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Thursday, October 29, 2026

Show do BTS em SP mostra força coletiva do grupo e tem gritos a favor de Lula e contra Flávio

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Antes do começo e nos poucos silêncios durante o show, fãs puxaram coros politizados como “olê olê olê olá, Lula Lula”, celebrando o presidente, e outros contra Flávio Bolsonaro, candidato derrotado na eleição presidencial que fugiu para os Estados Unidos.

A manifestação política dos fãs tem contexto. Nas últimas semanas, seguidores do BTS fizeram parte de uma mobilização dos fã-clubes no Brasil. Um momento-chave dessa participação ocorreu no domingo seguinte ao primeiro turno das eleições presidenciais, quando o presidente Lula iniciou seu discurso na “Marcha pela Democracia”, em São Paulo, agradecendo a iniciativa dos "fandoms do Brasil".

O protesto nas ruas, realizado em 11 de outubro, foi o resultado de uma organização intensa nas redes sociais, utilizando estratégias típicas dessas comunidades, como mutirões e campanhas com hashtags. Representantes de cerca de 600 fã-clubes, incluindo os de grupos do K-pop, se uniram a favor da candidatura de Lula.

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Juntos (mesmo)

Após o fim do serviço militar e a pausa nos projetos próprios, fica nítido que a ideia agora é mostrar o BTS novamente reunido, sem espaço para performances solo de RM, Jin, Suga, J-Hope, Jimin, V e Jung Kook.

Os destaques individuais aparecem em uma apresentação com foco no coletivo. RM, Suga e J-Hope dominam os versos com influência do hip hop. Jin, Jimin, V e Jung Kook conduzem a linha vocal mais melodiosa, com momentos dignos de cantores influenciados por soul music.

Também são responsáveis pelos ad-libs, sons curtos que parecem improvisados (às vezes, de fato, são). É um pouco difícil entender toda a dinâmica das versões ao vivo, engolidas pela cantoria em altos decibéis do fandom em faixas como “Fake Love”, da fase “Love Yourself”. Nada supera, no entanto, os hits “Butter” e “Dynamite”, mais perto do fim. Todas elas vêm em versão com sons gravados e vocais, sem a presença de músicos.

As brincadeiras entre os membros dão charme ao show e são motivo de muitos gritos dos fãs. Qualquer momento de interação que pareça fugir do protocolo é recebido com alvoroço, tamanha é a devoção do ARMY, nome da base de fãs do BTS. Nas músicas mais animadas, é possível sentir o estádio tremer.

Em São Paulo, os fãs assistiram aos shows em quatro telões de LED integrados, em vez dos seis usados em outros países. A produtora atribuiu a mudança às limitações logísticas da parte latino-americana da turnê.

O palco 360 graus e as quatro passarelas incrustadas na plateia compensaram a estrutura mais enxuta. Um ponto negativo é a parte em que dançarinos se movimentam com panos, coreografia que remete ao desfile das delegações na abertura das Olimpíadas e pouco acrescenta visualmente. Quando retornam com bastões luminosos, o efeito cênico é bem mais embasbacante.

Som pesado e plateia barulhenta

A plateia chegou cedo e dominou as ruas dos arredores do estádio desde a tarde. A partir das 20h, dominou o estádio com trajes em tons de roxo e acessórios como light sticks, leques e cartazes, muitos com juras de amor em coreano.

Ao vivo, o som da banda é um pouco mais pesado do que nas gravações originais. O k-pop do BTS tem muito do hip hop americano dos anos 1990 e do EDM, a música eletrônica comercial com pegada bem anos 2000. O rap com um quê de pop dançante e o refrão cantarolável estão no DNA da maior parte do repertório. Das novidades, “Body to body” é imbatível, com jeitão de pop rock de arena.

Como boy bands ocidentais (Backstreet Boys e One Direction, por exemplo), o BTS alcança seus melhores resultados como ato pop quando une o talento e o carisma de seus integrantes, com direito a frases em português como “Vocês encheram este estádio gigante” e “Cês não tão de brincadeira”. Quem vai em um show de boyband quer ver coreografias bem sincronizadas, ouvir boas harmonias vocais e se deleitar com frases simpáticas.

Mas diferentemente dos grupos pop estourados nos anos 90, os sete membros não são apenas garotos que cantam e dançam. Das 20 músicas mais ouvidas do BTS no Spotify, 14 têm pelo menos o nome de um integrante entre os compositores.

Mais dois shows em SP

Anunciada em janeiro, a turnê do álbum “Arirang”, lançado em março de 2026, começou em 9 de abril, em Goyang, na Coreia do Sul.

A agenda segue até março de 2027, com shows na Ásia, América do Norte, Europa, América Latina e Oceania. No Brasil, o BTS se apresenta em três noites no MorumBIS. Além desta quarta, cantam na sexta (30) e no sábado (31) sempre com ingressos esgotados.

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