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Thursday, September 3, 2026

Telescópio "com mão portuguesa" no Chile regista observação

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O mais recente instrumento instalado no telescópio VLT, no Chile, o espetrógrafo ‘Moons’, fez a sua primeira observação, anunciou esta quinta-feira a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), que tem cientistas envolvidos no equipamento.

Em comunicado, a FCUL refere que o instrumento tem a capacidade de observar cerca de mil objetos astronómicos em simultâneo, sendo “decisivo para compreender como se formaram e evoluíram as galáxias”, incluindo a Via Láctea, que abriga o Sistema Solar.

Ao captar a luz infravermelha (luz invisível), o espetrógrafo consegue penetrar na poeira cósmica permitindo analisar a luz de milhões de estrelas.

“O ‘Moons’ torna-se, assim, na ferramenta ideal para observar o céu profundo e mapear em 3D a distribuição de estrelas e galáxias a distâncias até 40 mil anos-luz na Via Láctea e a mais de 13 mil milhões de anos-luz no Universo distante”, realça a FCUL.

Citado no comunicado, o coinvestigador principal do ‘Moons’, da FCUL, José Afonso, especialista no estudo de galáxias, espera que este novo instrumento permita “compreender o que levou ao auge da atividade das galáxias, há cerca de dez mil milhões de anos, e o que motivou o seu declínio acentuado na história mais recente”.

Os cientistas contam que nos próximos dez anos (tempo de atividade do instrumento) o ‘Moons’ recolha dados de cerca de dez milhões de objetos astronómicos.

“O ‘Moons’ foi um dos maiores desafios que enfrentámos. Este momento representa o culminar de 16 anos de trabalho, desde os primeiros esboços do conceito do instrumento até à chegada à primeira luz”, afirmou, citado na mesma nota, Alexandre Cabral, especialista em instrumentação astronómica e investigador da FCUL.

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