Dia Nacional do Livro: famosos indicam livros imperdíveis

Um livro pode ajudar a compreender melhor o país em que vivemos, provocar reflexões sobre a própria história ou simplesmente transportar o leitor para uma realidade completamente diferente. No Dia Nacional do Livro, celebrado nesta quinta-feira (29), famosos compartilham com os leitores da Quem obras que despertaram sua curiosidade e seguem entre suas recomendações literárias.
Entre romances, ensaios e livros de desenvolvimento pessoal, as escolhas dos famosos passam por temas como memória, saúde emocional, criatividade, finitude e pertencimento. Confira os títulos indicados por Mariana Goldfarb, Kenya Sade, Sophia Abrahão, Sarah Aline, Vivi, Zaynara, João Pedrosa e Mari Gonzalez.
Mariana Goldfarb - Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda
Publicado originalmente em 1936, Raízes do Brasil é um dos clássicos do pensamento social brasileiro. Na obra, o historiador Sérgio Buarque de Holanda analisa aspectos da formação histórica do país e as relações sociais e políticas que contribuíram para moldar a sociedade brasileira. A influenciadora destaca a importância de revisitar o passado para compreender questões atuais.
“A obra nos ensina que compreender a política brasileira exige olhar além dos governos e dos partidos. É necessário investigar as relações de poder, os valores culturais e as estruturas sociais que atravessam a nossa história”, afirma. "Talvez a principal contribuição seja nos fazer perceber que precisamos também transformar a maneira como nos relacionamos com o poder, com as instituições e com o interesse coletivo", diz Mariana.
Kenya Sade e Zaynara - Oração para Desaparecer, de Socorro Acioli
Lançado em 2023, Oração para Desaparecer acompanha uma mulher que desperta em Portugal sem lembranças de seu passado e precisa reconstruir a própria identidade. A narrativa mistura realismo fantástico, espiritualidade, ancestralidade e uma história de amor que atravessa o oceano.
Kenya Sade está terminando a leitura e destaca a maneira como a escritora constrói esse universo. “Eu adoro a escritora, amo a narrativa, o realismo fantástico que ela traz para a história. É uma leitura viciante que envolve misticismo, espiritualidade, amor e uma mulher em busca da sua identidade”, conta.
A estrela paraense Zaynara também foi impactada pela leitura nacional. “Me ensinou muito sobre como a memória tem poder, e isso me fez refletir sobre o atual momento do país. A memória é importantíssima para que saibamos os nossos caminhos, pois tudo começa de um lugar”, afirma.
Sophia Abrahão - A morte é um Dia que Vale a Pena Viver, de Ana Claudia Quintana Arantes
Publicado originalmente em 2016, A morte é um Dia que Vale a Pena Viver propõe uma reflexão sobre a finitude e a maneira como encaramos o tempo, as perdas e a própria vida. Na obra, a médica Ana Claudia Quintana Arantes aborda o tema da morte com sensibilidade e humanidade, mostrando como pensar sobre ela também pode transformar nossa relação com o presente.
Sophia Abrahão conta que a leitura a fez refletir sobre a importância de valorizar o tempo que temos. “A autora fala sobre a morte de uma maneira sensível e humana, mostrando como essa reflexão pode nos ajudar a valorizar mais a vida e o presente”, afirma.
Além da indicação individual, a atriz compartilha outras leituras do clube do livro que mantém há cerca de sete anos. Entre elas estão A Pequena Loja dos Grandes Milagres, de Keigo Higashino, que o grupo leu no mês anterior, e Fique Comigo, romance da escritora nigeriana Ayọ̀bámi Adébáyọ̀ que aborda amor, casamento, maternidade e pressões sociais. Atualmente, os participantes estão lendo Nunca Minta, suspense psicológico de Freida McFadden.
