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Sunday, November 1, 2026

Dan Sullivan contra Dan Sullivan: a disputa no Alasca que levou o governo Trump à Justiça

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A escolha de um senador pelo Alasca ganhou um motivo extra de atenção às vésperas da eleição de 3 de novembro: dois candidatos chamados Dan Sullivan aparecem na mesma cédula. A coincidência levantou suspeitas de uma estratégia para confundir eleitores e levou a disputa por uma vaga no Senado dos Estados Unidos a virar alvo de investigações e de uma batalha judicial.

De um lado está o senador republicano Daniel S. Sullivan e, do outro, o professor aposentado Daniel J. Sullivan Jr. A hipótese é que a segunda candidatura tenha sido articulada para confundir eleitores e retirar votos do parlamentar.

Quem são os dois Dan Sullivan?

O senador republicano Daniel S. Sullivan busca a reeleição e aparece na cédula identificado como integrante do partido e atual ocupante do cargo. Seu homônimo, Daniel J. Sullivan Jr., é professor aposentado e tem o nome diferenciado pela inicial do meio e pelo sufixo “Jr.”. A democrata Mary Peltola e Gerald L. Heikes completam a disputa.

O professor entrou na corrida como um novato na política e passou a enfrentar questionamentos sobre os motivos de sua candidatura. Ele afirmou, em uma carta enviada à vice-governadora do Alasca, Nancy Dahlstrom, em 10 de junho, que concorre com seu nome de nascimento e rejeita a acusação de que teria entrado na eleição para confundir os eleitores ou favorecer Peltola.

Daniel J. Sullivan chegou à eleição geral após receber cerca de 2,5% dos votos nas primárias de agosto. No Alasca, os quatro candidatos mais votados nessa etapa avançam, independentemente do partido.

O que motivou a investigação?

Em 28 de outubro, o New York Times publicou uma reportagem que apontava evidências de que aliados de Mary Peltola ajudaram a recrutar Daniel J. Sullivan e outros candidatos para a disputa ao Senado. Segundo o jornal, o objetivo seria retirar votos do senador republicano Dan Sullivan, que busca a reeleição.

No dia seguinte, o governador do Alasca, o republicano Mike Dunleavy, determinou uma investigação criminal para apurar possíveis violações das leis estaduais.

Em publicação no X (antigo Twitter), o governador afirmou: “Enganar deliberadamente os eleitores para que lancem seus votos em outra pessoa ataca a integridade de nossas eleições.”

Today’s New York Times reporting reveals disturbing new evidence of an organized effort to manipulate Alaska’s elections by recruiting candidates—including one with the same name as an incumbent U.S. Senator—to deliberately confuse voters and misdirect their votes. The Alaska Division of Elections investigated these very concerns in June of this year. The new reporting substantially supports the Division’s findings.

I am therefore directing the Department of Public Safety to investigate whether this scheme violated Alaska’s laws and whether criminal charges or civil action are warranted. The evidence will determine what happens next.

Alaskans have a fundamental right to vote for the candidate they actually intend to support. Deliberately tricking voters into casting their ballots for someone else strikes at the integrity of our elections.

Anyone or any organization found to have broken the law must be held accountable.

— Governor Mike Dunleavy (@GovDunleavy) October 29, 2026

No último sábado, 31, Peltola negou conhecer ou participar do recrutamento de um homônimo de seu adversário. Em declaração à BBC, afirmou que só tinha conhecimento de sua própria candidatura e da participação do senador.

"Eu não sabia nada sobre nenhum outro candidato na cédula, exceto eu e o atual deputado. Isso é tudo o que eu sei. Não tenho interesse em enganar os eleitores."

Por que o governo Trump entrou no caso?

Em ação apresentada à Justiça em 22 de outubro, o governo Trump argumentou que a semelhança entre os nomes poderia levar eleitores a votar no professor quando pretendiam escolher o senador republicano.

Por isso, o Departamento de Justiça pediu que a Justiça bloqueie a oficialização de uma eventual vitória de Mary Peltola se a diferença entre ela e o senador for menor que a quantidade de votos recebida pelo professor. Nessa situação, o governo quer investigar se uma possível confusão entre os nomes teria alterado o resultado.

Em resposta apresentada no sábado, 31, representantes do governo estadual do Alasca pediram a rejeição da ação. Eles argumentam que a cédula permite distinguir os candidatos: o senador aparece identificado como republicano e atual ocupante do cargo, enquanto o professor tem outra inicial no nome e o sufixo “Jr.”.

Em 28 de outubro, o próprio Donald Trump também se manifestou sobre o caso. Em uma conversa com jornalistas, o presidente classificou as suspeitas como fraude eleitoral e defendeu que Peltola abandonasse a disputa e fosse processada criminalmente.

A Justiça já analisou a candidatura?

Segundo informações da DW, A autoridade eleitoral estadual tentou barrar o professor por considerar que sua candidatura buscava enganar eleitores. Os tribunais reverteram a decisão: entenderam que a exigência de uma candidatura de “boa-fé” usada para excluí-lo carecia de previsão nas normas aplicáveis.

O Alasca também permite que o eleitor ordene suas preferências. Se nenhum candidato obtiver a maioria na primeira rodada, ocorre a redistribuição dos votos dos eliminados conforme as escolhas seguintes.

Quais crimes podem ser investigados?

O possível enquadramento criminal permanece indefinido. Uma hipótese envolve uma lei federal de 1871 contra conspirações para privar cidadãos de direitos constitucionais, incluindo o voto. Criada para combater a atuação da Ku Klux Klan, a legislação proíbe ações coordenadas para ferir, oprimir, ameaçar ou intimidar pessoas no exercício desses direitos.

Especialistas citados pela DW apontam um caso recente que ilustra os desafios desse tipo de acusação. Em 2023, um influenciador digital foi condenado por conspiração contra direitos civis após divulgar informações falsas sobre a eleição presidencial de 2016. O processo teve início durante o governo de Joe Biden.

Em 2025, a Corte de Apelações do 2º Circuito dos Estados Unidos anulou a condenação por considerar insuficientes as provas de um acordo entre duas ou mais pessoas para cometer o crime. O tribunal deixou em aberto se mensagens enganosas dirigidas a eleitores seriam protegidas pela Primeira Emenda, que garante a liberdade de expressão no país.

Disputa pode definir o controle do Senado

O resultado da eleição no Alasca pode pesar na definição de qual partido terá a maioria no Senado dos Estados Unidos. Hoje, os republicanos controlam 53 das 100 cadeiras, enquanto o bloco democrata reúne 47.

Se a disputa pelo comando da Casa depender da vaga do Alasca, uma batalha judicial sobre o resultado poderá adiar por semanas a confirmação de qual partido terá o controle do Senado.

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