O que explica a cobrança de Neymar? Santos rende menos e enfrenta mais tensão na Vila

– Toda vez que eu erro ou um companheiro erra, já vem coisa. Incentiva. Para de vaiar, mano. Bate palma, vamos – sentenciou, em entrevista concedida após a partida.
Em seguida, o camisa 10 afirmou que sente falta do ambiente que marcou a Vila Belmiro em outros tempos.
– Estávamos perdendo? Mas e a hora que virar? Eu respeito vaiar no fim, acabou o jogo, dou 100% de razão. Mas durante a partida não. Vamos tentar nos ajudar. Aqui sempre foi alçapão, calor. Falavam que era f... jogar aqui. Hoje em dia, não sentimos mais o ambiente de antes. Sinto saudades disso. Torcedor nos cobra e agora estou cobrando eles também – acrescentou.
Neymar se emociona na apresentação com a camisa do Santos — Foto: Marcos Ribolli
Os números ajudam a explicar a percepção de Neymar e mostram também como a relação com a torcida teve momentos de atrito nesta segunda passagem.
Segunda passagem tem queda no aproveitamento
Na primeira passagem, Neymar teve sucesso na Vila Belmiro. Em 95 jogos, o aproveitamento se aproximou dos 70% dos pontos, com 58 vitórias e apenas 15 derrotas.
Na época com a camisa 11, Neymar conquistou o Campeonato Paulista de 2011 no gramado do estádio.
O aproveitamento dos pontos caiu nesta segunda passagem: 56,2%, de acordo com o Gato Mestre.
Neymar - Santos x Remo - Oitavas da Copa do Brasil - Vila Belmiro — Foto: Jota Erre/AGIF
São 22 vitórias e 11 derrotas em 48 jogos. O número de derrotas já se aproxima do registrado na primeira passagem, que teve praticamente o dobro de partidas.
Gols e participações diretas
Neymar teve 102 participações diretas em gols na primeira passagem, mais de uma por jogo nas 95 partidas pelo Santos entre 2009 e 2013. Foram 62 gols pelo clube.
Agora, são 19 participações em gols e 12 bolas na rede em 48 jogos. A média é de uma participação a cada 208 minutos, pouco mais de duas partidas.
Neymar comemora gol do Santos contra a Chapecoense — Foto: Anderson Romão/AGIF
Retorno de Neymar elevou público na Vila
A média de público da Vila Belmiro cresceu com o retorno de Neymar. O aumento se explica pela volta do camisa 10 quanto pela nova fase do estádio, com camarotes e mais espaços premium.
Segundo dados do "Acervo Santista", a média de público entre 2009 e 2013 ficou entre 8,7 mil e 9 mil, nos jogos com e sem Neymar.
Em clássicos, o público se aproximava dos 15 mil, e o Santos na época também mandava jogos no Pacaembu, como nas quartas de final, semifinais e na decisão da Conmebol Libertadores de 2011 contra o Peñarol.
Neymar comemora gol de Gabigol em Santos x Corinthians — Foto: Marcos Ribolli
Desde o ano passado, com a Vila Belmiro remodelada também por investimentos da NR Sports, a média passou de 13 mil, especialmente na temporada 2025.
Houve queda neste ano, mesmo com Neymar em campo: na vitória contra o Bragantino, pouco mais de 6 mil pessoas foram ao estádio.
O maior público deste ano foi no empate contra o Corinthians, pelo Brasileiro, com mais de 15 mil santistas na Vila Belmiro.
Reclamações
O questionamento de Neymar sobre o comportamento do torcedor não é novidade. O camisa 10 já demonstrou insatisfação com atitudes de santistas em partidas na Vila Belmiro.
O primeiro caso marcante ocorreu em julho do ano passado, quando o craque discutiu com um torcedor depois da derrota por 2 a 1 para o Internacional.

Neymar discute com torcedor após a derrota do Santos para o Internacional
Em abril deste ano, ao dar entrevista depois do empate contra o Recoleta, pela Sul-Americana, Neymar discutiu com torcedores nas cadeiras cativas da Vila Belmiro e desabafou.
– Eu respeito isso aqui, eu respeito pra c* isso aqui – disse o camisa 10, apontando para o escudo do Santos na camisa.
– Sou mimado? Estou dando a vida aqui, irmão – em outro trecho reproduzido em vídeo da "ESPN".

Neymar se diz chateado após discussão com torcedor do Santos: "Dou a vida por esse clube"
As cobranças agora se tornaram coletivas. Neymar disse entender a frustração do torcedor, porém pediu mais apoio para reviver o “alçapão” que conheceu durante a primeira passagem.
O aproveitamento era muito melhor, as conquistas vinham, e o camisa 10 tem a esperança de que o cenário possa ainda se repetir nesta reta final de temporada.
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