EUA fazem 1º ataque ao Irã desde julho, e conflito volta a escalar
"As forças americanas estão monitorando a área de perto e permanecem preparadas para proteger o livre fluxo do comércio por essa via navegável essencial", afirmou o capitão da Marinha Tim Hawkins, porta-voz do Centcom.
Vídeo gerado por IA
O presidente americano, Donald Trump, chegou a postar um vídeo gerado por inteligência artificial que supostamente mostraria danos a outra ilha, Kharg, importante hub petrolífero iraniano. Mas não houve confirmação de nenhum ataque a ela.
"Os tweets de Trump são risíveis e as condições em Kharg estão calmas e apropriadas", afirmou o CEO da Companhia Nacional Iraniana de Petróleo na segunda-feira, segundo a agência estatal Nournews.
A nova escalada ocorreu pouco depois de a guerra entre EUA e Irã completar seis meses, em um momento em que as hostilidades vinham diminuindo.
Nas últimas semanas, o governo Trump vinha respondendo ao bloqueio iraniano de Ormuz com uma "guerra econômica" contra o Irã em vez de ataques militares.
Como o Irã respondeu
A Guarda Revolucionária disse ter atingido "infraestrutura técnica, instalações de manutenção e posições de caças inimigos nas bases aéreas King Hussein e Al-Azraq, operadas pelos EUA na Jordânia", utilizando mísseis balísticos e causando "grandes danos", de acordo com a televisão estatal.
A Jordânia disse ter interceptado oito mísseis, sem declarar de onde vieram.
As forças iranianas também visaram a base aérea Al Minhad, nos Emirados Árabes Unidos, que abrigaria soldados e helicópteros americanos.
O Ministério de Defesa emiradense disse ter "lidado" com um drone iraniano ainda no oceano e negou que a base de Al Minhad tenha sido atingida.
No Estreito de Ormuz, um petroleiro pegou fogo após ser atingido por duas minas navais, afirmou a TV estatal iraniana, citando a Guarda Revolucionária. Segundo o Irã, o navio estaria tentando passar ilegalmente, e outros navios que fizessem o mesmo teriam o mesmo destino.
Embora Trump tenha afirmado repetidamente que o Estreito de Ormuz está aberto, a Marinha da Guarda Revolucionária do Irã classificou essas declarações como "uma mentira evidente", reiterando que o estreito continua fechado para embarcações que não possuam autorização iraniana para transitar.
Nesta segunda, o presidente iranianano, Masoud Pezeshkian, foi citado pela imprensa estatal dizendo que o país não buscava a guerra, mas responderia decisivamente a qualquer agressão.
"Não ficaremos nunca calados diante de qualquer agressão e responderemos decisivamente aos agressores", disse Pezeshkian.
Novas sanções americanas a caminho
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, disse à agência de notícias Reuters neste domingo que novas sanções secundárias provavelmente serão anunciadas semanalmente como parte do esforço para pressionar o Irã, com foco inicial nos bancos.
"Estamos começando pelos bancos e estamos dizendo a eles que não é aceitável manter dinheiro iraniano e ajudar o regime", afirmou Bessent.
Após impor sanções, na sexta-feira, às filiais nos Emirados Árabes Unidos do Banco Misr, do Egito, devido a supostas ligações financeiras com o Irã, Bessent disse que o próximo passo poderá ser excluir completamente uma instituição do sistema financeiro baseado no dólar.
"Vocês vão ver muito mais medidas desse tipo a cada semana", disse Bessent à Reuters.
O ataque ocorre apenas alguns dias depois de o governo Trump afirmar que passaria a concentrar seus esforços em aumentar a pressão econômica sobre o Irã para forçá-lo a um acordo de paz, ameaçando punir países ou entidades que continuem fazendo negócios com Teerã.
A decisão dos Estados Unidos de recorrer a sanções ocorre no momento em que o governo avalia a redução de seus estoques de munição após meses de guerra, suscitando preocupações de que o conflito prolongado possa comprometer a capacidade militar americana em outras partes do mundo.
À medida que o conflito se prolonga, o discurso de Trump sobre encontrar rapidamente uma solução para a guerra também parece estar perdendo força. Na semana passada, ele enfatizou que "não tem pressa" em trazer o Irã de volta à mesa de negociações e continua defendendo a ideia de que a liderança da República Islâmica está enfraquecida.
Sem perspectivas de paz
Esforços diplomáticos, liderados por mediadores como Paquistão e Catar, tentaram durante meses pôr fim à guerra, sem sucesso.
Embora um cessar-fogo tenha sido acordado em abril e um memorando de entendimento visando um acordo de paz definitivo tenha sido assinado em junho, nenhum acordo efetivo foi alcançado.
Um contrabloqueio naval americano aos portos iranianos está reduzindo o abastecimento de gasolina no Irã, que já sofre com a baixa produção doméstica, à medida que a Casa Branca aumenta a pressão sobre seu adversário.
O cessar-fogo de abril encerrou os combates mais intensos, mas ataques esporádicos, principalmente nas proximidades do Estreito de Ormuz, diminuíram as perspectivas de um acordo final de paz.
O último ataque dos EUA contra o Irã antes do ocorrido neste domingo aconteceu em 29 de julho, em resposta a "uma tentativa de ataque surpresa contra forças americanas" na região, informou o Exército dos EUA. No início de julho, o Irã foi atacado por 13 noites consecutivas.
Ao longo da guerra, o Irã reagiu atacando instalações e aliados dos EUA na região do Golfo, atingindo alvos no Kuwait, Omã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, entre outros.
O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã causou impactos em todo o mundo na forma de aumentos de preços e escassez de fertilizantes e energia.
A guerra contra o Irã é impopular entre os americanos, e pode ser um dos fatores a acabar com o controle do Partido Republicano sobre o Congresso após as eleições de meio de mandato, em novembro.
Mesmo após sucessivos ataques americanos e israelenses, o Irã tem sido bem-sucedido em usar o Estreito de Ormuz como instrumento de barganha no conflito, com relativamente poucos navios se arriscando a atravessar a passagem. Teerã ainda dispõe de drones e mísseis suficientes para atacar embarcações que transitam pela hidrovia.
O regime insiste que o tráfego no estreito só estará plenamente aberto depois que os EUA cumprirem suas obrigações previstas no memorando de entendimento assinado pelos dois países em meados de junho.
Trump tem insistido que o Estreito de Ormuz está aberto, e afirmou que 24 embarcações passaram pelo local na semana passada. Mas isso representa apenas uma fração das aproximadamente 130 embarcações que transitavam diariamente pela região antes do início da guerra.
Os militares dos Estados Unidos afirmaram que, até domingo, haviam redirecionado 83 embarcações comerciais e imobilizado três navios como parte de seu bloqueio aos portos iranianos.
ra/md (AFP, AP, Reuters)
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