'A próxima TV brasileira': eles vão transformar gigantes do YouTube em um negócio de R$ 100 milhões
RESUMO | Criada por Guilherme Baldacini e Victor Assis, a SMPL quer transformar canais digitais em negócios estruturados e movimentar R$ 100 milhões em publicidade no primeiro ano. A aceleradora atende Porta dos Fundos, Kings League Brasil, Aqueles Caras e Julio Cocielo, que somam mais de 100 milhões de seguidores.
A economia dos criadores de conteúdo ganhou uma nova disputa: não basta mais acumular audiência. A próxima etapa, segundo a tese da SMPL, é transformar canais digitais em negócios estruturados, com planejamento comercial, novas fontes de receita e estratégia de longo prazo.
Criada em 2026 por Guilherme Baldacini, executivo que passou pela LiveMode, empresa responsável pela operação da CazéTV, e Victor Assis, CEO do Grupo Podpah, a companhia nasceu com a proposta de atuar como uma “aceleradora de canais”.
A meta para o primeiro ano de operação é movimentar R$ 100 milhões em publicidade para os creators atendidos pela empresa.
Entre os clientes estão alguns dos maiores nomes da creator economy brasileira, como Porta dos Fundos, Kings League Brasil, Aqueles Caras e Julio Cocielo. Juntos, esses canais somam mais de 100 milhões de seguidores nas plataformas digitais, segundo dados apresentados pela empresa.
Por que creators passaram a ser vistos como veículos de mídia
A tese que sustenta a criação da SMPL é que os grandes canais digitais deixaram de funcionar apenas como perfis de influenciadores e passaram a ocupar um espaço semelhante ao de empresas tradicionais de mídia.
Na visão de Baldacini, o YouTube passou a disputar atenção com a televisão porque reúne audiência, comunidade e capacidade de mensuração.
“Quando a gente fala de YouTube e qualquer outra plataforma digital, a gente está falando de uma mensuração exata e específica. Ela não é amostral”, afirma.
Segundo ele, enquanto a televisão tradicional trabalha com pesquisas de audiência, plataformas digitais permitem acompanhar dados como retenção, perfil do público e comportamento de consumo em tempo real.
Além disso, a estrutura de produção digital permite criar projetos com custos menores e maior flexibilidade editorial, segundo o executivo. “Eu consigo construir projetos super complexos, super bem feitos, com nível de produção relevante, mas com valores mais competitivos”, diz.
Como a SMPL quer mudar a forma como creators ganham dinheiro
O modelo tradicional da creator economy ainda depende, em grande parte, de marcas procurando influenciadores para campanhas pontuais. Para Baldacini, esse formato funciona no início da trajetória, mas encontra um limite quando o canal cresce.
“O teto desse formato mais passivo chega em dado momento e isso te força para um outro lugar, de construção de projeto e estruturação de negócio”, afirma.
A estratégia da SMPL é entrar justamente nessa fase: quando um canal já tem audiência relevante, mas precisa transformar essa atenção em uma operação empresarial. A empresa estrutura áreas como comercial, conteúdo, planejamento, financeiro e jurídico para que os criadores possam se concentrar na produção.
O principal case da SMPL até agora é o hub de entretenimento Aqueles Caras, conhecido por reunir nomes como Chico Moedas. Antes da parceria, a monetização era baseada principalmente na procura espontânea das marcas pelo canal. A estratégia mudou quando a SMPL assumiu a construção comercial da operação.
“Era uma situação em que as marcas ativamente procuravam eles, dado o sucesso que estavam construindo. A gente entendia que já estava encontrando um platô nesse lugar mais passivo”, afirma Baldacini.
A empresa criou uma estrutura de negócio com equipes comerciais, conteúdo, brand solutions, financeiro e jurídico.
“Os Aqueles Caras ficam focados naquilo que eles são muito bons, que é conteúdo, e a gente focado no que somos muito bons, que é essa frente de negócios”, diz.
