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Friday, November 6, 2026

Alta no preço do diesel tem impacto direto no campo, nas estradas, nas contas públicas e no bolso dos brasileiros

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O óleo diesel é o combustível do campo e o preço está subindo bem na hora de plantar a próxima safra. Além disso, no Rio Grande do Sul, tem produtores com dificuldade para encontrar diesel nas últimas semanas.

"O diesel é um custo extremamente significativo dentro das nossas lavouras. Impacta em frete, impacta na operação do dia a dia. E nos assusta nós termos essa instabilidade de entrega, instabilidade de preço que está totalmente fora da mão do produtor", afirma Fernando Rechsteiner, produtor rural e diretor da Federação de Agricultura do RS.

Da porteira pra fora, o preço dos alimentos depende do destino. O feirante Júlio César Oliveria viaja uma hora até a capital paulista para vender na feira as hortaliças que planta na chácara dele no interior:

"Dá quase R$ 400 por semana a mais. Você tem que aumentar um pouco para o cliente. Aí o cliente sai prejudicado também com esse aumento do diesel".

Nos últimos dois meses, o diesel acumula alta de mais de 6%, segundo a Agência Nacional do Petróleo. O preço médio saiu de R$ 6,88 o litro para R$ 7,31 - mesmo com o subsídio do governo de R$ 2,12 por litro para produtores e importadores do combustível. Subsídio esse que depois vai bater lá nas contas públicas. O custo estimado é de até R$ 10,5 bilhões por mês. O economista e consultor Alexandre Schwartsman diz que a medida aprofunda o déficit fiscal do governo:

"Isso se traduz em um déficit mais elevado. Déficit é, por definição a diferença entre o que você gasta e o que você arrecada. Esse dinheiro tem que vir de algum lugar. Não é, obviamente, tudo devido à subvenção, tem muitas outras coisas, algumas muito maiores do que essa, mas, claramente, a existência de uma subvenção ali a preços de combustíveis, ela, adicionalmente, tem um custo que se traduz na forma de uma evolução mais rápida da dívida do que aconteceria na ausência dessas subvenções".

Alta no preço do diesel tem impacto direto no campo, nas estradas, nas contas públicas e no bolso dos brasileiros — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

A alta do diesel é um problema mundial. Em outubro, a Agência Internacional de Energia alertou para a queda dos estoques e a redução da oferta por causa das guerras na Ucrânia e no Oriente Médio. Vale a regra: menos barris, diesel mais caro. E o Brasil depende da importação, lembra o professor de economia da USP Paulo Feldmann:

"Antes da guerra, principalmente a guerra do Irã, a gente importava sem problema nenhum. E o preço era condizente, não causava nenhuma grande repercussão. Mas agora mudou. O preço do petróleo subiu, o preço do diesel sobe na hora, e o da gasolina também. Isso prejudica demais a economia brasileira e, principalmente, a agricultura".

Os especialistas explicam que a dependência do transporte rodoviário amplia os efeitos da alta do diesel no Brasil. No finalzinho de setembro, a agência do governo federal que regulamenta e fiscaliza os serviços de transporte rodoviário reajustou o preço mínimo do frete, e quando o custo do transporte aumenta, os preços dos produtos e dos serviços também tendem a subir. Está mais caro, por exemplo, fazer mudança. O sócio de transportadora Mateus Carvalho diz que o movimento caiu na empresa dele, principalmente se a casa nova ficar em outra cidade:

"Quando o serviço é, é uma quilometragem menor, a gente prefere até, às vezes, administrar esse custo a mais para não perder. Mas quando a distância é maior, a gente tem que contabilizar, não tem para onde correr".

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