Lula 4 aposta em pragmatismo para lidar com Trump, contornar atritos com Milei e ampliar alianças no mundo

Em novembro, por exemplo, o Brasil deixa a presidência da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a chamada COP, —principal fórum de negociações internacionais sobre o tema. O país assumiu o posto após sediar o encontro em Belém.
Entre novembro e dezembro, o Brasil também participa de encontros de alguns dos principais fóruns políticos e econômicos internacionais:
- a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), que reúne países do Sudeste Asiático;
- o G20, grupo das maiores economias do mundo; e
- a Cúpula do Mercosul, bloco formado por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia.

Lula responde sobre relação do governo com os Estados Unidos
Elemento surpresa
Governo Lula e os Estados Unidos
As eleições legislativas americanas, previstas para a próxima semana, devem ajudar a definir o cenário político com o qual o governo brasileiro terá de lidar nos próximos anos.
Uma eventual maioria democrata no Congresso poderia alterar a correlação de forças em Washington, mas Donald Trump continuará à frente da Casa Branca. As eleições legislativas estão marcadas para 3 de novembro.
Lula e Trump ainda devem estar juntos em pelo menos dois eventos internacionais neste ano: na cúpula da Asean, nas Filipinas, em novembro, e no G20, na Flórida, em dezembro. Os encontros podem abrir espaço para novos contatos entre os dois presidentes.
O governo Trump informou nesta quinta (29) que concedeu visto humanitário a Flávio. Ao mesmo tempo, Trump afirmou que não pretende se envolver nas alegações sem provas feitas pelo senador brasileiro sobre a eleição.
Esse episódio se soma às divergências acumuladas ao longo do terceiro mandato. O governo Lula já havia sinalizado a intenção de retomar as negociações com os Estados Unidos, especialmente em relação às tarifas e barreiras comerciais.
A avaliação de integrantes do governo brasileiro é de que a proposta carece de um projeto mais amplo para a região e tem forte caráter ideológico.
Apesar das divergências, o Brasil pretende manter e ampliar os acordos de cooperação com os Estados Unidos e países vizinhos no combate ao crime organizado, especialmente ao tráfico internacional de drogas.
A proposta busca fortalecer a atuação das forças de segurança e ampliar a articulação com os estados.
Vitória de Lula criaria "dor de cabeça no curto prazo" para Trump, segundo analistas. — Foto: Elizabeth Frantz/ Reuters via BBC
Lula 4 e a Ásia
A aproximação com os países asiáticos foi uma das apostas da política externa do terceiro mandato de Lula e deve continuar no quarto governo.
A estratégia é ampliar a presença brasileira na região, conquistar novos mercados para produtos nacionais e diversificar as relações comerciais.
Na avaliação do governo, a abertura de novos mercados também é uma forma de reduzir a dependência comercial do Brasil em relação à China e a outras grandes potências, ampliando as alternativas do Brasil.
Apesar desse movimento, a China continua sendo uma das prioridades da política externa brasileira, que é um dos principais destinos das exportações do país.
A intenção do governo não é diminuir a parceria com os chineses, mas ampliar as relações com outros países asiáticos.
Lula 4 e a Argentina
A relação entre os dois presidentes é marcada por uma série de atritos. Além dos ataques públicos a Lula, Milei manifestou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições e chegou a vir ao Brasil para participar da convenção que oficializou a candidatura do senador à Presidência. Na ocasião, disse confiar "plenamente" em Flávio.
Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, os quatro apresentaram documentação válida e não tinham impedimento legal para entrar no país.
A passagem também provocou reação política dentro da Argentina. Deputados argentinos acusaram Milei de facilitar a fuga e cobraram explicações de integrantes de seu governo, além do reconhecimento formal da vitória de Lula.
Na carta divulgada já nos Estados Unidos, Flávio agradeceu tanto a Milei quanto a Trump. Na primeira versão do texto, chamou a si próprio de "presidente eleito". Depois, apagou a publicação e substituiu essa expressão por "líder do Brasil".
Apesar das divergências políticas e da ausência de um embaixador brasileiro em Buenos Aires, os canais diplomáticos seguem funcionando. As relações comerciais e a cooperação bilateral também continuam, inclusive no Mercosul.
A avaliação no governo brasileiro é de que a relação com a Argentina precisa ser preservada. No entanto, para que haja uma retomada do diálogo em nível presidencial, interlocutores de Lula consideram necessário que Milei abandone os ataques pessoais.
Lula 4 e os países vizinhos
Apesar das diferenças políticas entre os governos da região, a avaliação da diplomacia brasileira é de ótima relação com a região e de que há espaço para ampliar a cooperação, especialmente na área de segurança pública.
Segundo interlocutores do governo Lula, é que apesar do alinhamento com Trump, países como Peru, Bolívia e Chile tem dúvidas sobre o que Trump pode, efetivamente, oferecer à região e demonstram interesse em manter uma relação pragmática com o Brasil, que é o maior país da América do Sul.
A avaliação é de que existem interesses comuns que vão além das divergências ideológicas. Além da cooperação no combate ao narcotráfico, tem a importância estratégica do Brasil que é rota de acesso ao Oceano Atlântico.
Na segurança pública, a intenção do governo brasileiro é ampliar e fortalecer cooperações já existentes.
A avaliação que segundo interlocutores do governo, é compartilhada por outros países da região, é de que as divergências ideológicas não devem comprometer os esforços de combate ao crime.
O Brasil pretende ampliar essa atuação com base na estrutura de inteligência e na capacidade operacional da Polícia Federal. Entre os instrumentos de cooperação estão:
- presença de um delegado brasileiro na Interpol,
- os centros de inteligência e cooperação na Amazônia e no Rio de Janeiro
Possível criação de uma nova estrutura em Buenos Aires, que deverá reunir delegados de países da região para fortalecer o combate ao crime organizado transnacional.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.