebemos e falamos naquilo que não fomos tão bons. E agora para o Académico, estamos dentro daquilo que é a estratégia e dentro daquilo que são os comportamentos que nós temos, individuais e coletivos, para a equipe.
Rui Borges mantém a dúvida sobre quem vai ser o guarda-redes do Sporting, depois de Rui Silva ter sido afastado nos últimos dois jogos. O Sporting entra em campo quando forem 20h30 no Estádio de Alvalade.
Há emissão especial de desporto para acompanhar esse Sporting Académico de Viseu aqui na Rádio Observador. A esta hora, Miguel, olhamos ainda para outras notícias em destaque.
O MotoGP despediu-se da Austrália sem corridas devido ao mau tempo. A chuva cancelou todas as corridas previstas para hoje, não só de MotoGP, mas também Moto2 e Moto3. Assim, Marc Márquez não consegue escapar a Jorge Martín. O piloto da Aprilia caiu ontem, ia ficar de fora desta corrida e Marc Márquez podia distanciar-se no Campeonato do Mundo, mas devido a este cancelamento, acaba por não se conseguir distanciar. O cancelamento da corrida ditou assim uma trégua inesperada nesta luta pelo Mundial de MotoGP, depois de Marc Márquez ter vencido ontem a corrida sprint, uma versão mais reduzida. Foi, aliás, nessa corrida sprint que Jorge Martín caiu e acabou por sofrer várias fraturas que o impediam hoje de entrar em prova. Decorrem hoje as eleições para o Brasil. Em Portugal, as urnas abriram às 08h e estão abertas até às 17h. São 134 mil os cidadãos brasileiros recenseados em Portugal. É o segundo maior colégio eleitoral brasileiro no estrangeiro, apenas atrás dos Estados Unidos. Em Lisboa, podem votar 80 mil eleitores, no Porto, 47 mil e em Faro, nove mil. As urnas em Portugal fecham quando forem 17h. Também esta noite a Rádio Observador vai estar em emissão especial para acompanhar os resultados das eleições do Brasil.
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