Trippie Redd critica gravadoras e novos rappers: ‘A indústria está estranha’

Em stories no Instagram, o rapper afirma que a indústria promove artistas de ‘baixo potencial’ como grandes estrelas e pede desculpas por contribuir para o que chama de música descartável
Kadu Soares (@kadusoares__)
Trippie Redd recorreu às redes sociais no último sábado, 26, para criticar a indústria fonográfica atual e o que considera falta de individualidade entre os novos rappers. Em um stories no Instagram, o artista de Canton, Ohio, afirmou que as gravadoras estão contratando “artistas com teto baixo” e tentando apresentá-los ao público como se tivessem o mesmo alcance de Lil Uzi Vert, Juice WRLD, XXXTentacion ou dele próprio. “Mas não funciona porque nenhum desses novos artistas é o Uzi, o Juice, o X ou eu”, escreveu. “Todos esses artistas que citei têm músicas reais e incríveis, que podem ser ouvidas por todos — não apenas por crianças”.
Trippie Redd shares his thoughts on why we don’t see breakout superstars like XXXTENTACION & Juice WRLD anymore 💭
“Labels are signing 💩🍑 artists with a small ceiling and giving them a push like they are a Uzi, but it doesn’t work because none of these new artists are Uzi or… pic.twitter.com/05j9UZlXvX
— Kurrco (@Kurrco) September 26, 2026
O rapper também fez uma autocrítica na publicação. “A indústria está estranha agora. É um bando de imitadores fazendo a mesma música. Eu realmente peço desculpas por ter contribuído para essa música descartável e alternativa”, admitiu. Ainda assim, fez questão de diferenciar o trabalho dele e de seus contemporâneos da época do SoundCloud do que é produzido atualmente. “A gente pode ter parecido igual, mas a música não é a mesma. Você não consegue me mostrar uma ‘F*ck Love’ ou uma ‘Taking a Walk’ de nenhum desses novos caras. É tudo balada de pagode, bebida, comprimidos, sem significado”.
A crítica de Trippie não é nova. Ela segue uma linha de argumentação que o artista já havia apresentado no ano passado, durante uma transmissão ao vivo, quando afirmou que as gravadoras tentavam recriar a época do rap dos anos 2010 sem compreender a origem daquele som. “Vocês não sabem nada sobre isso”, disse na ocasião, citando Playboi Carti, Lil Yachty e Uno the Activist como verdadeiros pioneiros do subgênero. “Vocês não são dessa época. E, especialmente, porque os caras que vocês tanto amam gostam das coisas de antigamente e estão tentando recriar e refazer o clima”. Antes dele, Lil Pump havia feito uma declaração semelhante em fevereiro daquele ano, apontando Lil Uzi Vert como precursor do movimento.
Para ele, o que tornou aquela geração especial não foi a estética, mas as músicas — composições carregadas de emoção e capazes de alcançar públicos diversos. “F*ck Love”, parceria com XXXTentacion lançada em 2016, acumula mais de 1,4 bilhão de reproduções no Spotify e se tornou uma das canções que definiram uma geração. “Taking a Walk”, de 2022, também é citada como exemplo de faixa capaz de ultrapassar os limites do nicho. A crítica implícita é que o rap do SoundCloud tinha uma autenticidade emocional impossível de fabricar — e que copiar sua aparência sem reproduzir sua essência resulta justamente no que o rapper chama de “imitadores”.
O comentário surge em meio ao debate crescente no rap norte-americano sobre a homogeneização do gênero e o papel das plataformas digitais na valorização de músicas de impacto imediato, em detrimento de projetos mais duradouros. Trippie Redd está longe de ser a única voz a levantar essa questão, mas é uma das mais inesperadas, já que ele próprio é apontado como integrante da geração que popularizou o som que agora critica.
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Kadu Soares é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, possui um perfil no TikTok e um blog no Substack, onde faz reviews de projetos musicais.
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