Do tablet ao GPS no braço: entenda a tecnologia por trás do título do Brasil no Pré-Olímpico

Quem acompanhou a seleção brasileira feminina de vôlei no Pré-Olímpico feminino na última semana, no Maracanãzinho, pode ter reparado em uma cena que se repetia antes de cada jogo. Bem antes de a bola subir, enquanto as jogadoras ainda faziam o aquecimento em quadra, o técnico Zé Roberto Guimarães já estava de cabeça baixa, concentrado na tela de um tablet acoplado a um tripé na frente do banco.

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A imagem não é por acaso. O dispositivo é a porta de entrada para uma central de dados em tempo real que ajuda a explicar a campanha perfeita do Brasil no Pré-Olímpico, com direito a título invicto e vitória por 3 a 0 sobre a Argentina na decisão
O uso de telas à beira da quadra para analisar estatísticas não é exclusividade do vôlei. Ligas como a NFL, no futebol americano, e clubes de futebol pelo mundo transformaram o Big Data em item básico de comissão técnica. No caso de Zé Roberto, a obsessão pela tela começa muito antes de o apito inicial soar.
- Eu fico ali olhando os números do scout. A gente dá uma olhada no aquecimento, vê como o adversário está sacando e passando. É o scout em tempo real. Observo principalmente os números deles - revela Zé Roberto ao ge.
Zé Roberto confere dados das jogadoras durante o Pré-Olímpico de vôlei — Foto: Raquel Vieira
A briga com o Wi-Fi e o trabalho do banco
Apesar da tecnologia avançada, o bastidor também tem seus percalços humanos e técnicos. O próprio treinador brinca que a insistência em olhar o aparelho no aquecimento às vezes é para driblar a conexão do ginásio.
- Muitas vezes dá erro de internet, aí tem que reiniciar. Por isso fico mais tempo ali conferindo tudo antes de começar o jogo - conta o técnico, que também usa o sistema para conferir a escalação oficial enviada à transmissão de TV.
Jogadoras de vôlei usam GPS no braço para coletar dados — Foto: Divulgação CBV
Zé Roberto faz questão de ressaltar que não faz essa análise sozinho. No banco de reservas, assistentes acompanham os números jogada a jogada para municiar o treinador com atalhos táticos durante os pedidos de tempo.
- Tenho caras no banco que me ajudam muito, que ficam monitorando e passando o tempo inteiro informação do adversário. É um contexto, todo mundo trabalhando nesses detalhes técnicos - explica.
Telemetria e GPS no braço das atletas
Se o tablet no banco mapeia o adversário, outro detalhe tecnológico chamou a atenção de quem olhou de perto as brasileiras em quadra: uma braçadeira preta usada pelas jogadoras durante as partidas.
O acessório é um sensor de telemetria conectado via Wi-Fi ao computador da preparação física. Ele mede a intensidade dos movimentos e monitora o desgaste de cada atleta ao longo do campeonato.
- Aquilo no braço transmite tudo via Wi-Fi para o Zé Elias (preparador físico), que fica fora da quadra acompanhando. Ele vê a movimentação e o número de saltos. Depois faz o fechamento, com o quanto elas saltaram, a altura máxima, a mínima e o quanto se deslocaram em quadra - detalha Zé Roberto.
A combinação entre a leitura tática do tablet e o controle físico das atletas funcionou na prática: o Brasil fechou o Pré-Olímpico sem perder um único set no Rio de Janeiro.
Campanha do Brasil no Pré-Olímpico
- Brasil 3 x 0 Venezuela
- Brasil 3 x 0 Peru
- Brasil 3 x 0 Colômbia
- Brasil 3 x 0 Chile
- Brasil 3 x 0 Argentina
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