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Sunday, October 25, 2026

2º turno: Flávio visita todas as regiões do país; Lula deixa Norte de fora

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Os dois candidatos à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), repetiram a estratégia do primeiro turno e priorizaram a região Sudeste nas três semanas que compuseram o segundo turno das eleições presidenciais.

São Paulo foi novamente a unidade da federação com o maior número de agendas registradas, segundo o levantamento feito pela CNN com base na divulgação das próprias campanhas dos presidenciáveis. A região Sudeste reúne 66,3 milhões de eleitores, cerca de 41,8 % do total do eleitorado brasileiro, enquanto o estado possui 34 milhões de eleitores.

No primeiro turno, que rendeu 47% dos votos válidos para Flávio, ante 45% para Lula, o senador do PL atingiu 51,9% dos votos em SP, enquanto Lula teve 38,2%.

Parte dessa vantagem de Flávio se dá graças à parceria formada com o governador reeleito em primeiro turno, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a forte base montada no Congresso Nacional – formada por 19 das 70 cadeiras para o PL e ambos os senadores ligados ao presidenciável.

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A estratégia de ambas as candidaturas no estado mais relevante para o período eleitoral foi justamente o marco das manifestações da cidade: a Avenida Paulista. Tanto Flávio, quanto Lula, utilizaram do espaço para mobilizar suas bases após o resultado do primeiro turno.

Flávio e Lula reúnem multidões e em busca de demonstrar força política na reta final do 2º turno

A escolha dos locais para os atos de campanha mostra as estratégias de cada campanha na construção de articulações e conquista de votos em estados e cidades determinantes para o desempate em uma disputa acirrada. A avaliação é do cientista político com mestrado pela Universidade de Sorbonne, Gustavo Ribeiro.

"Uma visita serve para mobilizar a máquina local: aliados, cobertura na mídia e sinalização de prioridade. Os candidatos costumam visitar justamente onde a disputa está indefinida, o efeito é difícil de isolar. Minas Gerais ilustra isso. Em 2022, apenas 49,6 mil votos separaram Lula e Bolsonaro no segundo turno no estado, entre mais de 12 milhões de votos válidos. Em disputas tão apertadas, uma agenda bem-sucedida pode fazer diferença na margem, mas nunca é decisiva sozinha", disse.

Estados “ignorados”

Ambos os candidatos priorizaram a Região Sudeste, que concentra os três maiores colégios eleitorais do país (São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro) que somados totalizam 63,3 milhões de eleitores, 39,9% do total no país.

No entanto, apenas Flávio visitou as cinco regiões do país durante a campanha. Lula esteve no Norte nos últimos três meses, no entanto, sob a condição de presidente da República, e não como candidato.

Veja  a distribuição de visitas das agendas dos presidenciáveis durante a campanha:

  • Ambos visitaram: SP, RJ, MG, BA, CE, PE, RN, AL, MA, PA, RS, SC, DF;
  • Apenas Lula: PI e PR;
  • Apenas Flávio: ES, AM, RR, GO, MT;
  • Nenhum: PB, SE, AC, AP, RO, TO, MS.

Juntos, os estados não visitados por nenhum dos candidatos somam 10,6 milhões de eleitores, cerca de 6,6% do eleitorado nacional. Em relação aos grandes colégios eleitorais, como São Paulo e Minas Gerais, o número é mínimo, mas em uma eleição polarizada e que deve ser apertada, de acordo com grande maioria das pesquisas de intenção de voto, 10 milhões de votos pesarão na conta.

Em relação ao resultado do primeiro turno, Flávio levou vantagem em quatro dos sete estados “ignorados”, sendo Acre, Rondônia, Mato Grosso do Sul e Tocantins. Lula foi superior em Paraíba, Sergipe e Amapá – vantagem desta concluída com apenas 225 votos de diferença.

Murilo Borsio Bataglia, professor de Direito da Universidade de Brasília com especialização em Direito Eleitoral, afirma que o Sudeste é a região tida como fundamental nessa disputa, por concentrar a maior parcela do eleitorado brasileiro.

"São Paulo representa cerca de 21%, Minas Gerais 10% e Rio de Janeiro 8% [do eleitorado]. Somados ao Espírito Santo, esses estados fazem da região um território estratégico e potencialmente decisivo para a disputa presidencial. Além do peso numérico do eleitorado, a escolha dos locais de campanha considera a força das bases eleitorais, a possibilidade de conquistar eleitores indecisos, a competitividade da disputa e a capacidade de mobilização política", disse.

Segundo ele, as campanhas também "buscam equilibrar a consolidação de votos já conquistados com a conquista de novos apoios".

Disputas de segundo turno

Lula esteve nos únicos estados em que o PT possui candidatos disputando o segundo turno. Em Natal (RN), o presidente participou de uma caminhada pela capital no dia 10 de outubro ao lado de Cadu de Lula (PT), candidato ao cargo de governador. O petista tenta buscar uma pequena distância de 0,7% frente ao candidato do União Brasil, Alysson Bezerra.

No DF, o cenário para Lula fica mais difícil. Leandro Grass (PT), apoiado pelo presidente, busca reverter quase 15% dos votos em relação à atual governadora Celina Leão (PP). No primeiro turno, apenas 0,07% dos votos impediu Celina de vencer o Palácio do Buriti e evitar um segundo turno.

Apesar disso, Lula permaneceu boa parte dos dias de campanha em Brasília, onde gravou os materiais, participou de caminhadas ao lado do candidato ao governo do DF e assistiu a uma missa em homenagem à Nossa Senhora Aparecida na capela do Palácio da Alvorada.

Para Flávio, apenas uma candidata do PL a governos estaduais terá de enfrentar as urnas novamente no próximo domingo: Professora Maria do Carmo, no Amazonas. A empresária enfrenta o senador e ex-governador do estado, Omar Aziz (PSD). O presidenciável do PL incluiu a capital, Manaus, no chamado “Bloquinho do 22” e discursou em trio elétrico ao lado de apoiadores e lideranças locais.

Agendas de rua

Em relação às manifestações, Lula reformulou a equipe que o acompanharia no segundo turno e escalou lideranças estaduais históricas para garantir o palanque nos estados, e, principalmente, conquistar votos. Rafael Fonteles (PT- PI), Jerônimo Rodrigues (PT-BA) e Elmano de Freitas (PT-CE) – todos governadores reeleitos em primeiro turno – acompanharam o chefe do Executivo federal nos atos, sobretudo no Nordeste.

Já Flávio apostou nos números expressivos justamente no primeiro turno, mas no Legislativo. Teve ao seu lado nomes como Nikolas Ferreira (PL-MG), campeão recordista de votos para a Câmara dos Deputados, e a legião de senadores eleitos pelo Brasil aliados à chapa presidencial.

Na reta final, orquestrou o chamado “Bloquinho do 22”, que consistiu na mobilização em capitais em cima de trios elétricos. Utilizou de músicas novas de campanha e vestimentas próximas às usadas em festas de Carnaval de rua.

Parte das agendas dos presidenciáveis também foi dedicada à preparação para os debates televisionados e gravações de campanha. Com a extensão do horário eleitoral gratuito e a confirmação nos eventos realizados pela Band e Globo, Lula e Flávio se municiaram de reuniões com as coordenações de campanha e marketing eleitoral.

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