Agente mexicano destaca aumento de jogadoras brasileiras no país: "Talento muito bem valorizado"

A última delas foi a contratação da atacante Eudimilla pelo Pachuca, na maior venda da história do time feminino do Santos, em um valor estimado de US$ 350 mil (R$ 2 milhões).
Brasileiras na Liga Mexicana Feminina 2026/27:
- Eudimilla, atacante do Pachuca (contratada em 2026)
- Isa Haas, zagueira do América (contratada em 2026)
- Geyse, atacante do América (contratada em 2026)
- Mariza, zagueira do Tigres (contratada em 2026)
- Daiane, zagueira do Monterrey (contratada em 2006)
- Aline Gomes, meia-atacante do Pachuca (contratada em 2026)
- Jheniffer, atacante do Tigres (contratada em 2025)
- Priscila, atacante do América (contratada em 2024)
A brasileira Eudimilla em sua apresentação como nova jogadora do Pachuca, do México — Foto: Instagram/Pachuca
O mexicano Guillermo Zamarripa, dono da agência TMJ, foi o responsável pela maioria dessas transferências, feitas em conjunto com empresas brasileiras, como a Transfer Soccer Group e a Art Sports Management. Em entrevista ao ge, por chamada de vídeo, Zamarripa celebrou a valorização das jogadoras brasileiras pela liga feminina.
- O talento brasileiro está muito bem valorizado, e as jogadoras brasileiras aparecem nas listas de scouts e de recrutamento da maioria dos clubes mexicanos. Creio que existe uma combinação de fatores que faz a liga bastante atrativa para as jogadoras internacionais em geral, e nesse contexto entra a jogadora brasileira - explicou o agente.
Zamarripa destacou a profissionalização crescente da liga mexicana, que tem se tornado cada vez mais atrativa para estrelas internacionais. Todos os 18 clubes da primeira divisão contam com estrangeiras. Na atual temporada, as torcidas verão em campo jogadoras como as espanholas Jenni Hermoso (Tigres) e Rocío Galvez (Juarez), campeãs da Copa de 2023, a sueca Sofia Jakobsson (Toluca), a australiana Emily Gielnik (Pumas), a nigeriana Chinwendu Ihezuo (Pachuca) e as colombianas Daniela Arias (Leon) e Manuela Pavi (Toluca).
- Agora são permitidas sete estrangeiras por equipe, e isso amplia o universo de oportunidades para jogadoras internacionais - contou o empresário.
Guillermo Zamarripa, agente mexicano responsável por recentes transferências de brasileiras para o México — Foto: TMJ/Alex Cooper
Por que a liga mexicana se tornou tão atrativa para as brasileiras nos últimos anos?
- No México, a jogadora realmente se sente profissional, pelas boas instalações dos clubes, e há também muita exposição, uma boa comunicação, então eu creio que esses elementos aumentaram o valor do produto que é a Liga Mexicana. Muitas jogadoras comentam comigo que são reconhecidas nas ruas, isso faz com que elas se sintam realmente profissionais. Acredito que a Liga Mexicana está trabalhando muito bem, e a jogadora brasileira está se encaixando perfeitamente no que buscam os clubes mexicanos.
Como aconteceu esse desenvolvimento da liga mexicana feminina?
- Eu tenho mais de uma década sendo agente de futebol, e há dez anos era impossível pensar que um clube venderia o pacote comercial da sua equipe feminina separado do time masculino. Nos primeiros oito anos, era um pacote só, o clube vendia as ações comerciais do masculino, e o feminino ia de brinde. Hoje, os clubes têm uma estratégia de patrocínio para o masculino e outra para o feminino. Tudo isso ajudou para esse ecossistema ser sustentável como produto. E isso não é uma fundação filantrópica, tem que ser tratado como um negócio, e para isso é preciso haver divisões de base, desenvolvimento e um mecanismo de exportação.
Tomara que o Brasil se dê conta disso nos próximos anos, que o Mundial Feminino que chega ao país no próximo ano seja um catalizador, para que possa abrir as portas desse talento brasileiro para o mundo.
Aline Gomes em ação pelo Pachuca, do México — Foto: Instagram/Pachuca
Os grandes clubes mexicanos têm o hábito de usar seus estádios para os jogos da liga feminina. Isso é um sinal de força da modalidade, não?
- Estamos próximos da liga mexicana desde o início, e realmente a cultura foi crescendo, o engajamento dos torcedores com as jogadoras é incrível, e acho que isso tem a ver com a capacidade de atrair jogadoras de muito renome internacional, como Jenni Hermoso, Isa Haas, Jheniffer Cordinali. São jogadoras que têm uma valorização global incrível, e estão optando pelo mercado mexicano.
Para nós, aqui no Brasil, é comum acompanhar também as brasileiras que atuam nos Estados Unidos. Mas agora estamos vendo também saídas de jogadoras da NWSL para a liga mexicana, como Geyse, Daiane e Aline Gomes. Qual a principal diferença entre os dois mercados?
- A NWSL tem um nível de investimento maior, mas não esqueçamos que há poucos meses o América do México ganhou o título da Concacaf (de 2026), vencendo duas equipes da NWSL (Gotham, na semifinal, e Washington Spirit na decisão). O que isso nos diz? Que os clubes mexicanos, os clubes top, podem ganhar de qualquer time da NWSL. Isso já está comprovado. A diferença que existe é que a liga americana é mais equilibrada, o último lugar da tabela pode ganhar do primeiro, isso não acontece no México. Outra diferença é que a liga mexicana prioriza mais o técnico e o tático, e a liga americana prioriza mais a velocidade, a potência, a força. O que me encanta na jogadora brasileira é que ela tem as duas coisas. Por isso, o talento brasileiro está sendo recrutado a nível global.
Priscila, atacante brasileira do América do México — Foto: Divulgação/América do México
- E como você vê a entrada das jogadoras brasileiras no mercado internacional nos próximos anos?
- Acredito que a liga mexicana vai continuar buscando jogadoras brasileiras, não há dúvida disso. Existem agências no Brasil que estão fazendo isso muito bem, como a Transfer Soccer Group. Essas agências estão priorizando o desenvolvimento da jogadora brasileira como produto de exportação. Há algo muito interessante acontecendo agora mesmo, as jogadoras que estão fora do Brasil, a maioria está ou já passou pela seleção. O que vai acontecer nos próximos anos? O mesmo que acontece no futebol masculino. O Brasil é um exportador de talentos para todo o mundo, e muitos desses jogadores não passaram e nem vão passar pela seleção brasileira. Mas ainda assim estão em todas as ligas do mundo. Isso é o que sentimos que vai acontecer com as jogadoras, haverá talentos brasileiros de diferentes níveis espalhados pelo mundo.
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