Análise: Villasanti e mais quatro motivos para o empate bisonho do Grêmio no Gre-Nal

Algum campo de várzea no fim de semana, com certeza, recebeu um jogo mais vistoso do que o Gre-Nal 455, empatado em 1 a 1 na Arena. Dono da casa e abaixo do rival no Z-4, o Grêmio deu contribuição decisiva para o espetáculo bisonho apresentado na Arena e segue sem vencer sob o comando de Renato. O treinador acertou na escalação inicial, mas o time sucumbiu de forma coletiva e Villasanti, em falha inacreditável, dificultou ainda mais o clássico e a luta contra o rebaixamento.

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O Grêmio encerrou a partida com quatro finalizações no gol – o mesmo número do rival. Empatou em bola parada quando o adversário havia se agarrado no 1 a 0 e, com ele, recuado. Cinco razões podem explicar o placar sem diferença e o confronto de baixíssimo nível técnico pela 30ª rodada do Brasileirão.
Uma das poucas unanimidades do elenco, Villasanti cometeu uma falha que talvez nunca tenha tido na sua passagem pelo clube, iniciada em 2021. Recebeu passe de Weverton na intermediária, em saída simples, e se atrapalhou com a bola, desarmado pelo inábil Alerrandro. O goleiro mal teve tempo de voltar às traves e observou a bola finalizada por Vitinho o encobrir. Foi um gol do nível do Gre-Nal 455.
Titular pela primeira vez com Renato, Krovinovic foi o responsável pelos únicos lampejos técnicos do time. Contudo, a opção, acertada do treinador, por si só foi incapaz de transformar o jogo coletivo, que deixa a desejar. Pelo simbolismo e pelo técnico que é, esperava-se uma resposta, em termos de resultado, mais rápida de Renato. Os nove meses sem modelo definido com Luís Castro também cobram a conta.
Renato consola Villasanti após empate do Grêmio com o Inter na Arena — Foto: Pedro H. Tesch/Getty Images
Para aumentar o drama do entrosamento, os dois laterais titulares, em voltas de lesão, decepcionaram. Diego Caito, pela direita, e Marlon, pela esquerda, exageraram nos erros de cruzamento e passes. Os escapes pelos lados ficaram comprometidos, também porque o time sangrou nos pés dos pontas.
Amuzu merece destaque negativo. Aos 18 minutos do primeiro tempo, com o placar zerado, perdeu claríssima chance, cara a cara com Anthoni, assim como Enamorado havia desperdiçado contra o Remo. O gol poderia mudar os rumos da partida.

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O banco gremista também não deu resposta. Enamorado e Braithwaite, que entraram mais cedo, pouco participaram. O colombiano, pela velocidade, se movimentou bastante, mas sem efetividade. Pecou demais no acabamento das jogadas. O dinamarquês entrou para buscar o jogo quase como um meia. Não é a sombra do atleta de outrora.
Por fim, a dupla de zaga segurou o ataque do Inter como pôde. Wallace, com nariz fraturado e tudo, comprometeu na saída de bola no primeiro tempo, mas se reafirmou ao longo da partida. Terminou na média de boas atuações que costuma entregar, com o gol para carimbar o desempenho. Kannemann foi o melhor do Grêmio, bem nas antecipações, na marcação e na bola área.
O empate, na prática, mantém o desafio insalubre do Grêmio. Para alcançar 43 pontos – a conta de Renato para a permanência na Série A –, o time precisa de exatos 50% de aproveitamento nos oito jogos restantes: 12 dos 24 pontos. No campeonato até o momento, índice gremista é de 34%. Ainda há pela frente partidas contra Cruzeiro, Athletico, Bahia e Mirassol, em casa, e Coritiba, Cruzeiro, Santos e Corinthians, fora.
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