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Thursday, October 22, 2026

Julia Mestre: “Vivemos em uma geração muito ansiosa, cansada dessa hiperestimulação”

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No começo da segunda semana da temporada da Rolling Stone Brasil no Rio de Janeiro, recebemos Julia Mestre, cantora e compositora que fez seu nome no Bala Desejo e consolidou uma identidade própria nos discos solo ARREPIADA e MARAVILHOSAMENTE BEM. Tímida e sorridente, ela chegou discretamente e, antes do papo, folheou algumas de nossas revistas, como a edição de colecionador de Lady Gaga, de 2025.

“Essa fase de apresentar o disco ao vivo tem sido muito interessante”, afirmou sobre MARAVILHOSAMENTE BEM, um dos melhores álbuns de 2025 segundo a Rolling Stone Brasil. “Ao mesmo tempo, já estou compondo meu próximo álbum. Vivo uma dualidade: quando estou na estrada, minha cabeça [também] já está no trabalho seguinte.”

Pouco mais de uma semana depois, conversamos novamente com Julia, desta vez por videochamada, sobre sua trajetória, referências oitentistas, otimismo, os anos de Bala Desejo, o mundo analógico e sua próxima fase.

Olhando para Geminis, seu primeiro disco de estúdio, sete anos depois, o que você pensa sobre ele? Você ainda se identifica com aquela Julia?
É um álbum que, hoje em dia, sinto ser o mais distante de mim, da minha linguagem e da minha dialética. Mas tem uma importância enorme na minha trajetória, porque foi com ele que pude fazer essa estreia.

Consigo ver uma Julia inocente. A primeira música do disco, “Canto de Saudade”, é sobre a saudade de casa, dos pais. “Ô, mãe, que saudade de você, papai” é a frase que abre. E a segunda é “Mudar o Mundo”, com esse olhar super inocente, mas também com muito poder, de acreditar na força da voz e em como a arte pode provocar uma mudança poderosa. Tem muito a ver com essa esperança das primeiras canções e com sonhar muito. Geminis é um disco muito sonhador.

Também conta com parcerias que tenho até hoje. Produzi com Zé Ibarra e Lucas Nunes, com quem depois fui fazer o Bala Desejo, mas também foi feito por outras cabeças. Tinha Magno Brito e Thiago Braga, que faziam parte da Sinara. Começamos todos muito juntos aqui no Rio de Janeiro — fui crescendo com eles. Hoje, com os Gilsons, tenho essa parceria e seguimos compondo.

Tudo desembocou em relações mais maduras, mas vejo que não perdi essas relações. É muito lindo perceber como a música tem esse elo tão poderoso e como vamos amadurecendo e transformando essas relações. Essa é a minha ideia enquanto artista: sempre me sentir afetada e inspirada criativamente para não parar de criar. É legal ver como aquela Julia sonhava e como a Julia de hoje segue muito inspirada, com vontade e desejo de criação. Tenho um carinho enorme por esse disco, apesar de senti-lo distante de mim hoje em dia.

Você ainda mantém aquele otimismo e aquela esperança?
Sempre. A esperança é a última que morre e a arte tem esse poder. Precisamos sentir a mensagem como algo poderoso e transformador, porque as palavras realmente são muito poderosas. Enquanto artista, tenho que acreditar nesse poder para ter essa vontade de transformação.

Havia uma ingenuidade jovial muito linda. Hoje, mais madura, olho as coisas de uma forma um pouco mais séria. Quando você conhece cada vez mais o mercado da música, às vezes se desilude porque compreende que nem sempre é só sobre a música. Você se vê diante de novos dilemas e outras dificuldades.

Mesmo assim, sou muito positiva. Sigo essa estrela em que acredito, no que crio, no que troco e compartilho com outros artistas. É algo pelo qual tenho muita paixão e, enquanto isso estiver muito vivo dentro de mim, vou ser sempre uma menina esperançosa e sonhadora. Sinto que minhas músicas sempre tiveram esse som de magia.

Julia Mestre
Julia Mestre (Foto: Matheus Thierry)

Pouco tempo depois, você formou o Bala Desejo com Zé Ibarra, Dora Morelenbaum e Lucas Nunes. Como foi sair de uma carreira solo para um projeto pensado por quatro cabeças?
Tem uma curiosidade: antes do Bala Desejo, o processo de ARREPIADA [segundo disco de estúdio solo] já tinha começado. Comecei a compor um pouco antes da pandemia, em 2019.

