Werner Herzog revela por que contato com David Lynch ficou difícil nos últimos anos

Diretor afirmou que amizade com criador de Twin Peaks mudou quando cineasta se dedicou cada vez mais à meditação transcendental
Angelo Cordeiro (@angelocordeirosilva)
Werner Herzog (Fitzcarraldo) revelou que seu contato com David Lynch ficou “difícil” nos últimos anos de vida do diretor de Twin Peaks. Apesar de manter uma profunda admiração pelo trabalho do colega, Herzog contou que os dois acabaram se afastando conforme Lynch passou a se dedicar cada vez mais à meditação transcendental.
A relação entre os dois cineastas ganhou um novo capítulo com Bucking Fastard, próximo filme de Herzog, que será dedicado a Lynch. O longa é inspirado em uma história real sobre Joan e Jean, irmãs gêmeas que vivem juntas à margem da sociedade, e tem Rooney Mara e Kate Mara, que também são irmãs na vida real, no elenco.
Em entrevista à IndieWire, Herzog contou que gostaria que Lynch tivesse sido uma das primeiras pessoas a assistir ao filme. Segundo ele, existia um “profundo respeito” pelo trabalho de ambos, ainda que suas produções fossem bastante diferentes.
“Eu tinha a sensação de que ele deveria ser a primeira pessoa a assistir ao filme comigo”, afirmou Herzog. O diretor, porém, não conseguiu mostrar a obra a Lynch antes de sua morte, em janeiro de 2025, aos 78 anos.
Herzog explicou que a mudança na relação aconteceu principalmente por causa do envolvimento cada vez maior de Lynch com a meditação transcendental. O diretor de Fitzcarraldo contou até uma situação curiosa que presenciou durante uma conversa entre os dois.
“Nos últimos anos, o contato com David ficou difícil porque ele havia mergulhado completamente na meditação transcendental”, disse. Herzog relatou que, durante uma conversa à mesa, Lynch mantinha diante dele uma fotografia de seu guru. Do outro lado da imagem estava Herzog.
“Ele queria falar sobre paz mundial e meditação, e eu não estou interessado nisso. Então mudou”, completou.
Lynch conheceu a meditação transcendental em 1973 e passou a incorporá-la profundamente à própria vida. Em seu site, o cineasta dizia que a prática permitia acessar uma espécie de “consciência pura”, além de encontrar reservas de energia, criatividade e felicidade.
O interesse de Lynch pela prática também ultrapassou sua experiência pessoal. Em 2022, o diretor anunciou um projeto de milhões de dólares voltado à expansão do ensino da meditação transcendental para estudantes universitários de diferentes países. A iniciativa tinha como objetivo formar milhares de jovens e incentivar uma nova geração dedicada à promoção da paz.
Lynch morreu em janeiro de 2025, aos 78 anos. Conhecido por obras como Veludo Azul, Cidade dos Sonhos e Twin Peaks, o cineasta transformou o surrealismo, o sonho e o estranhamento em marcas de seu cinema.
Fonte: NME
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Angelo Cordeiro é repórter do núcleo de cinema da Editora Perfil, que inclui CineBuzz, Rolling Stone Brasil e Contigo. Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas, escreve sobre filmes desde 2014. São-paulino, pisciano, paulistano do bairro de Interlagos e fanático por Fórmula 1, listas e rankings.
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