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Wednesday, September 16, 2026

A Procuradoria vai ser rapidíssima a investigar o regime

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Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Começa agora uma nova edição do "O Bom, o Mau e o Vilão". Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.

Bom dia.

Olá, Miguel. O teu bom está muito tranquilo.

Muito tranquilo. O procurador-geral da República apareceu ontem, os jornalistas fizeram-lhe perguntas sobre estes processos mais polêmicos que estão agora a ser investigados, e Amadeu Guerra, muito tranquilo, só nos deu boas notícias. Eu fiquei de coração cheio, devo te dizer. É verdade, ó Paulo. Vocês dois sabem que eu me emociono com alguma facilidade e ontem deixei me emocionar. Primeiro, sobre o caso que envolve o atual diretor da PJ, Carlos Cabreiro, Amadeu Guerra disse-nos, e vou citar: "É uma coisa muito simples. Vamos recolher dados, não tem nada de especial. É como qualquer inquérito." E vocês já viram que maravilha, isto é tudo muito simples, por isso de certeza que vai ser tudo muito rápido. E depois, ó Paulo, vai? Claro que vai. Larga esse cinismo, é sério. O país tem que andar pra frente, não é assim que o país anda pra frente. Depois, o procurador-geral da República falou sobre os inquéritos que envolvem Luís Neves e sobre a investigação ao assalto ao gabinete do Chega no Parlamento e, segundo ele, o Ministério Público está, vou citar: "A trabalhar para que tudo seja rápido." Mais uma vez, que maravilha. Claro que há aquele detalhe de Amadeu Guerra não se querer comprometer com prazos. É verdade, assumo. Amadeu Guerra não se quis comprometer com prazos, mas, na verdade, a culpa não é dele. A culpa é dos jornalistas que, como se sabe, são limitados. Coitados. Eu vou citá-lo: "Não vou fixar prazos pra conclusão dos inquéritos, como aconteceu noutras circunstâncias, em que vocês não compreenderam muito bem aquilo que eu disse."

Os jornalistas trocam os medos todos, basicamente.

Aquilo até faz eco. Amadeu Guerra está a referir-se àquela frase, segundo me parece, pelo menos foi essa a interpretação que alguns jornais fizeram, em que ele disse que a conclusão do inquérito à Spin Viva podia ser um bom presente de Natal, mesmo que seja antes do Natal. E foi uma frase exemplar, facilíssima de compreender.

Facilíssima de compreender achas tu.

E sem nenhum tipo de segundas interpretações possíveis. Mas os jornalistas, burros, não chegaram lá. De qualquer maneira, vamos esquecer o passado, vamos focar no presente e no futuro. Isso é que interessa. Estas investigações que envolvem, vamos lá ver, isto não tem nada que saber, o diretor da PJ, um dos principais ministros do governo e o principal partido da oposição, isto vai ficar tudo despachado num instantinho. A Procuradoria-Geral da República vai ser rapidíssima a investigar o regime, porque é um pouco isso que está aqui em causa. E ainda bem. Isto pode parecer que eu estou aqui a ser irônico, mas não.

Obviamente.

Acho mesmo que é ótimo que isto seja rápido pra não andarmos com estas nuvens de suspeição.

Eu também acho ótimo, só que entretanto vou buscar um banquinho pra me sentar.

Tu achas ótimo, Maria João? Também achas ótimo?

Acho perfeito, sim.

Então achamos todos ótimo.

Então vamos em frente.

Consenso. Bora.

Bora. O teu mau é o ministro da Educação.

