Anitta: 'Não abro mão de ser respeitada e tratada como eu acredito'

Anitta está se sentindo equilibrada e radiante. Dias após ser coroada Rainha de Bateria da Grande Rio, a cantora carioca desembarcou na França para abrir a Semana de Moda de Paris, nesta segunda-feira (28). Pelo terceiro ano consecutivo ela cruza a passarela do Le Défilé de L'Oréal Paris, desfile-manifesto que celebra o empoderamento feminino e a democratização da beleza.
Horas antes, ela conversou com Quem diretamente da boat party armada pela marca em pleno Rio Sena e celebrou: "Estou muito feliz. É uma resposta de que minhas escolhas profissionais estão sendo bem feitas". "Hoje em dia, as escolhas profissionais que tenho feito são as que vão me trazer felicidade. Não tenho mais isso de me colocarem para fazer coisas só pelo trabalho ou 'porque é necessário'", completa.
Aos 33 anos, a artista conta que, de fato, encontrou o equilíbrio entre a vida profissional e a vida pessoal e adianta que, depois da fashion week, vai tirar 15 dias de férias para descansar. Conhecida -- e muitas vezes julgada -- por ser uma mulher livre, ela fala que, cada vez mais, não "atura gracinha" em prol de agradar os desejos alheios.
"Não sou uma pessoa de ficar negociando coisa que para mim não são negociáveis. Não fico aturando muita gracinha, muita coisinha, a troco de ser bem vista pelas pessoas. Eu prefiro às vezes ser mal vista em um tópico ou outro e não abrir mão de ser respeitada e tratada como eu acredito".
Essa é sua terceira vez no Le Défilé! Como está se sentindo dessa vez?
Estou feliz! Estou grata pela L'Oréal Paris continuar apoiando o meu trabalho. Para mim, é uma resposta de que minhas escolhas profissionais estão sendo bem feitas.
Um dos temas do Le Défilé é reconhecer e expressar o seu valor. Você sempre soube que valia muito?
Sempre. Desde pequena, sempre me achei muito, no bom sentido. Acho que, durante o caminho, fui esbarrando com situações e pessoas que meio que me fizeram desacreditar um pouco, mas acho que, quando a gente se lembra daquela confiança que a gente sempre teve quando criança, é infalível. A gente volta para esse lugar de se amar.
Hoje em dia, como você nutre sua autoestima?
Uma boa terapia, um bom tempo na natureza, com meus cachorros, com a minha família, com os meus amigos e rapidinho eu esqueço. A gente pode se cuidar muito externamente -- e é necessário, porque faz a gente se sentir bem --, mas [se cuidar] internamente é o que comanda.
Ano passado, aqui em Paris, você me falou, na entrevista, que você estava mais calma e ia descansar, dar uma parada. Esse ano, já teve turnê, reality e mais um monte de coisa!
Fiquei um ano sem trabalhar e esse ano tive muita vontade [de voltar]. De fato, estou trabalhando muito, mas amanhã, depois do desfile, vou viajar e passar duas semanas descansando, porque isso é muito importante -- você, de fato, equilibrar as duas coisas.
Você realmente encontrou o seu ponto de equilíbrio até no trabalho, né? É visível.
É importante. Hoje em dia as escolhas que eu tenho feito profissionais são de coisas que eu gosto. Não tenho mais isso de me colocarem para fazer coisa só pelo trabalho ou porque é necessário. Eu me coloco para fazer as coisas que vão me trazer felicidade.
O que mais te traz felicidade hoje?
Amo viajar. Viajar faz eu me sentir muito feliz. Ficar com a minha família também me faz muito feliz. Agora, uma nova alegria genuína e radiante que descobri na minha vida é a escola de samba! Mesmo que eu tenha acabado de começar, todas as vezes que estou ali presente, sinto uma alegria tão exalante que transborda. Estou amando.
É melhor do que você esperava?
Muito melhor. Nossa! Eu achava que era bom, mas, assim, é viciante.
O que mais gostado de toda a experiência?
Quando a bateria começa a tocar, né, amor? Não tem nada igual nesse planeta àquela imensidão de pessoas, aquele mar de gente tocando, aquele barulho no seu ouvido... Meu Deus, parece que eu vou flutuar, é uma coisa de louco, vou sair rodopiando, é incrível.
O que você tem feito para se preparar, física e mentalmente, para sua estreia na Sapucaí?
Mentalmente, estou só ficando feliz. Fisicamente tenho que me preparar melhor, mas eu não tenho tempo de cuidar do corpo! Acho que eu vou fazer a linha: “Ó, meu corpo, minhas regras, aceite a minha natureza que é essa daí". (risos) Estou fazendo aula de samba para poder, obviamente, sempre melhorar --- porque tudo que eu faço, quero melhorar para entregar, de fato, o que eu acredito que é o importante. A resistência... Eu já faço aí seis, sete horas de show. E o corpo, eu acho que Carnaval não é sobre o corpo, é sobre o amor, a dedicação e valorizar aquilo ali que você está vivendo. É valorizar a história da sua escola, conhecer bem a história das pessoas que estão ali trabalhando, dar voz a todas as necessidades políticas e sociais daquele povo. Foi assim que o Carnaval começou. Óbvio, quem está com a bunda linda, fico olhando e admirando, mas estou sem tempo para isso.
Mais cedo, você falou sobre como foi vista por ser uma mulher muito livre. Isso, de alguma forma, já te afetou?
Já me afetou muito, porque as pessoas são colocam muitas as outras em caixinhas de comportamento e, às vezes, quando a gente é livre, a gente é muito incisiva nas nossas escolhas. Eu não sou uma pessoa de ficar negociando muito coisas que, para mim, não são negociáveis. Não fico aturando muita gracinha, muita coisinha, a troco de ser bem vista pelas pessoas. Eu prefiro, às vezes, ser mal vista num tópico ou outro e não abrir mão, no meu interior, ali no backstage, de ser respeitada e tratada como eu acredito, nem de estar ali me posicionando sobre o que eu acredito. Eu prefiro, se for para ser mal vista, prefiro honrar a minha palavra e meus princípios.
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