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Monday, October 26, 2026

Bolsonaro não aceita derrota e pede anulação das eleições

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Nos próximos minutos passamos em revista os destaques da imprensa nacional e internacional com a ajuda do Ricardo Lopes. Bom dia, Ricardo.

Bom dia, Miguel.

Começamos pela imprensa nacional, a folhear o Jornal de Notícias. Olhamos para a sétima página, que dá conta de uma quebra significativa no investimento do governo na habitação. O investimento executivo no setor vai cair para o ano, Ricardo, mais de 60%.

Sim, segundo o Jornal de Notícias, o executivo prevê investir cerca de 6,5 mil milhões de euros em habitação até o final do ano que vem, mas a maior parte dessa verba está concentrada em 2026. Para o próximo ano, o investimento deverá cair de 2.514 milhões para 919 milhões de euros, uma redução de 63,5%. O texto do Jornal de Notícias explica que esta quebra está relacionada com o fim do Plano de Recuperação e Resiliência. Sabemos que o PRR tem financiado grande parte dos projetos habitacionais. A notícia destaca ainda que esta redução pode comprometer a construção e reabilitação de casas, sobretudo nos programas de habitação acessível. Há também críticas da oposição, nomeadamente do Partido Socialista, que acusa o governo de reduzir o investimento público numa altura em que o país enfrenta uma grave crise habitacional.

Agora olhamos para o jornal Público, que destaca esta manhã uma iniciativa para atrair jovens médicos para o interior do país.

E garante que vir para aqui não é vir para o fim do mundo. É o título desta reportagem, que quer mostrar que o Alto Alentejo pode ser uma boa região para futuros médicos, uma região onde cerca de 22 mil utentes não têm médico de família. A Unidade Local de Saúde do Alto Alentejo e várias autarquias organizaram uma visita para dar a conhecer o território a estudantes de medicina, uma iniciativa que pretende combater a dificuldade que é fixar profissionais de saúde na região, que conta, por exemplo, aos dias de hoje, com cerca de 1700 profissionais de saúde, mas enfrenta o desafio de reter mais médicos. São agora apenas 311. O Público destaca algumas das propostas para tornar a região mais atrativa. As autarquias procuram também apresentar soluções de habitação, por exemplo, e apoios à instalação dos profissionais. A reportagem dá também voz aos próprios estudantes, que reconhecem as dificuldades de trabalhar longe dos grandes centros urbanos, mas olham também, Miguel, para a qualidade de vida e a proximidade com os doentes como possíveis vantagens.

Vamos ainda ao Correio da Manhã, que destaca um esquema que terá desviado cerca de 10 milhões de euros de fundos europeus. O dinheiro era utilizado, Ricardo, na compra de carros de luxo.

Sim, segundo o jornal, o Departamento Central de Investigação e Ação Penal está já a concluir uma investigação a suspeitas de desvios e branqueamento de fundos comunitários. O dinheiro, que devia financiar projetos de tratamento de resíduos hospitalares, terá sido utilizado para comprar carros de luxo na Alemanha, posteriormente revendidos em Portugal. Falamos de veículos de marcas como Ferrari, Porsche, BMW. O Correio da Manhã revela que entre 2014 e 2016 foram importados 38 carros, dos quais 32 acabaram registados em nome dos arguidos ou de pessoas da confiança dos mesmos. Este é um processo grande e complexo, conta já com 103 arguidos. Está em investigação desde 2014, ou seja, há cerca de 12 anos. Segundo a Procuradoria-Geral da República, o inquérito está agora finalmente na fase final e deve ser encerrado nos próximos meses. Entre os arguidos, está o antigo chefe do gabinete do Secretário de Estado da Proteção Civil e também, Miguel, um ex-presidente do Serviço de Utilização Comum dos Hospitais.

Vamos agora, inevitavelmente, falar sobre o Brasil e começamos por olhar para a Folha de São Paulo. O jornal brasileiro destaca a reação de Flávio Bolsonaro à derrota eleitoral. O candidato da direita diz que houve sacanagem. Flávio Bolsonaro afirma ser impossível reconhecer os resultados de ontem.

E garante, Miguel, que vai pedir anulação das eleições. Em causa está a decisão do Supremo Tribunal Federal de prolongar a votação por mais duas horas, isto devido a dificuldades sentidas por alguns eleitores para chegarem às mesas de voto. Uma decisão que gerou polêmica, até porque algumas mesas de voto já tinham sido encerradas quando foi anunciada esta decisão. Há uma acusação muito concreta de Flávio Bolsonaro ao Supremo. O candidato derrotado critica o juiz Cristiano Zani, que é também antigo advogado de Lula da Silva, por ter mudado as regras eleitorais a meio da votação. Nas palavras de Flávio Bolsonaro, foi uma decisão tomada a pedido de um ex-sócio do próprio juiz. É o que diz este candidato derrotado. Flávio Bolsonaro argumenta que nunca saberá quantos votos poderia ter recebido nos estados onde as urnas não foram reabertas. Não houve essa possibilidade. Mas há também um pormenor interessante que este artigo da Folha recupera. A própria campanha de Flávio Bolsonaro pediu um prolongamento da votação em algumas regiões onde as fortes chuvas dificultaram a deslocação dos eleitores.

E Lula da Silva foi reeleito para um quarto mandato como presidente do Brasil. Fechamos no jornal Diário da Sérvia, o Danas. Isto porque uma lista apoiada por estudantes venceu as eleições legislativas de ontem e conseguiu pôr um ponto final a 14 anos do domínio do Partido Progressista Sérvio.

Sim, e liderado neste momento por Aleksandar Vucic, que já reconheceu a derrota eleitoral. Vucic tinha renunciado à Presidência da República, fê-lo em setembro para se candidatar a primeiro-ministro. Uma jogada que não correu muito bem, acabou derrotado nas urnas. Os resultados divulgados mostram que esta lista dos estudantes conquistou cerca de 52% dos votos, contra aproximadamente 40 da coligação liderada por Vucic. Ainda não é totalmente certo, isto porque pode haver alguns acordos entre partidos, mas as projeções apontam mesmo para uma maioria parlamentar dos estudantes, com cerca de 135 a 140 dos 250 lugares do Parlamento. Há aqui um contexto importante para percebermos como surgiu este movimento. De forma rápida, a lista dos estudantes nasceu de protestos que começaram há dois anos, protestos esses que desde então os estudantes lideraram várias manifestações contra a corrupção e contra o governo, até darem o salto e tomarem esta decisão de apresentar uma candidatura às eleições. O movimento, que adota o lema "Sérvia ou Máfia", promete agora reformar as instituições e recuperar a confiança dos cidadãos no Estado.

E é com esta história muito interessante na Sérvia que fechamos a conferência de imprensa hoje com o Ricardo Lopes.

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