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Monday, September 14, 2026

Etiópia recebe primeiro escritório africano da ApexBrasil

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Na última sexta-feira (11), começou 2019 na Etiópia. Em 11 de setembro, etíopes comemoraram o Enkutatash, seu Ano-Novo. País de antiga tradição cristã, que remonta ao Reino de Axum no século 4, nunca colonizado apesar das duas tentativas italianas, uma no século 19 e outra de Mussolini, o calendário etíope tem 13 meses, 12 deles com 30 dias e um último, com 5 ou 6. A diferença em relação ao calendário gregoriano, por nós utilizado, vem de cálculo da cronologia cristã. A vida cotidiana segue o calendário etíope, o ciclo diário começa ao amanhecer, não à meia noite, o amárico, língua de trabalho do governo em um país multilíngue, é escrito no fidel etíope, sistema de escrita derivado do ge'ez.

Ao fim da estação das chuvas, Adis Abeba fica verde e as flores amarelas, conhecidas como adey abeba, anunciam a chegada do Enkutatash e de um novo ciclo. No último dia 2, a ApexBrasil inaugurou em Adis Abeba seu primeiro escritório permanente no continente africano, destinado a ampliar comércio e investimentos e aproximar empresas brasileiras de mercados africanos. Desde 2024, a Etiópia também integra o Brics, do qual Brasil e outros dez países fazem parte. É o segundo país mais populoso da África, atrás apenas da Nigéria, com cerca de 130 milhões de habitantes.

Adis é sede da União Africana, a Etiópia, símbolo de autonomia e resistência. Em 1896, em plena partilha colonial da África por países europeus, tropas etíopes derrotaram o Exército italiano na Batalha de Adwa. A vitória garantiu a soberania do país e mostrou a quem seguia submetido à dominação que os colonizadores podiam ser derrotados por um exército africano.

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Quarenta anos depois, a Itália fascista invadiu e ocupou a Etiópia, entre 1936 e 1941, e mais uma vez foi derrotada e expulsa pelos etíopes. A Organização da Unidade Africana, antecessora da atual União Africana, foi fundada em Adis Abeba, em 1963. Para diferentes gerações do movimento pan-africanista e da diáspora negra, a Etiópia, mesmo com sua desigualdade, conflitos internos e contradições, é a possibilidade concreta de soberania africana em um mundo organizado pela supremacia branca do Norte global.

Oxalá o primeiro escritório africano da ApexBrasil faça mais do que abrir mercado para empresas brasileiras. Há uma oportunidade de construir relações econômicas que não reproduzam a velha ideia de que a África está disponível para a extração de riquezas ou que é apenas mercado a ser conquistado. Cooperação Sul-Sul precisa de circulação de conhecimento e reconhecimento, além de reciprocidade.

Se não há apenas um calendário ou única forma humana de contar a passagem do tempo, não existe também uma única medida para definir desenvolvimento ou, como diria Nego Bispo, envolvimento. Retomemos as lições da professora Zélia Amador de Deus, que morreu na última terça-feira (8), aos 76 anos, bem homenageada nesta Folha na coluna de Djamila Ribeiro e no obituário escrito por Jefferson Barbosa.

Professora emérita da Universidade Federal do Pará, uma das fundadoras do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará, o Cedenpa, ao lado de Nilma Bentes, Zélia dedicou mais de cinco décadas à educação, à cultura, à defesa das comunidades quilombolas, das ações afirmativas e dos direitos da população negra.

Apesar da saudade, que 2019 seja um ano bom.

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