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Tuesday, September 15, 2026

Com crédito de R$ 250 milhões, suinocultura avança em Mato Grosso do Sul

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Com aproximadamente R$ 250 milhões em crédito, a suinocultura de Mato Grosso do Sul vem acelerando os investimentos em produção e estrutura e já apresenta o maior ritmo de crescimento do abate de suínos sob inspeção federal no país.

Segundo Renato Spera, presidente da Asumas (Associação Sul-Mato-Grossense de Criadores de Suínos), cerca de R$ 250 milhões foram disponibilizados para financiar a expansão da atividade no estado, principalmente por meio do FCO (Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste). Além do crédito, os produtores também fizeram aportes próprios nas propriedades.

De acordo com dados do (SIF) Serviço de Inspeção Federal,  o número de animais abatidos no estado cresceu 16% entre janeiro e julho de 2026, em relação ao mesmo período do ano passado.

O avanço ficou muito acima da média brasileira, que foi de 3,19% no período, e também superou estados tradicionais da atividade. O Rio Grande do Sul registrou crescimento de 5,6% e o Paraná, de 4,94%.

Segundo Spera, o movimento é resultado de uma expansão planejada nos últimos anos, com participação de produtores, empresas e instituições financeiras.

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“É uma união de vários fatores. A gente tem um ambiente propício para esse crescimento, no qual os produtores enxergam um empreendimento para poder investir, ao ponto que também as empresas têm uma programação. Então é um crescimento calculado”, afirmou.

O presidente da Asumas afirma que o planejamento começou há cerca de três anos e prevê um aumento de aproximadamente 50% no plantel produtivo até o fim de 2026, na comparação com o nível registrado naquele momento.

“Um crescimento que foi medido que até o final de 2026 a gente ia crescer em torno de 50% do plantel produtivo de três anos atrás. E isso vem sendo desenhado até o momento”, disse.

Mato Grosso do Sul ainda não está entre os maiores estados em volume absoluto de abates. Entre janeiro e julho, foram cerca de 2,1 milhões de suínos abatidos sob inspeção federal, colocando o estado na quinta posição nacional.

Santa Catarina liderou o ranking, com 9,4 milhões de cabeças, seguido por Paraná, com 6,1 milhões, Rio Grande do Sul, com 6 milhões, e Minas Gerais, com 2,3 milhões.

Na sequência aparecem Mato Grosso, com 1,6 milhão, e Goiás, com 900 mil animais. Enquanto a Região Sul ainda concentra 73,77% do abate nacional sob SIF, o Centro-Oeste responde por 15,99%, e o desempenho de Mato Grosso do Sul indica que estados fora do eixo tradicional começam a ganhar participação na produção nacional.

No Brasil, foram abatidos 29,07 milhões de suínos sob inspeção federal entre janeiro e julho, alta de 3,19% em relação ao mesmo período de 2025. Já em julho deste ano, foram 4,49 milhões de animais abatidos, aumento de 5,92% em relação a junho e o maior volume mensal registrado em 2026.

Sanidade e milho sustentam expansão

Para a Associação, o crescimento do setor no estado não depende apenas da disponibilidade de crédito. O status sanitário e a oferta de grãos são considerados dois dos principais fatores de competitividade.

“O estado é livre de febre aftosa, a gente tem condições sanitárias que o mercado externo vê e reconhece. A gente tem milho suficiente para poder crescer na produção, na suinocultura”, afirmou Spera.

A produção de milho do estado também favorece a expansão porque reduz a distância entre a produção do grão e a alimentação dos animais. Segundo o dirigente, ainda existe espaço para o avanço da agricultura e, consequentemente, para o fornecimento de insumos à cadeia de proteína animal.

O cenário tem atraído novos investimentos de empresas e cooperativas. Para Spera, a combinação de disponibilidade de grãos, condições sanitárias, áreas para expansão e investimentos privados cria um ambiente favorável para o crescimento da atividade.

Exportações 

Apesar do avanço produtivo, o mercado interno continua sendo o principal destino da carne suína de Mato Grosso do Sul. Segundo Spera, apenas 1,6% a 1,8% da produção estadual é destinada atualmente a outros países.

Um dos projetos citados pelo setor é a Rota Bioceânica, que deverá criar uma ligação terrestre entre o Centro-Oeste e os portos do Chile, abrindo uma alternativa de acesso aos mercados asiáticos pelo Oceano Pacífico.

“Eu costumo dizer que a gente fica, entre aspas, ‘ilhado’ no Centro-Oeste, mas com esse canal aberto, a gente vai ter uma economia aí de 12 até 17 dias de caminho para os países asiáticos”, disse.

Na avaliação do presidente da Asumas, a nova rota pode tornar o estado mais competitivo nas exportações e estimular novos investimentos da indústria.

O Paraguai também aparece como um possível mercado para a produção sul-mato-grossense. A Asumas já levantou produtores interessados em exportar carne suína para o país e trabalha no cadastramento de granjas junto aos órgãos responsáveis pela defesa sanitária e ambiental.

O movimento ocorre em um momento de expansão da própria suinocultura paraguaia, com investimentos de empresas brasileiras no país. Segundo Spera, a proximidade geográfica pode criar oportunidades comerciais adicionais para produtores do Mato Grosso do Sul.

Carne suína pode ganhar espaço

O crescimento da suinocultura também ocorre em um momento de valorização da carne bovina. Com a oferta mais ajustada de gado e preços elevados da arroba, a carne suína pode encontrar espaço adicional no consumo das famílias.

Para Spera, a diferença de preços entre as proteínas pode favorecer a demanda por carne suína, especialmente nos momentos em que a carne bovina fica mais cara.

“A carne suína tem essa vantagem de proporcionar ao consumidor final essa economia numa proteína muito saudável”, afirmou.

A Asumas também trabalha em parceria com a ABCS (Associação Brasileira dos Criadores de Suínos) para ampliar o consumo no estado. A estratégia envolve ações de comunicação e informação sobre as características nutricionais da carne suína.

Segundo Spera, 100% das granjas de Mato Grosso do Sul estão certificadas pelo Programa Asumas de Sustentabilidade. O projeto avalia as propriedades em seis eixos, incluindo aspectos ambientais, sociais e de biosseguridade.

O programa prevê auditoria e avaliação das propriedades em 50 pontos.“Isso garante ainda mais a qualidade do nosso produto. O produtor faz seus investimentos para que as granjas sejam adequadas dentro de várias normas mundiais e nacionais”, afirmou.

A avaliação inclui também aspectos relacionados à automação, bem-estar animal, sanidade e gestão das propriedades.

Censo da Suinocultura

A Asumas também prepara o lançamento do Censo da Suinocultura de Mato Grosso do Sul, previsto para a próxima quinta-feira (17), durante o VIII Fórum do Desenvolvimento da Suinocultura, em Dourados.

O levantamento reúne respostas de produtores do estado em um questionário com 70 perguntas e busca traçar um diagnóstico econômico, produtivo e geográfico da atividade.

A intenção é usar os dados para orientar políticas públicas, investimentos e novas estratégias de crescimento.

Segundo Spera, o objetivo não é apenas identificar onde é possível aumentar o número de animais, mas também onde há espaço para melhorar a eficiência das propriedades.

“Às vezes você, por uma questão de mercado, não pode crescer, mas tem que desenvolver alternativas, melhorias dentro da granja. Você implementa automação, melhora a parte social, sanitária, ambiental e o bem-estar animal”, concluiu.

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