"Calamidades" são difíceis de prevenir, diz ministra

A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, defendeu esta quinta-feira, no parlamento, ser difícil algum país estar preparado para calamidades de uma certa dimensão, mas garantiu que o Governo quer dar mais resiliência a Portugal.
“É difícil algum país estar preparado para calamidades de uma certa dimensão. O que estamos a fazer é recuperar, reparar e dar mais resiliência”, afirmou a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, numa audição parlamentar na Comissão Eventual para a Resiliência Nacional, Prevenção de Catástrofes Naturais e Acompanhamento do PTRR – Portugal, Transformação, Recuperação e Resiliência.
Nesta audição, a governante começou por lembrar que o Governo já enfrentou seis eventos com graves consequências, nomeadamente a seca no Algarve (2024), incêndios rurais que afetaram os parques naturais (2024), apagão (2025), novos incêndios (2025), comboio de tempestades (2026) e a guerra no Médio Oriente (2026).
Em particular no que diz respeito ao comboio de tempestades, que atingiu, sobretudo, a região Centro, no início deste ano, a governante disse que as intervenções aconteceram antes, durante e depois.
“Graças à boa previsão do IPMA [Instituto Português do Mar e da Atmosfera] e da APA [Agência Portuguesa do Ambiente], desde o início de janeiro, percebemos que vinha aí uma grande quantidade de chuva e houve um esvaziar das barragens”, referiu.
Neste sentido, só na barragem da Aguieira foi despejado, em janeiro, o equivalente ao consumo anual do setor urbano do país. O mesmo aconteceu no Tejo e, em menor quantidade, no Guadiana.
No que se refere à recuperação, a titular da pasta do Ambiente e da Energia destacou as intervenções de emergência nos municípios afetados, como a reconstrução do dique e do canal de rega entre o choupal de Coimbra e o canal do Rego (3,6 milhões de euros), a reabilitação dos danos das cheias no Guadiana (três milhões de euros), a reabilitação do rio Liz e de vários diques num total de seis empreitadas (425.000 euros), a migração sedimentar para a praia do Vau, em Portimão (1,9 milhões de euros) ou a alimentação artificial do troço costeiro Quarteira-Garrão (15 milhões de euros).
Segundo os dados avançados pela governante, contabilizaram-se 229 ocorrências consolidadas no abastecimento de água e 344 no saneamento, com os prejuízos a ascenderem a cerca de 40 milhões de euros.
Já na rede elétrica, o impacto traduziu-se em 1,01 milhões de clientes sem eletricidade no pico, 6.000 quilómetros de rede de baixa, alta e média tensão afetada, assim como 12.000 postos de transformação e 47 subestações.
Maria da Graça Carvalho indicou ainda que a capacidade de abastecimento de água em Portugal está, atualmente, nos 77%, destacando-se, por exemplo, o Guadiana (81%), Algarve (77%) e Odelouca (76%).
No sentido inverso aparecem as barragens ou bacias do Lima (51%) e Ave (59%).
Portugal tem de ter independência na energia e na água
Na mesma audição, a ministra sublinhou que Portugal precisa de ter independência na energia e na água porque não é possível saber quando será necessário “lidar com outras forças de outros países” que vão causar problemas.
“A situação geoestratégica é complexa e nunca sabemos quando vamos ter de lidar com outras forças de outros países, que nos vão causar problemas. Quanto mais formos independentes na água e na energia melhor estamos”, assinalou a governante, em resposta aos deputados, após a segunda ronda de intervenções.
No que se refere à água, a titular da pasta do Ambiente e Energia defendeu um equilíbrio entre a que é retida e a que não o é, explicando que demasiada retenção também causa problemas, como falta de areia nas praias ou o excesso de salinização.
“É preciso ter muito cuidado com a interferência que se faz na natureza”, vincou.
Já em matéria de eletricidade e energia, a ministra disse que Portugal já é muito independente no que concerne às renováveis e que agora precisa de avançar em relação aos combustíveis líquidos para os transportes.
O objetivo, conforme apontou, passa por eletrificar o que for possível, mas também por produzir combustíveis renováveis.
“Temos de ser mais independentes porque um dia acordamos e os preços sobem por aí acima ou então não há combustíveis”, insistiu.
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