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Thursday, October 22, 2026

Advogado é acusado de usar nome de promotor para cobrar R$ 300 mil de assessor parlamentar investigado

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O promotor Werner Dias de Magalhães, que teria sido envolvido na história sem seu conhecimento, encaminhou o caso à polícia. Um inquérito foi instaurado no Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).

Em 18 de maio deste ano, o assessor parlamentar Matheus Borges recebeu do advogado que o representava a informação de que havia sido intimado para prestar depoimento. Ao chegar ao local indicado, Matheus ficou na sala de espera enquanto Quissi foi conversar com o promotor em sua sala.

De acordo com a investigação, depois do encontro, o advogado pediu dinheiro ao cliente para que o promotor arquivasse o caso.

Em depoimento ao Ministério Público, Matheus contou que, ao sair do local, entrou no carro com o advogado e outras pessoas, que teriam dito que havia um mandado de prisão contra ele por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

“Eles falaram que já estavam com mandado de prisão por lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, e que eu tinha que pagar R$ 600 mil para eles fazerem um acordo, para pagar, que tinha que pagar para eu não ser preso. Porém, eu não tenho esse dinheiro, eu não fiz nada”, relatou o assessor.

Segundo ele, o valor depois foi reduzido para R$ 300 mil.

Matheus chegou a gravar áudios relacionados ao caso. Em uma das gravações, o advogado pergunta se estava tudo certo para a segunda-feira. Em outro trecho de seu depoimento, o assessor afirmou que foi ao escritório de Quissi, onde teria sido pressionado a fazer o pagamento.

“Ele falou que era melhor fazer o pagamento, mesmo que eu não tivesse feito nada, porque daí não ia envolver meu nome, não ia ter escândalo. Meio que me coagindo a fazer esse pagamento”, disse.

Matheus desconfiou da situação e mudou de advogado. No MP, ele descobriu que não havia intimação no nome dele e que poderia se tratar de um golpe.

“Conversei com o doutor Werner, que falou que não tinha oitiva nesse dia, e que foi tudo armação do advogado”, afirmou o assessor em depoimento ao Ministério Público.

A partir da descoberta de que o nome do promotor havia sido usado indevidamente, o caso foi encaminhado à polícia.

A Justiça decretou a prisão do advogado e autorizou buscas e apreensões no escritório dele. Quissi não foi encontrado inicialmente e se apresentou à delegacia durante o período eleitoral. Ele está em liberdade, e a polícia fez um novo pedido de prisão.

Para o delegado Fulvio Mecca, há risco de que o investigado interfira na apuração caso permaneça em liberdade.

“Eu acredito que seja temerário ele responder em liberdade. Por quê? Ele pode interferir na instrução probatória, ele pode coagir, interferir em testemunhas, eventual testemunhas e porque não destruir até provas”, afirmou.

A denúncia criminal também aponta que Matheus teria sido obrigado a assinar um contrato com o advogado, que o orientou a não contar a ninguém o que estava acontecendo.

Promotor diz que conduta é gravíssima

O promotor Werner Dias de Magalhães afirmou que o uso indevido do nome de uma autoridade para supostamente extorquir uma vítima é uma conduta grave.

“A conduta é gravíssima. Porque o nome de uma autoridade foi utilizada de uma maneira indevida. Uma falsificação de um documento, uma notificação... e ainda por cima para extorquir a vítima”, disse o promotor.

A TV Globo foi até o escritório de Paulo Roberto Quissi, mas ele não estava no local.

Em nota, a defesa do advogado negou as acusações, afirmou que colabora com a Justiça e disse confiar que a perícia e a instrução processual demonstrarão a verdade dos fatos.

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