Segundo dados da empresa, a operação levou a um crescimento de 567% na receita do canal em relação ao período anterior. O projeto passou a contar com 28 marcas ativas, seis delas em contratos recorrentes, e acumulou R$ 40 milhões em faturamento nos 366 dias seguintes ao início da parceria.
A projeção é adicionar mais R$ 20 milhões ao faturamento até o fim do ano.
Um mercado novo que ainda busca um modelo de negócio
A creator economy brasileira cresceu nos últimos anos com a expansão de plataformas como YouTube, TikTok e Instagram, mas ainda não possui um modelo único de organização.
Na visão da SMPL, o mercado caminha para uma separação entre diferentes estágios: criadores menores podem depender de agências tradicionais para conectar marcas e campanhas, enquanto grandes canais precisam de estruturas mais próximas de empresas.
Baldacini afirma que a diferença está justamente na complexidade do negócio.
“Criadores são pessoas extremamente criativas, que entendem muito bem de audiência, mas que não necessariamente têm conhecimento de negócio”, afirma.
Ele cita que, em determinado momento, canais maiores precisam construir projetos personalizados para marcas, criar produtos comerciais e desenvolver receitas recorrentes.
No Brasil, esse mercado reúne diferentes modelos de empresas: há agências especializadas em influenciadores, empresas de produção de conteúdo e negócios que conectam creators a marcas. A SMPL tenta ocupar uma posição diferente, mais próxima de uma parceira estratégica.
Qual é o próximo passo depois da publicidade
Apesar de a publicidade ser hoje a principal fonte de receita dos canais, a SMPL quer reduzir essa dependência. A companhia avalia caminhos como licenciamento, criação de marcas próprias e comunidades pagas.
“Como que a gente diminui a dependência de todos esses canais do modelo tradicional de publicidade? Isso pode passar por licenciamento, construção de marca própria, comunidade paga”, afirma Baldacini.
Outra possibilidade está na relação de longo prazo com os canais. Em vez de atuar apenas como prestadora de serviço, a empresa considera modelos de participação societária em alguns projetos.
A lógica, segundo Baldacini, é criar uma relação em que a SMPL participe da valorização do negócio que ajuda a construir.
A ambição é que os grandes creators deixem de ser vistos apenas como produtores de conteúdo e passem a ser tratados como empresas de mídia completas.
O que é a SMPL?
A SMPL é uma aceleradora de canais criada em 2026 por Guilherme Baldacini, ex-executivo da LiveMode, e Victor Assis, CEO do Grupo Podpah. A empresa estrutura áreas como comercial, conteúdo, planejamento, financeiro e jurídico para grandes criadores.
Quais creators e canais são atendidos pela SMPL?
A SMPL atende Porta dos Fundos, Kings League Brasil, Aqueles Caras e Julio Cocielo. Segundo dados apresentados pela empresa, esses canais somam mais de 100 milhões de seguidores nas plataformas digitais.
Qual é a meta da SMPL para o primeiro ano?
A meta da SMPL é movimentar R$ 100 milhões em publicidade para os creators atendidos pela empresa durante o primeiro ano de operação.
Quanto cresceu a receita do Aqueles Caras após a parceria com a SMPL?
Segundo dados da SMPL, a receita do Aqueles Caras cresceu 567% em relação ao período anterior. O projeto faturou R$ 40 milhões nos 366 dias seguintes ao início da parceria, reuniu 28 marcas ativas e tinha seis contratos recorrentes.
Por que grandes creators passaram a ser tratados como empresas de mídia?
Grandes creators reúnem audiência, comunidade e dados de desempenho em tempo real, segundo Guilherme Baldacini. O executivo afirma que plataformas digitais permitem medir retenção, perfil do público e comportamento de consumo, além de viabilizar projetos com custos menores e maior flexibilidade editorial.
Como a SMPL pretende reduzir a dependência de publicidade?
A SMPL avalia fontes de receita como licenciamento, marcas próprias e comunidades pagas, afirma Guilherme Baldacini. A empresa também considera modelos de participação societária em alguns projetos para participar da valorização dos negócios que ajuda a construir.
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