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Thursday, September 10, 2026

Houthis tomam porto e ampliam guerra; petróleo dispara

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Os rebeldes pró-Irã houthis tomaram nesta quinta-feira (10) o porto de Mokha do controle do governo do Iêmen, com o qual travam uma guerra civil desde 2014.

Em retaliação, sofreram ataques aéreos da Arábia Saudita na província de Taiz, onde fica Mokha. Riad apoia o governo iemenita no conflito, que estava congelado desde 2022. Com isso, a guerra civil se amplia no país árabe, com reflexo direto no preço do petróleo, que voltou a disparar.

Isso ocorre porque Mokha, também chamada Mocha, é uma cidade estratégica para ampliar o controle do tráfego marítimo no estreito de Bab el-Mandeb, um pouco mais ao sul do porto.

Desde julho, quando retomaram as hostilidades mais abertas na região, os houthis têm tentado aplicar um embargo ao porto saudita de Yanbu, no mar Vermelho.

Ele vinha sendo utilizado para escoar até 70% da produção de petróleo de Riad, segundo maior produtor da commodity no mundo, devido à obstrução da via pelo estreito de Hormuz, foco do conflito entre Estados Unidos e Irã.

Com a ameaça, o preço do barril referencial de contratos futuros Brent subiu mais de 4%, ultrapassando os US$ 105. É péssima notícia para Donald Trump, que prometera na véspera ver o conflito no Oriente Médio encerrado logo após as eleições parlamentares de novembro.

O problema para o americano preocupado com o impacto da inflação de combustíveis sobre o ânimo do eleitorado já hostil à guerra é que, mesmo que ele chegue a uma improvável acomodação com os iranianos, os houthis seguem agenda própria.

Apoiados pelo Irã, eles expulsaram o governo da capital Sanaa em 2014 e lutaram uma encarniçada guerra civil contra os rivais, que têm a Arábia Saudita como aliada.

Em julho, as forças governamentais com apoio de Riad passaram a bloquear o espaço aéreo da capital sob controle rebelde, rompendo uma trégua informal vigente desde 2022. Com isso, os houthis voltaram a atacar os sauditas e decretaram o bloqueio naval.

Ele não foi tão eficiente quanto a disrupção provocada pelo Irã em Hormuz, que levou o tráfego diário de navios cair para 12 nesta quinta, menos de 10% da média registrada em dias movimentados antes da guerra.

Em Bab el-Mandeb, segundo a consultoria Kpler, transitaram nesta quinta 27 navios —ainda assim, menos que os 36 da média de agosto e os mais de 50 antes da crise.

O comando houthi disse que não irá ameaçar navios que não estejam indo ou voltando de portos sauditas no mar Vermelho. É um recado principalmente para os chineses, aliados do Irã, cujo tráfego comercial de exportações rumo à Europa passa prioritariamente pela região.

Os rebeldes haviam participado da guerra iniciada por Trump e Israel contra o Irã a partir do fim de março, mas atacando alvos no Estado judeu. Só passaram a mirar os vizinhos sauditas depois do bloqueio de junho.

Na quarta (9), eles haviam alvejado cidades do sul saudita, forçando o fechamento de aeroportos. A escalada contra alvos do antigo regime de Sanaa sugere uma ampliação da guerra civil no país.

Há cálculo de tempo por parte dos houthis. Eles detêm um arsenal considerável de mísseis e drones, mas é incerta a capacidade de suas forças terrestres.

Como o Irã está sob bloqueio naval americano, além de ter sofrido sanções secundárias importantes por parte dos americanos, é duvidosa a capacidade da teocracia de apoiar os aliados agora.

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Com isso, ao demonstrar força, os rebeldes também se posicionam enquanto a fonte de armas e dinheiro não seca de vez. Outros aliados regionais foram incapacitados desde o início da atual rodada de guerras no Oriente Médio, ironicamente disparada por um dos prepostos do Irã, o grupo terrorista palestino Hamas, em 2023.

Também entra na equação que os sauditas acabaram de firmar um pacto militar inédito com a Turquia e o Paquistão, este um país com capacidade de operação naval junto às costas do Iêmen. Até aqui, Islamabad apenas tem servido de mediador na crise, mas pode acabar agindo diretamente em apoio a Riad.

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