Quando entramos no lockdown, comecei a fazer imersões com Lux Ferreira. Eu tinha vivido uma temporada muito inspirada cantando Rita Lee. Aquilo também me transformou, porque comecei a pesquisar muito a sonoridade dos anos 1980, especialmente aquele repertório de 1979 para 1980. Quando comecei a compor as músicas, queria trazer essa modernidade.

Lembro de ir ao Circo Voador ver a Duda Beat. Aquilo me contagiou muito. Além de ter amado aquele show e o primeiro disco dela, vi o Lux Ferreira tocando os teclados. Ele tinha um jeito muito diferente de tocar: colocava o teclado em 90 graus e tocava com ele em pé. Achei aquela imagem muito forte e o convidei para produzir o disco.

Só que, no final da pandemia, convidei Zé, Dora e Lucas para morarem comigo. Estávamos desesperançosos, achando que aquele momento não ia passar. Como não podíamos sair de casa, aquela era uma forma de ter os amigos próximos. Pensamos: “Vamos atravessar esse momento esquisito morando juntos”.

Tudo aconteceu de um jeito que não tínhamos planejado. No começo, nunca imaginamos ser uma banda ou fazer um projeto musical, mas viram em nós essa possibilidade e nos convidaram para participar do Coala Festival. Aquilo despertou uma primeira chama de entender que esse projeto poderia ter potencial. Levantamos um repertório em sete meses. Foi impressionante e o disco mais rápido que fiz, em menos de um ano.

Em 2022, lançamos [SIM SIM SIM] e foi uma catarse. Abriu muitas oportunidades, principalmente naquele momento em que a pandemia terminava e os shows voltavam. Houve uma euforia muito grande no mundo e no Brasil, com muitos festivais, e tivemos a oportunidade de tocar em muitos palcos.

Foi ali, talvez, que realmente me entendi como artista, porque tive a vivência de uma rockstar pela primeira vez: estar sempre na estrada, viajar, ter contato com públicos muito grandes, algo que antes não fazia parte da minha realidade. Aprendi como funciona o showbiz, o backstage dos festivais, as trocas de palco, os formatos de show, a pressão de estar em grandes eventos. Comecei a entender o poder que é ter um microfone na mão.

Enfrentamos muitos desafios, mas foi um projeto muito lindo, do qual tenho muito orgulho de ter feito parte. É um disco que trouxe muitas celebrações, muitos prêmios. Realmente existe uma Julia antes e depois disso.

Em 2022, lancei ARREPIADA. Apesar de tê-lo feito antes do Bala Desejo, senti que era melhor segurar esse disco. Ele acabou saindo depois. Entre 2022 e 2023, vivi dois shows simultaneamente: fazia o show solo e o do grupo.

Foi um ano muito intenso e muito legal para enxergar essas possibilidades. Sou uma artista muito visual, que gosta de trabalhar com personas e de trazer teatralidade para aquilo que faço em cima do palco. Naquele momento, me vi com duas pesquisas muito distintas. Em cada show, você via uma Julia diferente, com outro jeito de se vestir e outro movimento de cena. Uma das coisas de que mais gosto é poder trazer uma expressão diferente para cada projeto, que pede de mim uma Julia diferente.

‹‹No Bala Desejo tive a vivência de uma rockstar pela primeira vez: estar sempre na estrada, viajar e ter contato com públicos muito grandes››

Essas personas te permitem revelar lados seus que não aparecem tanto no cotidiano?
Sou uma pessoa extremamente tímida. Muita gente, quando me conhece de perto, até se espanta com a minha timidez. Quem me vê no palco às vezes percebe uma timidez no ar. Mas, quando chega perto, tenho uma aura bem mansa.

Desde criança, sempre fui uma pessoa muito observadora, que às vezes observa mais o mundo do que de fato se coloca nele. Mas sempre encontrei a arte e o palco como uma forma de expressão. Tive contato com o teatro muito jovem, comecei aos 10 anos, e sempre senti essa diferença entre o mundo real, cotidiano, e aquilo que acontecia quando estava nesse lugar tão sagrado que é o palco.

Via surgir em mim uma coisa diferente, uma força que desconhecia quando não estava nesse lugar. Acho que foi por isso que senti que a arte sempre seria a minha casa, que deveria trabalhar com isso.

Não segui como atriz. Sempre brinco que sou uma “atriz frustrada”, porque nunca segui essa carreira. Mas segui com a música porque sentia que tinha em mim essa veia de compositora, uma facilidade para traduzir sentimentos. Também pela timidez, por às vezes não conseguir expressar certas coisas de outras formas.

