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Saturday, October 31, 2026

Reeleição de Lula frusta planos de Trump, que deve acelerar pressão sobre a América Latina

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👉 O Brasil foi o primeiro país da América Latina a não eleger a direita em eleições presidenciais desde que Donald Trump voltou à presidência dos EUA, em janeiro de 2025. Pressionada pelos EUA, a região, que costuma "caminhar junto" em alternâncias de poder, reconfigurou seu mapa político nos dois últimos anos, caminhando para a direita. Países como Colômbia, Peru, Costa Rica e Chile se uniram a El Salvador e Argentina.

➡️Desde que voltou à Casa Branca, o presidente dos EUA, Donald Trump, tem buscado ampliar a influência de Washington na América Latina e reivindicou o retorno da Doutrina Monroe — a estratégia de política externa criada há 200 anos por Washington para exercer poder sobre a região. O objetivo, agora, é "proteger" o continente da China, seu maior rival geopolítico.

Desde o início de 2025, o governo Trump:

O Brasil, rico em minerais e em terras raras, seria a "o maior prêmio" para os EUA e culminaria o sucesso dessa estratégia, disse o analista sênior de América Latina do Chatham House, Christopher Sabatini.

Sem a "cereja no bolo", agora a Casa Branca tentará "driblar" o Brasil para seguir ampliando sua Doutrina Monroe na região, na avaliação do analista político norte-americano Samuel Logan, fundador da consultoria de inteligência de dados da Evidencity, focada em América Latina.

"Para Washington, a vitória de Lula representa um contratempo, mas não um obstáculo à estratégia regional", disse Logan ao g1 .

👉 Logan disse achar que o governo Trump, em vez de recuar em sua ofensiva por influência na América Latina, vai concentrar esforços nos países já aliados -- Argentina, Chile, Paraguai, Peru, Bolívia, Equador, Colômbia, El Salvador, Panamá, Honduras e Costa Rica.

"Na verdade, a agenda de Trump para a América Latina tende a se acelerar", afirmou Logan.

Mais militarização com aliados

Governo Trump divulga primeiras FOTOS de porta-aviões em formação militar após chegada à América Latina — Foto: Marinha dos Estados Unidos

Essa aceleração da Doutrina Monroe entre os aliados deve se dar, principalmente, através de mais operações militares conjuntas, segundo os analistas.

“O que está acontecendo é uma tentativa de legitimar o aumento do uso das Forças Armadas dos EUA na região”, disse à agências de notícias Associated Press Michael Shifter, especialista em América Latina do think tank Diálogo Interamericano.

Já no Brasil, a resistência de Lula em ceder a exigências do governo Trump, na avaliação do analista, ajudou em sua reeleição e deve seguir sendo uma tônica de seu quarto mandato. Ciente disso, Washington negociará com o governo brasileiro para tentar conquistar seus objetivos no Brasil, como a exploração de minerais e terras raras.

Mas encontrará, no caminho, o poder de influência do próprio Brasil com os vizinhos sul-americanos.

"O Brasil faz fronteira com 10 nações. Nessas 10, o Brasil possui grande influência; mesmo quando as posições políticas não coincidem, as relações entre as forças armadas permanecem sólidas — muitas vezes, inclusive, mais estreitas do que os laços que esses países mantêm com Washington", afirmou Logan.

Ao longo de toda a campanha eleitoral brasileira, Donald Trump se absteve de declarar apoio a Flávio Bolsonaro. Depois do resultado, Trump disse que se dá bem com Lula, mas também questionou as eleições -- sem apresentar provas -- e permitiu a entrada do candidato derrotado Flávio Bolsonaro nos EUA.

👉 O senador e sua família deixaram o Brasil na quarta-feira (28) em uma operação secreta que envolveu uma entrada por terra na Argentina e uma viagem em jatinho privado até Miami, na Flórida.

Direita x Esquerda - mapa da América do Sul após reeleição de Lula — Foto: arte/g1

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