Fundo de pensão de empregados paraguaios de Itaipu tinha R$ 86 mi aplicados no Ueno
São Paulo O fundo de pensão dos trabalhadores paraguaios da Usina Elétrica de Itaipu mantinha G$ 100,692 bilhões (cerca de R$ 86 milhões) no Ueno Bank, instituição liquidada pelo Banco Central do Paraguai (BCP) na terça-feira (3) e pivô de crise política no país vizinho.
O valor foi apresentado em comunicado publicado pelo próprio fundo, chamado de Cajubi (Caja Paraguaya de Jubilaciones y Pensiones del Personal de la Itaipú Binacional), na última quarta-feira (4), após a liquidação do banco. Segundo o documento, o montante equivale a 2,8% de seus ativos financeiros e não financeiros.
"Esta participação reflete uma exposição limitada dentro do património total administrado pela Caixa e uma carteira diversificada entre diferentes tipos de ativos e instituições", afirma a nota.
A usina elétrica de Itaipu é a maior do mundo em capacidade instalada e é responsável por gerar cerca de 17% da energia elétrica consumida no Brasil e no Paraguai. Os dois países dividem a gestão do local por um tratado celebrado em 1973.
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Do lado brasileiro, conforme nota encaminhada à reportagem, não há recursos investidos no Ueno.
A Itaipu Binacional afirmou que as aplicações financeiras da margem brasileira seguem normas internas com critérios de segurança, liquidez e rentabilidade. O texto aponta ainda que a gestão dos recursos observa as competências definidas separadamente para cada lado da usina.
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A aplicação de recursos destinados às aposentadorias é mais um aspecto que aproxima o caso do Ueno ao escândalo do Master.
No ano passado, levantamento feito pela Folha mostrou que institutos de previdência brasileiros, responsáveis por pagar aposentadorias de servidores municipais e estaduais, aplicaram R$ 1,8 bilhão em letras financeiras do Banco Master sem garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) entre outubro de 2023 e dezembro de 2024. Alguns desses investimentos são investigados.
A Cajubi afirma ainda que a escolha pelo investimento na entidade baseou-se em critérios técnicos e objetivos, fundamentados em indicadores financeiros, informações públicas e parâmetros regulatórios do BCP. A entidade diz não poupar esforços para recuperar o patrimônio dos afiliados ao fundo.
A reportagem procurou o fundo por email nesta sexta-feira (6), às 15h, questionando sobre como se dará essa recuperação do patrimônio, mas não recebeu resposta. Às 17h outro contato foi feito, também sem resposta.
Um comunicado anterior do banco, do dia 3 de novembro, afirma que o pagamento de aposentadorias e pensões segue garantido. Os repasses serão realizados com normalidade e as datas oficiais do calendário institucional estão mantidas, segundo o texto.
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O fundo declarou ainda ter uma carteira de investimentos sólida e diversificada com estrutura para assegurar a continuidade dos pagamentos.
Apesar de minimizar o impacto nas notas, os balanços institucionais do fundo mostram uma escalada nos aportes feitos no Ueno Bank.
No início de 2025, o fundo mantinha G$ 26,312 bilhões (cerca de R$ 22,5 milhões) aplicados diretamente em Certificados de Depósito de Ahorro (CDA) do banco. Ao final daquele exercício, a posição da entidade em papéis da instituição bancária já havia alcançado G$ 41,3 bilhões (cerca de R$ 35,3 milhões).
O montante de G$ 100,692 bilhões (cerca de R$ 86 milhões) revelado no comunicado de quarta-feira mostra que o saldo na instituição mais do que dobrou. Trata-se de uma alta de 143,8% em relação ao fim de 2025 e de 282,6% no comparativo com o início daquele ano.
A nota de novembro, porém, não discrimina em quais tipos de produtos esses mais de G$ 100 bilhões estavam alocados na data da liquidação.
O balanço também registra que a entidade mantinha outros G$ 16,391 bilhões (cerca de R$ 14 milhões) em bônus da dívida do Grupo Vázquez (títulos de renda fixa privada pelos quais o fundo empresta dinheiro à empresa em troca de juros, equivalente a debêntures), controlador do Ueno Bank.
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A Cajubi convocou aposentados e pensionistas para uma reunião na terça-feira (10), às 18h, na Ciudad del Este. O tema será a situação dos fundos no Ueno e as ações da entidade.
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A direção da usina assegurou que as operações da hidrelétrica seguem normalmente. A crise em torno do banco vizinho, segundo a nota, não causou impactos na produção e no fornecimento de energia elétrica
O fundo de garantia de depósitos paraguaio cobre até G$ 228,3 milhões (cerca de R$ 195 mil) por depositante em cada instituição. O valor da Cajubi equivale a cerca de 441 vezes esse teto.
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