Brasil escolhe hoje entre o retorno de um Bolsonaro e o 4º mandato de Lula

Com 45 anos, Flávio é o filho mais velho de Bolsonaro e repetiu ao longo da campanha que, se vencer a eleição, concederá indulto ou graça presidencial a seu pai, que está em prisão domiciliar após ser condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por tentativa de golpe de Estado, para que ele suba a rampa do Palácio do Planalto ao seu lado na posse, marcada para o dia 5 de janeiro de 2027. Em sabatina, Flávio não descartou dar um cargo ao pai caso seja eleito hoje.
Desacreditado por algumas lideranças da própria direita e do centrão quando foi escolhido por Bolsonaro para representá-lo nas urnas, no fim de 2025, Flávio se consolidou como principal oponente de Lula ao longo deste ano se apresentando como um bolsonarista mais moderado do que o pai e os irmãos, um discurso de endurecimento da política de segurança pública, como redução da maioridade penal e castração química a estupradores, e explorando os aumentos do custo de vida e de endividamento das famílias nos últimos anos.
Ao longo da campanha, Flávio conseguiu minimizar os impactos das acusações de envolvimento no escândalo do Banco Master, após a revelação de que havia pedido —e obtido— um financiamento milionário do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao filme "Dark Horse", sobre a vida de seu pai, e de lavagem de dinheiro junto com o advogado Willer Tomaz, de quem é amigo e suposto sócio, o que ele nega. Nos dois casos o senador é alvo de investigação em inquéritos da PF que tramitam no Supremo.
No primeiro turno, o PL de Flávio Bolsonaro elegeu as maiores bancadas na Câmara dos Deputados (121 parlamentares) e no Senado (19 eleitos e 28 senadores ao todo). Com as adesões de cinco partidos e federações no segundo turno, o senador pode formar uma ampla base de apoio para aprovar projetos do seu interesse em um eventual governo. Essa pretensa governabilidade também foi usada como trunfo eleitoral no embate contra Lula.
Quarto mandato de Lula
Aos 80 anos, o presidente Lula explorou ao longo da campanha a experiência de três governos, indicadores positivos de emprego, e um vasto pacote de bondades no período eleitoral, como reajuste no Bolsa Família, perdão de dívidas para MEIs e proibição das bets, em busca da reeleição. Caso vença hoje, o petista chegará ao quarto mandato presidencial, o que pode levá-lo a comandar o país por 16 anos —ele ficaria apenas atrás de Getúlio Vargas, que acumulou 18 anos na Presidência da República.
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