InquirerLTFRB summons bus operator over fatal Manila crashESPN DeportesChivas manda mensaje rumbo al Clásico tras golear a PumasESPNBallmer to comply with NBA's penalties, won't seek legal actionDaily MaverickSaudi Civil Defense lifts warnings of potential danger in four citiesThe Jerusalem PostTrump dismisses report China entities helped Iran before attack that killed US troopsThe Hollywood ReporterZack Snyder’s ‘The Last Photograph’: First ReactionsCNN TürkHava Durumu (14-09-2026)SözcüÇeşme veya Antalya değil: Türkiye'nin balayı rotası değiştiWirtualna PolskaSondażowa dominacja Le Pen. Liderka skrajnej prawicy mknie do II turyNew Straits TimesFederal govt allocates rm1.46 bln for eight flood mitigation projects in MelakaEl ComercioTemblor en México EN VIVO hoy, 13 de septiembre 2026: hora exacta, magnitud y dónde fue el epicentro del último sismo vía SSNRapplerLIVE UPDATES: First BARMM parliamentary elections
The Daily Newsstand · Free, Always
Monday, September 14, 2026

Impeachment de juízes de supremas cortes é raridade em democracias pelo mundo

Translate

A crise vivida pelo STF (Supremo Tribunal Federal), desencadeada pelas suspeitas sobre Alexandre de Moraes no caso do Banco Master, tem levantado novamente a discussão sobre a abertura de um processo de impeachment no Senado contra o ministro.

Se levada a cabo, a remoção de Moraes seria inédita na história do Brasil e colocaria o STF em uma seleta lista de cortes supremas ao redor do mundo que viram um de seus membros ser defenestrado em contexto de normalidade democrática neste século.

Muito mais comuns são casos de países em erosão democrática nos quais juízes são punidos por decisões que desagradaram partidos no poder ou são feitas reformas judiciais que permitem a nomeação de magistrados sem independência. Isso ocorreu, por exemplo, na Hungria, em 2012; na Venezuela e na Polônia, em 2015; na Turquia, em 2016; e em El Salvador, em 2021.

Em outros contextos, a destituição de juízes ou a realização de reformas amplas em cortes superiores partiram de uma disputa política entre a cúpula do Judiciário e o Legislativo —como no Paquistão, em 2007, em Honduras, em 2012, e no Peru, em 2022.

Há poucos paralelos com a situação atual do STF, em que o impeachment de ministros é discutido após revelações de corrupção. Um dos mais semelhantes é o ocorrido no Chile em 2024, quando a Corte Suprema do Chile destituiu a magistrada Ángela Vivanco, implicada em um escândalo de tráfico de influência depois que a imprensa revelou conversas que mantinha com um advogado que buscava benefícios do tribunal.

Ainda na América Latina, a Argentina, no início dos anos 2000, viu os magistrados Eduardo Moliné O'Connor e Antonio Boggiano serem removidos em votação no Senado depois da revelação do chamado caso Meller.

Moliné e Boggiano votaram para validar uma dívida milionária e fraudulenta que o Estado deveria pagar à empresa Meller, contratada para elaborar e imprimir listas telefônicas. Os senadores entenderam que os dois ignoraram indícios de fraude e agiram para favorecer a firma. Moliné foi retirado do cargo em 2003, e Boggiano, em 2005.

Há casos parecidos nas Filipinas, em 2012, quando o presidente do tribunal constitucional sofreu impeachment no Legislativo por ocultar bens; na África do Sul, em 2024, quando um juiz foi destituído pelo Parlamento após uma investigação apontar que tentou influenciar decisões de outras cortes; e em Gana, em 2025, quando a presidente do Supremo Tribunal do país foi acusada de usar verbas públicas para financiar viagens de familiares. Ela foi afastada por uma comissão especial do Judiciário.

Mesmo nesses processos, entretanto, especialistas ressaltam que o componente político é inescapável. "É uma questão muito delicada nas democracias contemporâneas e um paradoxo que surgiu no século 21", afirma Cássio Casagrande, cientista político e professor de direito da UFF (Universidade Federal Fluminense). "O enorme protagonismo que o Judiciário vem ganhando, não só no Brasil, tem gerado preocupação com o excesso de poder."

Segundo ele, esse empoderamento cria "problemas políticos". "É preciso haver um controle. Entretanto, a pretexto de combater um abuso de poder, pode haver por trás uma intenção de acabar com a independência do Judiciário."

No Brasil, a ditadura militar aposentou três integrantes do Supremo em 1969. Para Emilio Meyer, professor de direito constitucional da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), o menor número de remoções em regimes democráticos se explica pela "maior transparência da função, que evita a perda do cargo".

Além disso, "a responsabilização não tem a ver com o exercício da função", como nos casos de disputa com o Legislativo, "mas com a falta de requisitos éticos básicos" para ocupar o cargo, afirma. "Na Argentina, os juízes foram responsabilizados em processos políticos porque favoreceram uma empresa."

Ao mesmo tempo, havia interesse do governo Néstor Kirchner nesses impeachments. "O presidente queria se desfazer do que chamava de 'maioria automática' no Supremo", lembra o professor da UFMG.

Kirchner acusava os juízes, indicados por seu predecessor, Carlos Menem, de agir politicamente.

Meyer afirma que sempre haverá críticas quando o controle de juízes de altas cortes é feito apenas pelo Legislativo. Ainda assim, esses casos mostram que "é possível haver responsabilização quando o juiz deixa de cumprir as obrigações éticas do cargo".

Se o impeachment no Legislativo levanta o espectro da interferência política, a remoção por meio de processo interno, por outro lado, esbarra no corporativismo. "Tudo depende do grau de independência institucional", afirma Meyer. "A corte é capaz de verificar que há desvios? Se não é, precisa desenvolver boas práticas que levem a maior accountability [prestação de contas]."

FolhaJus

A newsletter sobre o mundo jurídico exclusiva para assinantes da Folha

Para Casagrande, da UFF, parte da crise atual do Supremo vem justamente de um excesso de poder. "Isso faz mal à instituição. A solução não é criar formas de controle, porque elas já existem —a solução é reduzir o poder do STF", afirma.

"Por que a política invadiu o Supremo? Porque, com o foro privilegiado, todos os casos contra políticos são julgados no Supremo. Se são processos criminais, não deveriam ser julgados por uma corte constitucional. Nos Estados Unidos, por exemplo, políticos são julgados a partir da primeira instância, e não vemos esse tipo de luta intestina, de um ministro investigando o outro, na Suprema Corte americana —que tem vários problemas, mas esse não é um deles."

Já Meyer, da UFMG, diz que a origem da crise sem precedentes está na atuação individual de ministros. "A ausência de um código de ética, de adesão às regras da Lei Orgânica da Magistratura, mostra que esses preceitos não se institucionalizaram no nosso STF."

View the original on UOL

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.