Reforma tributária vira principal preocupação dos executivos brasileiros, aponta EY
Pesquisa da EY com 214 líderes empresariais no Brasil mostra que 38% veem as mudanças tributárias como principal desafio externo para os próximos três anos; IA, produtividade e transformação digital também estão no radar

Publicado em 20 de setembro de 2026 às 08:00.
RESUMO | A reforma tributária é a principal preocupação de 38% dos executivos brasileiros para os próximos três anos, segundo pesquisa da EY com 214 líderes no país. O levantamento também aponta foco em eficiência operacional, transformação digital e inteligência artificial, enquanto Leonardo Donato, da EY, alerta para impactos em preços, contratos, capital de giro e sistemas.
A reforma tributária se tornou a principal preocupação dos executivos brasileiros para os próximos três anos. O tema foi citado por 38% dos líderes ouvidos em uma pesquisa da EY, à frente de questões como cenário econômico, mudanças no comportamento dos consumidores e aumento da concorrência.
O levantamento ouviu 1.988 líderes empresariais em 18 países, dos quais 214 no Brasil, e traça um retrato das prioridades das companhias latino-americanas para os próximos anos.
Entre os executivos brasileiros, depois da reforma tributária aparecem o cenário econômico global (27%), mudanças na demanda, nas preferências e no comportamento dos clientes (27%), riscos específicos de cada setor (27%) e cenário econômico local (26%).
A entrada de novos concorrentes e produtos substitutos, tanto globais quanto locais, foi mencionada por 25% dos entrevistados. A incerteza política local aparece com 22%. Para Leonardo Donato, líder de Clientes e Indústrias da EY na América Latina, o resultado mostra que a reforma deixou de ser uma discussão restrita à área fiscal e passou a ocupar espaço na estratégia das empresas.
A transição para o novo sistema, que começou em 2026 com a implementação de CBS e IBS, exige mudanças que passam por áreas como Finanças, Comercial, Compras, Jurídico e Tecnologia — e podem afetar de preços e contratos ao capital de giro e aos sistemas de gestão. “A reforma afeta todas as empresas, mas seus impactos não serão iguais. O risco está em tratá-la apenas como uma obrigação fiscal, sem avaliar as consequências sobre precificação, contratos, créditos tributários, capital de giro, dados e arquitetura de ERP”, afirma Donato. Segundo ele, as empresas que anteciparem essas decisões terão mais condições de proteger margens e transformar a adaptação regulatória em vantagem competitiva.
Reforma tributária supera preocupação com novos concorrentes
O resultado aponta para uma agenda empresarial fortemente concentrada na adaptação regulatória, econômica e operacional. Um dado chama atenção: a reforma tributária aparece 13 pontos percentuais à frente da entrada de novos concorrentes e substitutos, citada por 25% dos executivos.
Para Donato, o risco é que o esforço necessário para adaptar as organizações às novas regras acabe desviando atenção de mudanças que também podem alterar a posição competitiva das empresas. “Embora a reforma afete todas as empresas, seus impactos serão diferentes de acordo com o setor, a cadeia de valor e a capacidade de execução de cada organização. O risco está em concentrar energia excessiva na adaptação interna e perder de vista as mudanças no comportamento dos clientes, na demanda e no ambiente competitivo”, diz.
Dentro das empresas, a prioridade também está na busca por eficiência. Melhorias operacionais, produtividade e custos lideram as preocupações dos executivos brasileiros, com 35%. Na sequência aparecem crescimento da participação de mercado (31%), tecnologia e transformação digital (29%), estratégia e transformação dos negócios (25%) e liquidez, gestão financeira e controles internos (19%).
Na avaliação de Donato, o desafio é impedir que a agenda de adequação consuma os recursos necessários para o crescimento e a diferenciação. “Eficiência e crescimento não podem ser tratados como agendas concorrentes. O foco deve migrar para a produtividade estrutural, com simplificação de processos, automação, integração de dados, gestão de fornecedores e realocação de recursos para ofertas e canais de maior retorno”, afirma.
