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Monday, August 17, 2026

Política: acabaram as férias. O que vem aí?

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É hora de conhecermos o tema do Contracorrente com a Helena Matos. Depois, para entrar em direto, só tem de ligar para nós 91 002 41 85, número que também pode usar para nos enviar a sua mensagem de voz pelo WhatsApp, mas se preferir, pode sempre deixar os seus comentários nas redes sociais ou no nosso site. Luís Soares.

No Algarve, estes dias são de férias para milhares de portugueses, mas são o palco de algum trabalho para os políticos. Luís Montenegro repetiu um ritual de 50 anos na vida do PSD, a Festa do Pontal, onde fez um ponto de situação da governação. Já José Luís Carneiro antecipou o regresso do PS à agenda em Olhão para lembrar António Guterres e apontar a uma maioria socialista. Helena Matos, bom dia. Não sei se acompanhaste com interesse ou não estas rentrées este fim de semana, mas aquilo que te pergunto é: o que agora vem aí?

Vamos por pontos. Em primeiro lugar, o Algarve ganhou como destino político, como outrora se dizia, de vilegiatura. Ou seja, nós vemos o PS a tentar marcar Olhão como local de rentrée dos socialistas. O Pontal, que até já nem fica no Pontal, é ponto obrigatório para o PSD, que na verdade começou no Pontal como PPD. Percebemos que a Iniciativa Liberal vai ter em Quarteira o seu Agosto da Liberdade, mais lá para o fim de agosto, porque também uma das características é que isto está tudo a antecipar-se. E depois vemos o LIVRE ir para o Porto, o Bloco de Esquerda para Setúbal, o PCP, como de costume, para a Atalaia no Seixal, e curiosamente o Chega não se sabe para onde vai, nem quando vai, nem se vai. Portanto, com todos estes pontos de interrogação sobre o Chega e aquela caminhada mais para norte do LIVRE e do Bloco, vamos então perceber o que se passa com o PSD e com o PS. No caso do PSD, e é hoje basicamente aquilo que falaremos aqui, é do Pontal, porque nós estamos a falar de uma festa que tem 50 anos. Não aconteceu 50 vezes, mas tem 50 anos. Nessa matéria, nós temos este ano duas festas partidárias que estão na mesma área de contabilidade dessa festa e daquilo que ela representa. Aí o PSD e o PCP assinalam este ano os 50 anos das suas festas. O PCP começa com a festa do Avante em 1976. É uma festa muito inspirada no modelo dos comunistas franceses do L'Humanité. A festa do PSD tinha características muito mais populares. E aí chegamos àquele que talvez seja aquela espécie de encontro, desacerto, que todos os anos se assiste no Pontal, que é o PSD é um partido popular, aliás, começa por se chamar popular, tem alturas em que será mais social. E essa é uma espécie de margem em que o partido anda de um lado para o outro. O que se pode dizer é que, e isso é muito característico, o PSD era habitual dizer-se que tinha uma base eleitoral muito mais popular e em certas medidas muito mais à direita do que os seus dirigentes. Do ponto de vista estético, por assim dizer, era por vezes difícil quando nós olhamos para as fotografias dos anos 77, 78, 79, se nós tirarmos a iconografia partidária propriamente dita e os dirigentes, num primeiro olhar quase não se distinguem os militantes do PCP dos militantes daquilo que era o PPD. Aliás, o PPD que depois passa muito rapidamente a chamar PSD. O facto da própria sigla ter persistido também dá muito conta daquilo que são as divisões dentro deste partido. E aí chegamos ao Pontal. Deste ano, eu acho que ficaram algumas frases. Uma delas é a censura moderna. Montenegro referiu a atitude de censura moderna que leva a que não se incida em termos de debate sobre aquilo que de maior ele acha que o governo estará a fazer, mas sim de perder-se o tempo em questiúnculas menores, casos, casinhos. Depois temos também a afirmação de que o PSD é um partido popular, é um partido do povo, é um partido de todos. Cada um interpretará esta frase como achar melhor. E depois vemos mais uma vez Montenegro a fazer o paralelo entre si e Cavaco Silva. Note-se que Cavaco Silva lançou a expressão "homem do leme" pelos idos de 1993, quando disse: "Mesmo aqueles que discordam de nós não têm dúvidas de que o barco tem um rumo e de que há uma pessoa ao leme." Isto afirmou Cavaco Silva em 93. E essa é uma grande questão. Será que as pessoas hoje quando olham para Montenegro pensam isto, mesmo discordando dele, de que está alguém ao leme? E esse é um pensamento que também poderá ser partilhado por aqueles que votam em Luís Montenegro, isto digo eu, de que não há propriamente um homem ao leme, há mais um homem a fazer uma navegação de costa, ou seja, vai-se guiando por aquilo que está a acontecer e em função disso, agilizar, optar e condicionar aquilo que é a navegação do barco/governo. E há também um outro ponto, é que Montenegro refere a década de Cavaco Silva como a melhor década de Portugal e pensa que se venha a falar de igual modo daquilo que será uma década 2024-2034, ou seja, uma década Montenegro, com Montenegro também a mimetizar Cavaco Silva no tempo que estará no governo. Isto são obviamente assuntos que iremos discutir ao longo do "Contra-Corrente" de hoje. Também um pouco como é que é esta relação que os líderes do PSD têm com o Pontal. Alguns não foram lá, o caso de Manuela Ferreira Leite. Durão Barroso até tentou fazer a rentrée do PSD também a norte, não foi muito bem-sucedido. Estou a dizer não foi muito bem-sucedido nessa tentativa de levar a festa para norte, as outras coisas são as outras coisas. Agora, o que se pode dizer é que no Pontal têm acontecido momentos marcantes da vida do PSD, a começar pela criação da própria festa, ainda com Sá Carneiro. Depois vimos como Cavaco Silva, que é algarvio, e portanto vai catapultar essa festa. Vimos depois o mal-estar que alguns líderes vão tendo com esta festa no Pontal e depois poderemos marcar de alguma forma com Passos Coelho, que é outro líder que se deu muito bem com o Pontal. Mesmo durante os anos em que Portugal esteve sob a intervenção da troika, a festa mudou para um sítio que fosse considerado mais seguro, para não haver tanta manifestação. Mas a verdade é que Passos Coelho foi usando o Pontal para fazer declarações importantes, nomeadamente em relação à aprovação ou não aprovação do Orçamento de Estado, quando estava na oposição, e depois, quando já não era líder, foi Passos Coelho quem abriu no Pontal as referências à imigração por parte do PSD, isto numa altura em que já havia à direita do PSD quem o fizesse. Portanto, estamos aqui com muito para falar em torno do Pontal. Não penso ir falar muito de futebol, mas vou reouvir outra vez os "Momentos de Glória" para ver o que dizer. E certamente também falaremos um pouco, por contraste, do Olhão, de José Luís Carneiro, que pelo que eu vi e pelo que li, me parece ainda estar, eu sei que está aqui a ser feito o exemplo com Guterres, mas com Guterres estávamos mais na onda de "nós vamos governar". Acho que José Luís Carneiro ainda está naquela fase de apontar e sublinhar todos os erros do governo e ainda parece não ter chegado aquele momento em que se acredita que já se passou essa fase. Agora já estamos aqui para falar de como é que nós vamos governar. Mas pronto, é o Algarve, é o verão, é agosto.

Até já, Helena.

Até já.

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