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Tuesday, October 13, 2026

Líder comunitário que teve perna amputada consegue prótese com apoio da DPE-RR: 'mudou a minha vida'

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Altevir Gonçalves de Souza, de 55 anos, líder comunitário no bairro Senador Hélio Campos, na zona Oeste de Boa Vista, conseguiu na Justiça uma prótese para a perna direita avaliada em R$ 9,8 mil. Ele precisou amputar a perna em 2024, após passar por nove cirurgias para tentar curar o membro.

A Defensoria Pública de Roraima (DPE-RR) precisou acionar a Justiça para que a Secretaria de Saúde (Sesau) fornecesse a perna mecânica. Antes da decisão deste ano, Altevir estava dependente de muletas e bengalas para se locomover.

O g1 entrou em contato com o Governo de Roraima, mas até a última atualização da reportagem não houve resposta.

Altevir atuava na organização de atividades esportivas, culturais e sociais no Campo do Cachorrão. Após o acidente, ele precisou interromper as ações por conta da dificuldade de mobilidade.

"A prótese mudou a minha vida. Antes era difícil ter que ficar pulando de muleta e bengala, mas hoje já recuperei 90% da minha mobilidade e estou conseguindo me reabilitar a cada dia. O que eu mais queria era recuperar minha mobilidade para voltar a promover meus eventos no bairro", afirmou.

Amputação

Altevir teve fratura exposta em um acidente de trânsito em 2021, após a motocicleta dele ser atingida por um carro no cruzamento da avenida Brigadeiro Eduardo Gomes com a avenida Capitão Ene Garcêz.

A indicação médica para amputar veio após três anos de internações e cirurgias anteriores sem sucesso e do combate contínuo a uma infecção por bactéria hospitalar.

"Pelo fato de o valor de uma prótese ser altíssimo, me deram a dica de ir até a Secretaria de Saúde atrás do meu direito para que providenciassem o equipamento. Quando fui lá, me informaram que teria que procurar a Defensoria Pública para, por meio judicial, forçar o bloqueio nas contas do governo e assim eu fiz", contou.

A perda da mobilidade trouxe impactos emocionais e desafios no dia a dia. De acordo com o líder comunitário, a dependência de outras pessoas para atividades rotineiras causou episódios de ansiedade.

“Perder a autonomia que eu tinha antes e depender dos outros para a rotina diária foi uma experiência muito difícil”, relatou.

Pedido de prótese

Quando Altevir procurou a Defensoria Pública, ele já estava em processo de reabilitação, e a prótese representava uma etapa fundamental para a recuperação da autonomia. Como não foi possível obter o equipamento pela via administrativa, foi necessário recorrer à Justiça para garantir o acesso à prótese.

O pedido para fornecimento da prótese recebeu duas decisões desfavoráveis. Com a apresentação de novos laudos médicos e exames de imagem, a DPE-RR fez um novo pedido. A Justiça deferiu a ação e determinou o bloqueio de recursos das contas públicas estaduais para custear o equipamento.

Com a prótese já instalada, Altevir iniciou o processo de adaptação e reabilitação e evolui com a adaptação. De acordo com a assessora jurídica Carla Renata Milhomem, da Defensoria Especializada para Tutela e Defesa dos Direitos à Saúde Pública (DESP), o trabalho da instituição continua.

"Garantir o direito à saúde não termina quando a Justiça dá uma decisão favorável; é preciso acompanhar até que isso se concretize na vida do paciente. Por trás de cada processo existe uma pessoa, uma história e uma vida que pode ser transformada", afirmou.

Agora, o objetivo é retomar os projetos sociais, esportivos e culturais desenvolvidos na região conhecida como Campo do Cachorrão.

“Minha autoestima voltou, minha qualidade de vida voltou. Agora quero continuar promovendo os eventos e ações sociais que sempre realizei na comunidade”, afirmou.
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