Tecnologia, dados e resiliência entram na agenda
A busca por produtividade também aparece entre as tendências globais consideradas mais relevantes pelos executivos brasileiros para os próximos três anos. Inovação, produtividade impulsionada pela tecnologia e aceleração da transformação digital aparecem empatadas na liderança, com 86% das menções cada. Cibersegurança e proteção de dados vêm em seguida, com 79%, mesmo percentual registrado pela percepção dos dados como um ativo transversal às organizações. A adaptação a novas regulamentações é citada por 75%.
A digitalização, porém, traz uma segunda frente de preocupação: quanto maior a dependência de dados, plataformas e fornecedores de tecnologia, maior a exposição a riscos operacionais e cibernéticos. “Resiliência precisa ser mensurável. Planos de resposta e recuperação testados, gestão estruturada de terceiros críticos, redundância seletiva e indicadores acompanhados pelo conselho são elementos fundamentais para garantir que a transformação digital não crie novos pontos de fragilidade”, diz Donato.
IA lidera entre tecnologias, mas adoção ainda é fragmentada
Entre as tecnologias consideradas disruptivas, a inteligência artificial avançada e os sistemas autônomos aparecem no topo das expectativas dos executivos brasileiros, com 89% das menções. Análise de dados e Big Data e infraestrutura digital e edge computing aparecem na sequência, ambas com 79%. Cibersegurança avançada e identidade digital são mencionadas por 71%.
Segundo a pesquisa, 31% dos executivos brasileiros afirmam que suas empresas já implementaram IA em áreas específicas do negócio. Outros 28% ainda realizam projetos-piloto ou experimentos iniciais, enquanto 21% estão nas primeiras etapas de pesquisa e avaliação.
Para Donato, o desafio agora não é mais experimentar a tecnologia, mas conseguir incorporá-la às operações e gerar retorno. “Escalar IA exige muito mais do que tecnologia. Depende de dados confiáveis, integração aos fluxos de trabalho, capacitação das equipes, definição clara de responsabilidades e governança adequada”, afirma.
Na avaliação do executivo, as companhias terão de selecionar os casos de uso com maior potencial de retorno e acompanhar indicadores de adoção, produtividade, qualidade e risco. “A vantagem competitiva não estará apenas na adoção da tecnologia, mas em incorporá-la ao modelo operacional com velocidade, governança e resultados mensuráveis”, diz Donato.
Qual é a principal preocupação dos executivos brasileiros para os próximos três anos?
A reforma tributária lidera as preocupações, citada por 38% dos executivos brasileiros ouvidos pela EY. O tema aparece à frente do cenário econômico global, das mudanças no comportamento dos clientes e dos riscos específicos de cada setor, todos com 27%.
Quando começou a transição para o novo sistema tributário?
A transição começou em 2026, com a implementação da CBS e do IBS. Segundo Leonardo Donato, líder de Clientes e Indústrias da EY na América Latina, as mudanças podem afetar preços, contratos, créditos tributários, capital de giro, dados e sistemas de gestão.
Quais são as principais prioridades internas das empresas brasileiras?
Melhorias operacionais, produtividade e custos lideram as prioridades, com 35%, segundo a pesquisa da EY. Também aparecem crescimento da participação de mercado, com 31%, tecnologia e transformação digital, com 29%, e estratégia e transformação dos negócios, com 25%.
Quais tendências globais são mais relevantes para os executivos brasileiros?
Inovação, produtividade impulsionada pela tecnologia e aceleração da transformação digital lideram, cada uma com 86% das menções, segundo o levantamento da EY. Cibersegurança, proteção de dados e a percepção dos dados como ativo transversal aparecem com 79%.
Em que estágio está a adoção de inteligência artificial nas empresas brasileiras?
Segundo a pesquisa da EY, 31% dos executivos afirmam que suas empresas já adotaram inteligência artificial em áreas específicas. Outros 28% realizam projetos-piloto ou experimentos iniciais, enquanto 21% estão nas primeiras etapas de pesquisa e avaliação.
O que as empresas precisam para ampliar o uso de inteligência artificial?
As empresas precisam integrar a inteligência artificial às operações para obter retorno, afirma Leonardo Donato, da EY. Segundo o executivo, a expansão depende de dados confiáveis, integração aos fluxos de trabalho, capacitação das equipes, responsabilidades claras e governança adequada.
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Jornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com
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