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Friday, September 25, 2026

Montes Claros investe na formação financeira dos alunos da rede municipal

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Criado em 2025, o projeto oferece aos alunos conhecimentos que vão além da educação financeira. A proposta aborda temas como direitos do consumidor, planejamento financeiro, uso consciente de produtos e serviços, comportamento e aspectos psicológicos relacionados ao consumo, além da importância do descarte correto de resíduos e da preservação ambiental.

A iniciativa é desenvolvida pela Administração Municipal por meio da Escola Municipal de Educação para o Consumo, instalada em espaço anexo ao Procon. A expectativa é contribuir para que os estudantes desenvolvam, desde cedo, hábitos mais responsáveis na relação com o dinheiro, o consumo e o meio ambiente. Com a abertura da nova turma, Montes Claros amplia a ação voltada à formação cidadã e à preparação dos jovens para tomar decisões mais conscientes no dia a dia.

Ana Clara, de 12 anos, aprendeu que todos “somos consumidores desde quando nascemos até quando morremos” — Foto: Rogeriano Cardoso

A estudante Ana Clara dos Santos Marques, de 12 anos, participou da aula magna e tirou dúvidas com os palestrantes. “Eu achei ótimo e muito legal. Aprendi muito sobre educação financeira e que somos consumidores desde quando nascemos até quando morremos”, destacou a aluna do sexto ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Alcides Carvalho.

NASCIMENTO DO PROJETO – A história da escola está diretamente ligada ao exercício da cidadania. O projeto começou a ser concebido a partir da iniciativa de um morador de Montes Claros que procurou o Ministério Público para denunciar uma cobrança considerada indevida. O caso resultou em uma ação civil pública e, posteriormente, em um acordo. Parte dos recursos advindos desse acordo foi utilizada na reforma da sede do Procon de Montes Claros e na construção da Escola Municipal de Educação para o Consumo.

A iniciativa individual acabou dando origem a um projeto com alcance coletivo. A proposta é utilizar a educação como instrumento para prevenir conflitos nas relações de consumo e formar novas gerações mais conscientes de seus direitos e deveres. Entre os problemas que a escola pretende enfrentar estão o baixo letramento financeiro, o desconhecimento dos direitos do consumidor, o uso inadequado do crédito e a influência cada vez maior da publicidade e das redes digitais sobre as decisões de compra.

ERA DIGITAL – O avanço das plataformas digitais e das novas tecnologias ampliou as possibilidades de consumo, mas também trouxe novos desafios. Publicidade direcionada por algoritmos, compras realizadas por aplicativos, superendividamento, apostas on-line e consumismo estão entre os temas que passam a fazer parte da discussão sobre cidadania econômica.

“É fundamental trabalharmos com a educação para o consumo dos nossos jovens. Inclusive porque eles também serão os futuros fornecedores”, explica o promotor de Justiça Felipe Gonçalves Caires — Foto: Rogeriano Cardoso

Para o promotor de Justiça e coordenador Regional de Defesa do Consumidor de Montes Claros, Felipe Gonçalves Caires, preparar os jovens para essa realidade é uma necessidade. “Em uma era de algoritmos, de plataformas digitais, de superendividamento, de problemas com bets, de consumismo e de urgência pela sustentabilidade é fundamental trabalharmos com a educação para o consumo dos nossos jovens. Inclusive porque eles também serão os futuros fornecedores e assim tenderão a colaborar nestas questões”, destaca.

A proposta pedagógica da escola está estruturada a partir do conceito de cidadania econômica. Os conteúdos deverão abordar planejamento financeiro, consumo ético e sustentável, proteção jurídica do consumidor, utilização segura das tecnologias digitais, empreendedorismo, pensamento crítico, inovação, participação cidadã e responsabilidade socioambiental. A intenção é aproximar esses conhecimentos da realidade cotidiana dos alunos e demais participantes, permitindo que os conteúdos tenham aplicação prática na vida das pessoas.

FORMAÇÃO PERMANENTE – A coordenadora pedagógica da Escola Municipal de Educação para o Consumo, Elisângela Mesquita Silva, explica que a metodologia pretende trabalhar com experiências concretas e situações presentes no cotidiano. “A Escola Municipal do Consumidor promove formação continuada e permanente por meio da experienciação, articulando conhecimentos às vivências cotidianas dos cidadãos e contribuindo para relações de consumo mais conscientes e equilibradas”, explica.

Além dos estudantes, a unidade deverá atuar na formação continuada de educadores e servidores públicos. A ideia é que o conhecimento sobre relações de consumo seja disseminado dentro e fora do ambiente escolar, fortalecendo uma cultura de prevenção, informação e cidadania.

A implantação da escola coloca Montes Claros em posição de destaque nacional na área de educação para o consumo. A expectativa é que o projeto se torne referência na formação de cidadãos capazes de tomar decisões financeiras e de consumo com mais informação, responsabilidade e consciência.

A experiência também reforça o papel da educação como instrumento de prevenção de conflitos. Ao ensinar desde cedo sobre direitos, deveres, planejamento financeiro, sustentabilidade e segurança digital, a iniciativa busca preparar consumidores mais críticos e, ao mesmo tempo, futuros fornecedores e empreendedores mais responsáveis.

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