Encontrava na poesia uma maneira de canalizar sentimentos e traduzir coisas que não conseguia dizer. Com a música, consigo conduzir melhor o roteiro da minha vida e construir essas histórias. Como compositora, posso criar minha própria narrativa.

A música foi me levando, e sinto que trago essa atriz que existe em mim para os meus projetos visuais e para essa pessoa que é a Julia que vocês conhecem através das minhas páginas, mas principalmente em cima do palco. Ali também existe uma persona.

Você gravou ARREPIADA em um quarto e já citou Billie Eilish como uma referência para esse canto mais intimista. Como isso influenciou a sua maneira de cantar e produzir?
Billie Eilish trouxe a possibilidade de fazer grandes discos dentro de um quarto. E, de um tempo para cá, é assim que prefiro fazer esses processos. De fato, evito ao máximo chegar a grandes estúdios. Sinto certa frieza nesses lugares gigantes, uma dificuldade de conexão. Sempre opto por fazer os processos de criação em lugares mais aconchegantes, menores.

Acho que é uma característica da nossa geração musical. Cada vez mais construímos relações mais autoprodutivas. As pessoas criam os próprios estúdios e fazem essas versões dentro de casa. Os grandes estúdios também estão ficando um pouco afastados dos artistas, a não ser daqueles que já tinham essa conexão anteriormente. Talvez pessoas de outras gerações ainda permaneçam nesses grandes estúdios. Mas tenho visto que essa é uma característica não só minha, mas da música em geral atualmente.

Você acha que essa tendência também é uma resposta à hiperconectividade em que vivemos?
É um pouco de tudo. Temos essa hiperconectividade e, de certa forma, muita informação. Podemos aprender muito no YouTube, com dicas de outros produtores e sobre como mexer nos programas. Também ficou mais acessível ter o próprio material e construir. As pessoas conseguem fazer essas produções dentro de casa.

Seus trabalhos passam por pop, rock, MPB, reggae, forró e outros gêneros. O que inspira essa mistura?
Sendo uma artista brasileira, é impossível não se sentir atraída e conectada por diversos gêneros, porque o Brasil é um país muito plural, muito rico musicalmente. Existe a música estrangeira, que entra de fato no nosso mercado, mas é impossível não se sentir contagiada pela música brasileira e por como ela é influente para nós.

Mesmo me sentindo cada vez mais próxima da música pop, é um pop Brasil. Vejo esse movimento acontecendo em toda a cena. É lindo ver o trabalho da Marina Sena e como ela traz cada vez mais a regionalidade para o trabalho dela. Isso faz parte de nós.

Por mais que o mercado tenha influências de fora, o Brasil é muito rico. Como uma apaixonada por música, basicamente o que escuto, as minhas playlists, é nacional. Isso influencia a minha música. Tenho muita conexão e preferência por artistas brasileiros, então inevitavelmente isso aparece na minha poética.

Um artista que amo e por quem sempre me sinto inspirada é Gilberto Gil. É incrível ver como ele tem várias gamas e várias fases, uma musicalidade com curiosidade sem fim por diversos gêneros. Isso é muito lindo. E, é claro, não posso deixar de citar Rita Lee e Marina Lima, que também são referências maiores das quais falo muito. Mas o Brasil é imenso. Tem muita riqueza aqui.

‹‹Sendo uma artista brasileira, é inevitável não se sentir atraída e conectada por diversos gêneros, porque o Brasil é um país muito plural, muito rico musicalmente››

Que abordagem você quis trazer em MARAVILHOSAMENTE BEM, tanto nas letras quanto na sonoridade do álbum?
Foi uma pesquisa voltada para a estética oitentista. Uma busca tanto desse momento de pista quanto das músicas e baladas de amor. Me sinto uma cantora muito romântica e gosto muito de cantar canções de amor.

Isso aparece bastante em MARAVILHOSAMENTE BEM. É um disco muito romântico e fantasioso, sempre com personagens, vampiras, cantos de sereia… essa lírica meio mística, mas voltada para canções que são ou baladas ou músicas para dançar.

Esse também tem sido meu estudo para o próximo álbum: trazer essas duas Julias que existem em mim. Só que MARAVILHOSAMENTE BEM vem com uma mensagem mais solar e agora estou em uma pesquisa um pouco mais noturna, com sonoridades mais indie e alternativas. Estou curiosa para apresentar esse novo caminho.

