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Friday, November 6, 2026

Vale a pena fazer preço médio com a bolsa em queda? Analistas respondem

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Na semana seguinte à eleição, entre 26 e 30 de outubro, o Ibovespa teve seu pior desempenho semanal em quase sete anos, com queda de 18,12%. O índice foi impactado pela quebra de expectativas com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelas dúvidas dos agentes de mercado em relação à condução da política fiscal e econômica que está por vir.

Em momentos de incerteza, o mercado pode reagir de forma exagerada às expectativas, levando as ações a cair além do que os fundamentos justificariam. Nesse cenário, a desvalorização pode abrir uma oportunidade para reduzir o preço médio, desde que o investidor avalie se a queda decorre de um pessimismo excessivo ou de uma piora real nas perspectivas da empresa.

Na prática, o investidor compra mais de uma ação que já tem depois que ela cai, para reduzir o custo médio de aquisição. É também um momento em que muitos investidores aproveitam para ir às compras em busca de empresas boas que ficaram baratas.

“A ideia de formar preço médio é que, à medida que a ação da empresa cai, cada novo aporte seu é feito a um preço menor. Assim, o seu preço médio ponderado entre todos os aportes naquela empresa tende a diminuir ao longo do tempo, conforme você vai comprando enquanto ela cai”, diz João Daronco, analista da Suno Research.

A ideia é que, com o preço médio menor, o investidor tenha retornos maiores ou recupere mais rápido um prejuízo acumulado. Mas Fabiano Vaz, sócio e analista de ações da Nord Investimentos, ressalta que, mais do que o preço médio, é preciso olhar os fundamentos.

“Os fundamentos e as perspectivas de uma tese devem ser os fatores para qualquer tomada de decisão do investidor, seja qual for a sua estratégia e método de análise. Com base nas análises, o investidor consegue compreender se faz ou não sentido o recuo das ações naquele momento”, explica Vaz.

Formar preço médio é positivo?

Na visão de Daronco, não. “Essa é uma estratégia totalmente errada e embasada em um viés comportamental que acaba destruindo a rentabilidade dos investidores, o viés da ancoragem, tanto para cima quanto para baixo”. Segundo ele, o viés também aparece no sentido oposto, quando o investidor deixa de comprar uma empresa boa que se valorizou para não elevar o preço médio.

O principal risco, de acordo com o especialista da Suno, é quando a ação está perdendo fundamento e o investidor quer formar preço médio. “Algumas vezes, não sempre, as ações caem por um motivo plausível”, diz. Se olhar só o preço médio, o investidor pode acabar comprando mais de uma empresa que está piorando.

Para Vaz, tudo depende. “Movimentos generalizados, como observamos recentemente, podem sim ser boas oportunidades. Contudo, essa decisão deve ser sustentada por análise dos fundamentos e das perspectivas. No longo prazo, as ações seguem os resultados. Empresas que geram valor aos acionistas serão precificadas ao longo do tempo.”

Como analisar se a empresa é boa

Vaz lembra que é difícil prever o curto prazo. “Tentar antecipar eventos ou cenários é bastante arriscado. Por isso, de modo geral, recomendamos fazer as movimentações, compra ou venda, de maneira gradual, aproveitando as oportunidades que o mercado proporciona.”

Para Daronco, o que importa é a geração de caixa futura da empresa. Se ela tende a gerar menos caixa, ou se a taxa de reinvestimento desse caixa vem caindo, o fundamento piora e a ação tende a cair.

“Agora, se há um ruído de mercado impactando aquela ação, e é algo momentâneo, conjuntural e não estrutural, aí sim você pode ter um preço que cai em uma velocidade muito maior do que o fundamento, e isso abre uma oportunidade”, comenta.

Para ele, tudo está relacionado à margem de segurança, que nada mais é do que a diferença entre o preço que você está pagando e o valor intrínseco daquele ativo. “Se essa margem de segurança está crescendo porque o preço está caindo, você deveria comprar mais. Mas o preço médio não tem nada a ver com isso. Basicamente, o preço médio iria ancorar a sua expectativa.”

Daronco ainda destaca que o investidor não deve esperar uma sinalização de recuperação para começar a comprar, já que o mercado pode antecipar esse movimento e encarecer os papéis. “Se você tem convicção de que aquilo é só ruído e não impactou o fundamento, deveria comprar à medida que o seu perfil permitir”, afirma.

Segundo ele, tentar acertar o fundo da bolsa é uma estratégia arriscada, porque o ponto de maior pessimismo, quando as cotações estão mais baixas, só fica claro depois que passa. “A melhor forma é fazer um dollar cost averaging. É muito melhor do que querer acertar o fundo.”

A estratégia consiste em investir valores fixos em intervalos regulares, o que dilui o custo de compra ao longo do tempo. Ou seja, a crítica de Daronco é usar o preço médio como critério de compra, não comprar de forma gradual.

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