Suzano: Queda no lucro não reflete necessariamente uma piora estrutural
A Suzano divulgou, nesta quarta-feira (12), os resultados do segundo trimestre de 2026, registrando lucro líquido de R$ 1,8 bilhão — uma queda de 64% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando a companhia havia apurado lucro de R$ 5,01 bilhões.
A receita líquida somou R$ 11,5 bilhões, recuo de 13% na comparação anual.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado atingiu R$ 4,7 bilhões, representando uma queda de 23% em um ano. As vendas de celulose recuaram 11%, enquanto as vendas de papel caíram 1%. Ao fim do trimestre, a dívida líquida da Suzano era de US$ 12,8 bilhões.
Em entrevista ao CNN Money, Marcos Assumpção, CFO da Suzano, avaliou que a queda no lucro não reflete necessariamente uma piora estrutural da companhia. Segundo ele, o resultado operacional veio sólido, com volumes crescendo tanto no segmento de papel quanto no de celulose.
"O lucro é muito impactado pelo resultado financeiro, que por sua vez acaba sendo impactado pela variação monetária e cambial sobre a dívida", explicou.
Ele destacou que, no ano passado, o lucro elevado foi em grande parte resultado de efeitos cambiais que não geraram caixa efetivo para a empresa.
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Para Assumpção, a métrica mais relevante para avaliar o desempenho da Suzano no longo prazo é o Ebitda e, sobretudo, a geração de caixa livre. Nesse sentido, ele ressaltou que o fluxo de caixa livre subiu 27% no segundo trimestre de 2026, mesmo com o número menor.
A explicação está em um Capex reduzido em relação ao ano anterior, em esforços de liberação de capital de giro — com redução de estoques e de contas a receber — e na venda de ativos não estratégicos, como pequenas propriedades de terra convertidas para uso industrial, comercial ou residencial.
Paradas para manutenção reduziram volume de celulose
A queda nas vendas de celulose foi atribuída à concentração de paradas programadas para manutenção nas fábricas da companhia durante o trimestre.
"Praticamente metade das nossas fábricas esteve parada no segundo trimestre, reduzindo a nossa produção e gerando menos volume de venda disponível para os mercados", afirmou Assumpção.
Apesar do menor volume, os estoques foram mantidos em níveis equilibrados e a companhia aproveitou a melhora dos preços ao longo dos meses de abril, maio e junho, especialmente na Europa e nos Estados Unidos.
Joint venture Arbex promete diversificação e estabilidade
Um dos destaques prospectivos da entrevista foi a joint venture firmada com a Kimberly-Clark, concluída em 1º de julho de 2026 e, portanto, ainda sem impacto nos resultados do segundo trimestre.
A operação deu origem à empresa Arbex, com receita estimada em US$ 3,5 bilhões e Ebitda projetado em aproximadamente US$ 500 milhões. "Ela traz uma estabilidade importante para os resultados da empresa e uma diversificação de receita geográfica", afirmou Assumpção.
Segundo Assumpção, a Arbex possui resultado menos volátil do que o negócio de celulose e conta com presença relevante na Europa, América Latina, América Central e Ásia. Atualmente, as vendas da Suzano estão concentradas majoritariamente na Ásia, seguidas por Europa e Estados Unidos.
A partir do terceiro trimestre de 2026, os resultados da Arbex passarão a ser consolidados nas demonstrações financeiras da Suzano, ampliando a diversificação geográfica das receitas da companhia.
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