Motores ligados 24h e banheiro na neve: a rotina na vila mais fria do mundo

As condições de vida são extremamente rigorosas. Vivendo sobre a terra congelada, os habitantes dedicam-se, segundo o The Guardian, principalmente à criação de vacas, cavalos e renas, à caça, à pesca, à coleta e à extração de madeira.
No inverno, o vilarejo recebe apenas 3 horas de luz solar por dia. A geografia do local funciona como uma armadilha térmica: por estar em um platô cercado por montanhas que formam uma bacia, o ar quente não consegue entrar e o ar congelado fica preso no fundo do vale. Esse fenômeno é agravado pelo Anticiclone Siberiano, uma gigantesca massa de ar frio, seco e denso que se instala sobre a região durante os meses frios, bloqueando frentes quentes.

A infraestrutura local precisa conviver com o permafrost, a camada profunda de terra e rocha permanentemente congelada. Por conta disso, é impossível instalar redes convencionais de água encanada e esgoto subterrâneo, já que os canos congelariam e se romperiam. A maioria das casas utiliza banheiros externos em pequenas cabanas e depende do aquecimento a carvão ou lenha para manter os ambientes internos habitáveis.
Os carros em Oymyakon são mantidos com o motor ligado 24 horas. Se ele for desligado fora de uma garagem aquecida, o óleo, o combustível e os fluidos internos congelam em poucos minutos, e os pneus travam no solo. Por essa razão, os moradores mantêm os motores funcionando continuamente enquanto realizam tarefas na rua, ou usam garagens especiais com aquecimento constante.
Como o solo congelado impede qualquer tipo de cultivo agrícola na maior parte do ano, a dieta da população baseia-se fortemente em proteínas e gorduras de origem animal. Os pratos tradicionais incluem carne de rena, carne de cavalo e peixes locais pescados no gelo, frequentemente consumidos crus ou congelados em fatias finas —prato conhecido localmente como stroganina.
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