MARAVILHOSAMENTE BEM nasceu basicamente de um momento em que vivia uma fase um pouco difícil. Vem “Sou Fera”, em que desabafo aquele momento. Era um momento em que fazia muitos shows na estrada e tinha muito contato com o público, mas existe essa história do palhaço [Pagliacci]: ele está sempre entretendo o público, mas, por dentro, pode viver uma tristeza profunda.

Naquela época, eu vivia um momento muito sensível e dizia: “Por debaixo da pele eu sou loba, sou fera, mas, se você chega perto, por trás das minhas garras, há uma aura mansa, uivando para a lua, lambendo a ferida”. Ao mesmo tempo, foi muito marcante para mim porque estava há um ano sem compor. A música nasceu e me apontou uma nova direção. Havia muito tempo que não me conectava tanto com algo, e aquilo me inspirou. Virou uma chama, uma força motriz.

Quando vi, ela começou a despertar outras composições. Fiquei muito aflorada criativamente novamente. Me vi criando, compondo e começando a produzir. Aquele projeto me acendeu. Foi uma fase em que me transformei e me senti forte.

Todos nós temos momentos de altos e baixos. Já vi uma entrevista em que Quincy Jones fala: “Aprenda a lidar com os vales, porque, quando estamos no topo, sempre levamos bem”. Os vales são os momentos mais difíceis. Foi a saída de um momento no qual estava internamente mais frágil. Aquilo me puxou para cima. Um dia, estava voltando do mercado, com a sacola na mão, e comecei a cantar: “Sexy, maravilhosamente bem”. O refrão simplesmente baixou. Cheguei em casa, tive uma epifania, peguei o caderno e comecei a compor. Assim saiu “Maravilhosamente Bem”.

A estética analógica também é muito presente no seu trabalho e nas suas redes. O que chama sua atenção nesse formato?
Vivemos em uma geração muito ansiosa, cansada dessa hiperestimulação. Estamos o tempo todo sendo atravessados por diversas informações. É por isso que essa geração abraça tanto a nostalgia, como se estivesse cheia dessa massificação de ideias, novidades e conteúdo o tempo todo. É uma geração muito dispersa.

Fica a sensação de que os tempos anteriores talvez fossem épocas mais calmas. Já li diversas pesquisas e matérias falando sobre essa identificação com tempos que não vivemos. Sou de 1996 e dizem que a minha geração é uma das últimas que conseguiu se conectar com o mundo antigo. Nasci ainda em um mundo analógico. Tive relação com fita cassete, já rebobinei filme, vivi aquelas primeiras conexões com a internet discada. Mas, rapidamente, durante minha infância, vieram a internet e o telefone. Sou de uma das últimas gerações que pôde viver nesses dois mundos.

Talvez eu queira trazer um pouco dessa investigação porque isso também mexe com um lugar de nostalgia, que ocupa um lugar muito poderoso, porque faz você se sentir afetivamente conectado àquilo. Mexe com a lembrança ou talvez com a conexão com um passado que você gostaria de ter vivido.

De um tempo para cá, tenho me aprofundado com o analógico e com câmeras. Quando percebi, estava cada vez mais interessada por fotografia. Sou compositora, artista e cantora, mas sou muito apaixonada por cinema e fotografia.

Nunca falo isso, mas uma das minhas paixões também é a direção criativa e esse cuidado com a imagem. É uma das características mais fortes que identifico quando olho para o meu trabalho e também quando recebo o olhar das outras pessoas.

‹‹Estamos o tempo todo sendo atravessados por diversas informações. É por isso que essa geração abraça tanto a nostalgia››

Julia Mestre
Julia Mestre (Foto: Gabi Lisboa)

Além do amor e dos relacionamentos, o que mais inspira suas composições atualmente?
Por exemplo, tem “Queremos Saber”, do Gilberto Gil, que depois a Cássia Eller gravou lindamente. Essa temática da curiosidade e do mistério da vida me puxa muito. São temas que sempre me deixam muito instigada. Tenho uma música chamada “Sonhos & Ilusões”, em ARREPIADA, que fala muito desse olhar profundo para um futuro tão sem respostas. Esses temas me instigam muito.

