Análise: deserto no ataque e marasmo na defesa explicam derrota do Vitória no Barradão


Vitória 1 x 3 Cruzeiro | Gols | 28ª rodada | Brasileirão 2026
Os primeiros lances deram o tom de qual seria a única alternativa ofensiva do Vitória: a bola longa. Logo aos dois minutos, Renê recebeu passe enfiado de Matheuzinho, e o goleiro Otávio antecipou e foi desarmado por Erick, mas se recuperou a tempo de fazer linda defesa no chute do camisa 33.
O Vitória não mostrou, no entanto, nada além das tentativas com passes longos. Diego Tarzia levou perigo pela esquerda depois de lançamento de Lucas Arcanjo, mas chutou mal. Com a bola, o lado rubro-negro não mostrou repertório para ir além de uma troca de passes lenta e improdutiva.
Renê em Vitória x Cruzeiro — Foto: Victor Ferreira / EC Vitória
Não à toa, único gol do Vitória foi fruto de sua maior troca de passes no jogo em um raro momento de lucidez ofensiva. Depois de quase um minuto de posse de bola, Matheuzinho conduziu por dentro e serviu Renê, que encheu o pé para marcar o quarto gol em três jogos e ampliar a boa fase individual.
O segundo tempo mostrou um Vitória ainda mais improdutivo e vulnerável. Caíque Gonçalves, principal responsável pela marcação no meio de campo, foi substituído por questões físicas, e o time passou a assistir com passividade aos ataques do Cruzeiro.
Luan Cândido lamenta enquanto jogadores do Cruzeiro comemoram gol contra o Vitória — Foto: Celo Gil/Cruzeiro
A virada sofrida com dois gols em 20 minutos foi uma ilustração fiel da falta de intensidade e atenção na marcação. O gol de empate de Arroyo aconteceu menos de um minuto depois do início do segundo tempo - com contribuição de Lucas Arcanjo -, e a virada com Villalba nasceu em lance de arremesso lateral.
A reação do Vitória já parecia improvável, conclusão que se confirmou com o marasmo ofensivo da equipe de Jair Ventura. Sem conseguir puxar contra-ataques e sem repertório para criar jogadas, o treinador repetiu estratégia que raramente rendeu resultados: empilhou atacantes, avançou o zagueiro Luan Cândido e esvaziou o meio de campo.
De quebra, manteve Martínez em campo durante os 90 minutos, embora o volante estivesse voltando de lesão e visivelmente cansado durante a maior parte do segundo tempo.
O sem-fim de cruzamentos não levou perigo e reforçou as explicações de por que o Vitória tem o pior ataque do Campeonato Brasileiro. No último lance, com o Rubro-Negro no modo "tudo ou nada", Matheus Pereira matou o jogo em contra-ataque com drible desconcertante em Jamerson.
Jair Ventura em Vitória x Cruzeiro — Foto: Victor Ferreira/ EC Vitória
O desempenho apresentado neste domingo é ainda mais preocupante que o resultado. Para quem naturalizou apostar todas as fichas no Barradão, nem mesmo o estádio tem sido suficiente para carregar o inoperante ataque rubro-negro, uma vez que o time tem tantas derrotas quanto vitórias como mandante no segundo semestre.
Além disso, a defesa, antes o que sustentava do time dentro de casa, foi responsável por sofrer 11 gols em oito jogos no Barradão depois da Copa do Mundo.
O Vitória está na 13ª posição e tem 33 pontos, quatro a mais que o primeiro time da zona de rebaixamento. Se firmar com tranquilidade na distância construída para o Z-4, no entanto, pode ser traiçoeiro diante de um time em grande queda de rendimento.
O próximo compromisso do Vitória também é no Barradão. O Rubro-Negro tem mais de duas semanas para se preparar para receber a lanterna Chapecoense no dia sete de outubro, depois da Data Fifa, pela 29ª rodada do Campeonato Brasileiro.
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