Sim, infelizmente. Eu gosto do Fernando Alexandre. Mas enfim, como se sabe, uma das soluções pra falta de lugares nas escolas em algumas zonas do país foi aumentar o número de alunos por turma, e nalguns casos, esse número vai ser superior àquele que está previsto na lei. Sendo que a lei, atenção, também prevê esse aumento em circunstâncias específicas. Não é nada de ilegal. Mas Fernando Alexandre desvalorizou isto dizendo o seguinte. Ele aqui repete uma palavra, mas vocês vão perceber: "O que a evidência científica diz é que até aos 30 alunos não há evidências de que seja mau pra qualidade do ensino." Portanto, o que ele diz é que até um limite de 30 alunos, não fica prejudicada a aprendizagem. Mas vamos lá ver, uma de duas: hipótese A, a lei portuguesa está mal feita, porque tem um limite do número de alunos que oscila entre os 24 e os 30, consoante os anos, e por isso está desalinhada daquilo que é determinado pela evidência científica, porque pra que 24? De onde vieram os 24? Vieram de onde, como limite? Não há evidência científica. Foi alguém que se lembrou. Portanto, hipótese A: a lei está mal feita. Hipótese B: a lei está bem feita, e então tudo que seja aumentar aqueles números de alunos é possível, porque a lei prevê que seja necessário em algumas circunstâncias, mas é mau. É possível, mas é mau, como dizia o outro. Agora, o que nós não podemos é fazer de conta. Parece que sempre que surge um problema, nos querem convencer de que não há problema nenhum. Não há problema nenhum, temos que aumentar o limite de alunos nas aulas. Mas não há problema nenhum. Não há problema. Mas isso estava na lei. Mas não faz mal, porque a evidência científica diz outra coisa. Cansativo isto, para ser honesto. Sim. E para haver coerência, então que se faça uma alteração à lei. Claro, a evidência científica diz outra coisa hoje em dia, então vamos mudar a lei. Porque naturalmente o que não dá tranquilidade a um pai é a lei dizer uma coisa e depois quando surge um problema virem nos dizer que está tudo ok. Esqueçam lá a lei. Esqueça lá a lei, há aqui a evidência científica que diz outra coisa qualquer. Estavas tão bem no bom, pronto, agora já estás neste estado. Não, sabes o que é, Paulo? Isto é das coisas que mais me incomoda. É tratarem-nos como tontinhos. Como jornalistas, como viste. Exato, como burrinhos, como jornalistas. A PFR olha para os jornalistas. É isso.

Miguel, o teu vilão está contra.

Contra, completamente contra. Os sindicatos da CP estão contra. Ontem, a comissão de trabalhadores e os 15 sindicatos que existem na empresa juntaram-se. Devem ter alugado o Pavilhão Atlântico para se juntar esta gente toda, mas juntaram-se para dizerem que estão totalmente contra o anúncio do governo de que irá subconcessionar os serviços suburbanos de Lisboa e Porto. Eu imagino que isto seja uma grande surpresa. As pessoas não estão a ouvir. Para mim, o mais interessante foram os argumentos apresentados a favor da existência de uma só empresa. O que eles dizem é: isto funciona bem é de forma integrada, uma só empresa, pública, com certeza. Só uma empresa a tratar da ferrovia toda. Segundo os 15 sindicatos da CP, isso permite, por exemplo, eu vou citar: "Deslocar trabalhadores entre diferentes regiões ou utilizar os recursos onde são mais necessários." Depois eles explicavam outras maravilhas. Mas agora querem nos convencer disto, que na CP, onde não se pode mudar um parafuso sem negociar com 15 sindicatos, vai ser possível, ou é possível, estar ali a deslocar trabalhadores entre diferentes regiões. Pensa num trabalhador que está a trabalhar aqui, muda-se para outra região, não há problema, está tudo bem. Pior ainda, Miguel. Imagina começar a utilizar os recursos onde eles são mais necessários. Certo. É uma revolução. É. Mas parece que é possível. Mas seja como for, eu acho que fica aqui o aviso. Ou o governo se despacha nas subconcessões, ou nós arriscamo-nos a não conseguir fazer nada na CP. Eu sei que tudo demora muito tempo, tudo isto é uma coisa muito demorada, tem que se olhar para tudo e mais alguma coisa, mas a verdade é que as semanas passam, isto vai tudo andando e quando dermos por nós, se calhar, depois o governo tem uma surpresa qualquer, ainda não sei de onde, e lá se vai a subconcessão. E lá ficamos nós a ver passar os comboios. Não, mas a ver passar os comboios e os trabalhadores, que andam ali de região para região a suprir as dificuldades da CP. De Lisboa para Trás-os-Montes, de Trás-os-Montes para o Algarve, onde for mais necessário, na realidade.

Miguel, hoje é dia de Realpolitik com o Sérgio Sousa Pinto. De que vão falar?

Olha, vamos falar um bocadinho sobre o estudo que saiu a caracterizar a nossa classe política e que nos mostrou que a nossa classe política tem alguns problemas, talvez. Falar um bocadinho também sobre o estado da União Europeia neste preciso momento em que estamos a falar.

Está a discursar.

Exatamente. Ursula von der Leyen está a discursar. Vamos conversar um bocado sobre como é que está a União Europeia e também sobre o tema do espetáculo do Jerry Seinfeld e as várias desistências. Enfim, tudo isso. Vamos falar também um bocadinho sobre como é que estamos aí.

Realpolitik para ouvir, como sempre, depois do jornal do meio-dia. Quanto ao Bom, Mau e o Vilão desta quarta-feira: o bom é o procurador-geral da República, o mau é o ministro da Educação e o vilão são os 15 sindicatos da CP. São as escolhas do Miguel Pinheiro, num episódio que daqui a minutos fica disponível em podcast.

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