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Friday, October 9, 2026

O único cantor que os Beatles consideravam um ‘Deus’, segundo John Lennon

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Vocalista dos Fab Four destacou o impacto de um ícone do rock em uma entrevista pouco antes de sua morte

Giovana Laurelli (@gii_laurelli)

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Conhecidos por instrumentais revolucionários, psicodelia e liricismo do mais alto grau de poesia, se tem um apecto pelo qual os Beatles não são necessariamente conhecidos é sua presença de palco. Claro, os Fab Four arrastavam multidões e se portavam com tranquilidade, porém enquanto tantos outros artistas que moldaram o mundo da música dependeram de sua presença de palco eletrizante para chamar a atenção, os Beatles sempre foram comparativamente reservados nesse aspecto. Eles podem ter balançado a cabeça de um lado para o outro nos primeiros anos, e podem ter se vestido de forma extravagante durante a era do Sgt. Pepper’s, mas sempre foram absolutamente britânicos e soturnos.

A diferença entre eles e outros artistas do rock era que muitos outros tinham uma presença física muito mais marcante no palco. Por exemplo, Little Richard fazia questão de ser tão espetacular quanto talentoso vocalmente, e da mesma forma, Elvis Presley tinha seus movimentos característicos que o destacavam, mesmo que John Lennon acreditasse que sua banda aterrorizava o Rei.

Em uma entrevista concedida pouco antes de sua morte, em 1980 (via Far Out), Lennon não escondeu o quanto os Beatles reverenciavam (e desejavam superar) Presley, e que muitos dos outros artistas britânicos, com suas produções mais contidas e focadas em canções, representavam algo que poderia derrubar sua abordagem constantemente emocionante de se apresentar ao vivo.

“Para nós, Elvis era um deus”, admitiu Lennon. “Gostaríamos de bater o recorde dele e nos tornar campeões, mas sempre daríamos o devido crédito a Elvis”, disse ele, reconhecendo a importância que Presley sempre teve para eles. Embora o Beatle acreditasse que, do ponto de vista musical, o Rei do Rock não podia fazer nada para combater a ascensão dos Fab Four, ele reconheceu que Presley tinha um talento especial para o movimento que nenhum outro ícone do rock and roll era capaz de replicar, mesmo que se esforçassem ao máximo para imitá-lo.

“Sempre me dói e me enfurece quando Mick Jagger menospreza Elvis”, disse Lennon sobre a aversão do vocalista dos Rolling Stones à arte de Presley. “Talvez ele tenha inveja porque Elvis foi o primeiro cara do corpo no rock, e é algo muito próximo da área de atuação de Mick para ele admitir que os movimentos de Elvis eram pelo menos tão bons quanto os dele, e que talvez Elvis cantasse muito melhor do que ele.”

A citação talvez fosse mais uma alfinetada no próprio rival de Lennon do que um elogio direto a Presley, mas é evidente que Lennon admirava muito o que o Rei do Rock and Roll tinha a oferecer, principalmente pela sua capacidade de se movimentar com mais liberdade e de forma mais empolgante do que qualquer outro.

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Giovana Laurelli (@gii_laurelli)

Jornalista em formação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Giovana é apaixonada por música, filmes e a intersecção entre cultura e política. Já foi bailarina e canta em bandas de soul, rock e pop desde a pré-adolescência. Atuou como editora de Cultura e Entretenimento no Jornal Contraponto, veículo laboratorial impresso da PUC-SP. Na Rolling Stone, escreve sobre música, cinema e cultura pop.

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