Montadoras articulam ofensiva para recuperar exportações de caminhões e ônibus
São Paulo As montadoras de veículos pesados planejam iniciar uma busca mais intensa por novos mercados no exterior para seus modelos produzidos no Brasil. Após anos de ensaio, o setor, enfim, reage a um quadro de queda nos embarques para mercados em que caminhões e ônibus brasileiros eram cativos.
Na última quarta-feira (7), a Anfavea (associação das montadoras) afirmou que haverá uma intensa agenda sobre exportações em 2027, com a retomada das conversas com interlocutores em Brasília para que o país possa costurar novos laços comerciais ou retomar negociações com países vizinhos.
O Brasil mantém acordos bilaterais por meio do Mercosul com México e outros mercados regionais. No entanto, tais parcerias, na visão da indústria, não têm sido suficientes para fazer com que os envios de veículos pesados nacionais voltem a registrar volumes robustos como no passado. Seria preciso, portanto, a prospecção de novas oportunidades, segundo a Anfavea.
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"Em 2027, um dos trabalhos que a Anfavea vai ter que fazer é ir atrás de novos mercados, trazer acordos de volta, com uma agenda estratégica para garantir nossa competitividade na região", disse Igor Calvet, presidente da associação das montadoras, citando também que o Brasil precisa deixar de ser dependente das demandas da Argentina.
Diferentemente do que acontece no segmento de veículos leves, que passou a ter uma concorrência acirrada na Argentina entre modelos produzidos localmente e outros que chegam com tarifa zero da China, o de pesados ainda oferece travas fiscais para que o mesmo não ocorra.
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Entretanto, essas barreiras não se mostram efetivas a ponto de inviabilizar a disputa no mercado de pesados entre marcas locais e as asiáticas. Essa leitura já foi feita por diversos executivos das montadoras de caminhões e ônibus aqui no Brasil.
Em maio, durante o evento Anfavea Visions, realizado em São Paulo, Roberto Cortes, CEO da VWCO (Volkswagen Caminhões e Ônibus), revelou que o veículo pesado nacional perdeu espaço para modelos chineses em mercados antes considerados cativos, algo que pode ser considerado novo para uma indústria quase centenária na região.
A iniciativa anunciada pela Anfavea, portanto, surge como uma forma de voltar a abrir espaço para os veículos de produção nacional, fortalecendo uma indústria que se consolidou como base exportadora na região.
A própria VWCO, neste ano, completou 45 anos de operações de exportação. A empresa já embarcou mais de 200 mil unidades para mercados da América do Sul, da África e do Oriente Médio.
No segmento de ônibus urbanos, o veículo brasileiro também está vendo o seu reinado ameaçado por marcas chinesas que desembarcam na região. A Higer e, mais recentemente, a Zhongtong, já divulgaram suas intenções de investir no mercado brasileiro.
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Na América Latina, essas marcas e outras tantas asiáticas disputam espaço com o ônibus nacional há tempos, apertando as fatias de Scania, Volvo e Mercedes-Benz, entre outras que têm fábricas no Brasil.
Neste cenário, as exportações de pesados brasileiros vivem um momento delicado. Dados do mais recente balanço da Anfavea mostraram que, no acumulado de janeiro a setembro, foram exportados 17 mil caminhões, queda de 21,3% em relação a 2025.
Ainda não há sinal de retomada. Foram embarcados 2.100 veículos no último mês, o que representa uma queda de 23% no comparativo com o mesmo período do ano passado. Em comparação com agosto, a variação negativa é de 6,3%.
Os ônibus também tiveram retração de 32,6% nas exportações de janeiro a setembro de 2026 em comparação com o período de 2025, somando 3,5 mil chassis enviados ao exterior. Apenas em setembro, foram 354 embarques, queda de 47,7% sobre o mesmo mês do ano passado. No comparativo com agosto, a queda foi de 28,3%, com 494 embarques.
O cenário de retração levou a Anfavea a revisar as projeções de produção, licenciamentos e exportações do setor para o ano.
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A montagem de pesados foi revista para baixo. Em junho, era esperada uma queda de 6%. Agora, projeta-se um declínio de 8,2% na comparação com o volume produzido em 2025.
No caso das exportações de modelos pesados, a previsão da Anfavea indica retração de 18,7%, chegando a 27,2 mil unidades. Na previsão divulgada em junho, a queda indicada era de 11%.
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