Sarah Aline - Irmãs do Inhame: Mulheres Negras e Autorrecuperação, de Bell Hooks
Publicado originalmente em 1993, o livro da escritora e pensadora Bell Hooks ganhou edição brasileira em 2023. A obra discute saúde emocional, relações afetivas e caminhos de cuidado a partir das experiências de mulheres negras, relacionando questões individuais a contextos sociais e históricos.
Sarah Aline recomenda o título pela maneira como aborda os efeitos do racismo e do sexismo sobre a subjetividade. “Uma das reflexões mais importantes que essa obra traz é que não podemos falar de saúde mental sem considerar os contextos sociais, históricos e raciais em que estamos inseridas”, afirma a psicóloiga.
Para a ex-BBB, o livro também mostra a importância das relações e de espaços em que as experiências das mulheres negras sejam reconhecidas. A influenciadora também está lendo A Cabeça do Santo, de Socorro Acioli, romance publicado em 2014.
Na história, Samuel descobre que consegue ouvir as preces de mulheres dentro da cabeça de uma estátua de santo. “Acho muito interessante como a literatura consegue nos aproximar de realidades diferentes das nossas e, ao mesmo tempo, nos fazer reconhecer sentimentos tão universais”, comenta Sarah.
Indicado por sua psicóloga, O Eu Sem Defesas, de Susan Thesenga, acompanha Vivi em uma fase de reflexão sobre si mesma. A leitura aborda as defesas e as máscaras construídas ao longo da vida como formas de proteção e propõe um olhar mais atento para comportamentos, inseguranças e padrões pessoais.
“Foi uma indicação da minha psicóloga e acho que chegou em um momento muito específico da minha vida, em que estou tentando olhar mais para dentro”, conta. “Acho que, principalmente para quem está vivendo uma fase de mudança ou tentando se conhecer melhor, é uma leitura que pode trazer reflexões muito importantes”, diz.
João Pedrosa - Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez
Entre as leituras atuais do ex-BBB e professor de história João Pedrosa estão O que é o luto?, de Renato Noguera, e a história em quadrinhos Stuck Rubber Baby: Quando Viemos ao Mundo, de Howard Cruse. O primeiro, publicado em 2022, investiga como diferentes culturas e tradições filosóficas compreendem a morte e a dor da perda.
João diz que lê o livro em momentos em que se sente emocionalmente bem e que a obra o ajuda a compreender como a tristeza e a perda podem ser interpretadas de maneiras diferentes conforme a cultura. Já a HQ acompanha um jovem gay no sul dos Estados Unidos durante a década de 1960, em meio a questões de sexualidade e descoberta pessoal.
Como recomendação, ele escolhe Cem Anos de Solidão, clássico do escritor colombiano Gabriel García Márquez publicado originalmente em 1967. A obra acompanha gerações da família Buendía na fictícia Macondo e combina acontecimentos cotidianos com elementos fantásticos.
“Indico porque, em alguns momentos, é bom revisitar e ler clássicos. Esse livro mistura muita coisa, como realidade e fantasia, e acredito que estamos perdendo com o tempo a nossa capacidade de imaginar as coisas”, afirma.
Mari Gonzalez - Grande Magia, de Elizabeth Gilbert
Publicado no Brasil em 2015, Grande Magia reúne reflexões da escritora Elizabeth Gilbert sobre criatividade, inspiração e coragem para tirar ideias do papel. A autora propõe uma relação menos guiada pelo medo e pela busca da perfeição e mais aberta à curiosidade e à experimentação.
Mari Gonzalez conta que a leitura a marcou justamente por fazê-la repensar a maneira como lida com as próprias ideias e expectativas. “Ele fala sobre criatividade, coragem e sobre não deixar que o medo nos impeça de viver novas experiências. Me fez refletir sobre a importância de confiar mais em mim, nas minhas ideias e no processo, sem me cobrar tanto pela perfeição”, diz. Para ela, é uma leitura leve e inspiradora que vale a recomendação.
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