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Wednesday, September 16, 2026

Hoje é o dia do discurso do (mau) estado da União Europeia

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É hora de conhecermos o tema do Contracorrente desta quarta-feira. Se quiser entrar em direto logo a seguir ao jornal das 10h para nos dar a sua opinião, só tem que ligar 91 002 41 85, ou então enviar-nos a sua mensagem de voz pelo WhatsApp para o mesmo número, 91 002 41 85. Carla. Ursula von der Leyen, a presidenta da Comissão Europeia, já está a falar no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, naquele que se tornou nos últimos anos num momento político importante, o discurso do Estado da União. Há sempre alguma expectativa relativamente ao que possa ser anunciado, mas este ano essa expectativa é porventura maior devido às pressões sobre a economia europeia, à ascensão de forças eurocéticas e também ao recorrente tema da defesa. José Manuel, bom dia. Este discurso é importante, sim, mas será que os europeus lhe dão importância?

Olha, Carla, aparentemente não. Tudo indica que menos de 10% dos eleitores europeus, há uma sondagem de hoje, mas só abrange três países, seguirão com atenção o discurso, sendo que muitos europeus nem sabem quem é Ursula von der Leyen. Estes discursos existem há bastante tempo. Eles foram iniciados em 2010. O primeiro foi a 7 de setembro de 2010. O primeiro presidente da Comissão a fazer um discurso foi precisamente José Manuel Durão Barroso, o antigo primeiro-ministro português, e são uma decorrência do chamado Tratado de Lisboa, o tratado da União, que estabelece que a Comissão tem que prestar contas perante o Parlamento Europeu. Na prática, Durão Barroso acabou por tentar criar um estilo de discurso do Estado da União à americana. Só que a importância que os cidadãos dão a ele não é obviamente comparável, e daí que o seu impacto também seja muito diferente e pouca gente esteja a seguir em direto e até a própria hora a que é feito não é a hora nobre para ter mais audiência. Tudo isso é relevante. E depois, se nós olharmos um bocadinho para o discurso, muitos destes discursos depois não bateram com a realidade que veio a seguir. Logo no primeiro discurso, Durão Barroso falou do crescimento, do orçamento da União Europeia, da criação de um imposto europeu próprio. Foi em 2010, já passaram 16 anos e não aconteceu nada. Falou da imigração ilegal e passados uns anos tínhamos a grande crise de 2015, 2016, que aliás apanha já a era Juncker, que foi o presidente da Comissão a seguir. E na era von der Leyen, ela já fez sete discursos, salvo erro. Na era von der Leyen também há promessas que não são cumpridas. Por exemplo, logo em 2020, estávamos na crise do Covid e ela falou de uma União Europeia de saúde, que naturalmente não aconteceu, apesar de nessa altura a compra de vacinas ter tido alguma importância, mas nós sabemos que o desenvolvimento central das vacinas acabou por vir do outro lado do Atlântico. Enfim, vamos ver o que este discurso desta vez nos reserva. Eu estive a ouvir os primeiros minutos, agora tive que interromper, mas a minha primeira impressão não é entusiasmante. Por um lado, é um discurso retórico sobre a importância da Europa, que eu não sei se corresponde realmente à realidade, e os momentos em que ela pausava para bater palmas foram correspondidos quase com o silêncio dos deputados, que ainda não enchiam a sala na altura em que ela começou a falar. Nós falaremos melhor disso, há temas que estão a suscitar algumas expectativas, o que vai dizer sobre, por exemplo, o Green Deal, a questão ambiental, o que vai dizer sobre a política de defesa, o que vai dizer sobre o tema da reindustralização da Europa e a economia, o que vai dizer também sobre as migrações, onde há temas que têm vindo a criar expectativa sobre o que possa ser anunciado ou não ser anunciado. Mas nós, enfim, quando estivermos aqui de volta às 10h, já teremos ouvido o discurso, podemos ser mais concretos.

Exatamente. E vamos também aqui acompanhar nos noticiários a intervenção de Ursula von der Leyen. Até já, José Manuel. 91 002 41 85 para entrar em direto, mas já sabe que também nos pode enviar a sua mensagem de voz através do WhatsApp ou então deixar os seus comentários nas nossas redes sociais ou no nosso site.

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