Também sou muito vidrada em histórias, narrativas e fantasias. Essa possibilidade de habitar mundos que não são necessariamente o mundo real me deixa instigada. Tem “Deusa Inebriante”, que fala sobre a dor da morte e esse último suspiro de vida. Compus quando soube que meu avô havia falecido. Entrei nessas perguntas sobre por que vamos embora. Ele partiu dormindo, já com muita idade, então criei essa personagem, a Deusa Inebriante, que te puxa para um sono profundo e te seduz, como se fosse um canto de sereia. É uma forma de criar uma mística sobre a morte, um tema tão profundo e para o qual nunca teremos respostas. Só temos a poesia para tentar justificar um pouco esses mistérios tão profundos que são a vida.

Esses mundos e seres místicos são grandes curiosidades minhas. Inclusive, uma das próximas músicas que vou lançar, agora em outubro, é sobre uma história fantasmagórica, uma relação com fantasma e esse mundo tão misterioso e mórbido. Ao mesmo tempo, isso pode ser envolvente e sensual [risos]. Existe uma sensualidade na morbidez; e trazer esses assuntos soturnos, mas sempre com um estado mais envolvente através da música, também me instiga enquanto poeta.

Você completou 30 anos em 2026. Olhando para trás, como enxerga os seus 20 e poucos anos e tudo o que viveu nesse período?
Enquanto artista, vivo em uma busca constante. Quando olho para trás, vejo esse brilho nos olhos de uma eterna curiosidade. Os anos vão passando e me vejo sempre instigada, indo para a frente, buscando novas referências e canções com essa inquietude.

Sou uma pessoa muito inquieta, mas tento olhar para essa inquietude de forma positiva. Não é algo que me afete. É um desejo de me sentir curiosa — essa inquietude curiosa, essa vontade de conhecer o que ainda não existe ou procurar novos caminhos e me sentir sempre seduzida pelos artistas.

Gosto muito de olhar ao meu redor e ver o que está acontecendo. Um dos meus maiores hobbies é ir a shows. Sempre que tenho oportunidade, estou em festivais e shows e, muitas vezes, vou sozinha. Essa pesquisa sempre me transforma e me alimenta. Quando penso nessa Julia que vem construindo um caminho, penso nessa curiosidade que segue até hoje. Consigo analisar o amadurecimento que vem acontecendo disco após disco. Sinto uma evolução na poética, na narrativa, na sonoridade.

Para encerrar: o que podemos esperar da sua próxima fase? O que você pode adiantar sobre os próximos singles e o novo álbum?
O próximo projeto é uma música chamada “Coisa do Além”. Escolhi lançá-la próximo ao Halloween porque conta essa história de uma relação com um fantasma. Essa é a minha forma divertida de brincar, através das palavras, com essas tentações do além. Quem me ensinou essa forma brincante de mexer com as palavras e com personagens foi Rita Lee.

Estou muito animada com esse [novo] projeto porque o clipe tem uma equipe majoritariamente feminina, inclusive na direção e fotografia. Outra referência contemporânea que me inspirou foi Addison Rae, que adoro. Ela vem do mundo pop, mas criou uma equipe visual muito feminina, e acho poderoso como ela também se sentiu mais forte por ter essas parcerias. A direção é da Letícia Ribeiro, com fotos da Gabi Lisboa.

O álbum vem em 2027 e já está no forninho. Como falei, são novas pesquisas. Agora quero partir para uma visão mais contemporânea e olhar para as minhas referências. Uma dessas coisas é justamente buscar compositores da minha geração para fazer essas parcerias. É o meu novo [disco] favorito. Essa provinha que vem em outubro já diz muito sobre o que está por vir. É uma outra camada. Para quem ouviu “Fim de Verão”, agora entramos em “Coisa do Além”, que abriu muitas portas para o que está por vir.

Sinto que será uma trilogia. ARREPIADA, MARAVILHOSAMENTE BEM e o novo projeto têm uma conexão interna de estética, apesar de serem muito diferentes entre si. Depois, quero ir para um lugar totalmente diferente. Tenho certeza de que será especial porque, de certa forma, ele também está um pouco mais íntimo. Acho que consegui me abrir, ser um pouco mais sincera e mostrar um pouco mais da Julia nessa nova fase.

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Rolling Stone Brasil — especial Robbie Williams

Este texto faz parte da da edição de outubro da Rolling Stone Brasil, com Robbie Williams na capa! Em entrevista como antecipação ao seu show no próximo dia 13 no Nubank Parque, em São Paulo, realizado pela 30e, o músico fala sobre o retorno ao Brasil após 20 anos, seu novo álbum Britpop, a parceria com Tony Iommi, a homenagem a Morrissey e as lições de mais de três décadas na indústria da música. Edição em pré-venda no site Loja Perfil.

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