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Friday, November 6, 2026

Píeres em Itacoatiara movimentam milhares de contêineres durante a seca no Amazonas

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A movimentação de contêineres nos píeres provisórios instalados em Itacoatiara, no interior do Amazonas, já soma milhares de unidades durante a estiagem de 2026. As estruturas são utilizadas para manter o transporte de mercadorias até Manaus, diante das restrições de navegação provocadas pela redução da profundidade dos rios.

Neste ano, os grupos Chibatão e Super Terminais voltaram a instalar estruturas flutuantes no município. As operações começaram em outubro e funcionam como pontos de transferência de cargas de grandes navios para balsas que seguem até a capital.

No píer do Grupo Chibatão, a movimentação acumulada chega a 663 contêineres transferidos para balsas desde o início da operação, em 4 de outubro. O modelo adotado é o chamado alívio de carga: parte dos contêineres é retirada dos navios para reduzir o calado e permitir que as embarcações continuem a viagem até Manaus.

Nesta quinta-feira (5), o navio Guarujá passou por uma operação de transbordo de 222 contêineres para duas balsas. Com a retirada da carga, o calado da embarcação foi reduzido de 8,80 metros para 7,90 metros.

Agora no g1

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Já no píer do Super Terminais, o procedimento é diferente. Todo o carregamento dos navios é transferido para balsas em Itacoatiara, que fazem o transporte até Manaus. Segundo balanço divulgado pelo terminal, três navios foram movimentados em outubro, totalizando 4.825 TEUs. A unidade corresponde à capacidade de um contêiner de 20 pés.

Enquanto as operações continuam, o nível do rio Amazonas em Itacoatiara apresenta uma redução mais lenta. Segundo a régua do Serviço Geológico do Brasil (SGB), instalada na orla da cidade, o rio baixou cinco centímetros nos primeiros cinco dias de novembro. Nesta quinta-feira (5), a cota chegou a 3,40 metros.

Outros pontos também trazem dificuldades para que depende dos rios para se locomover. Entre os trechos considerados críticos para a navegação estão a foz do rio Madeira e a região do Tabocal. São áreas estratégicas da hidrovia, acima de Itacoatiara, onde a baixa profundidade pode dificultar a passagem de navios de grande porte que seguem em direção a Manaus.

Operação foi alternativa após impactos da seca de 2023

A instalação dos píeres em Itacoatiara não é inédita. Os mesmos grupos já utilizaram as estruturas durante a estiagem de 2024, quando a transferência de contêineres para balsas foi adotada para evitar a interrupção do transporte de cargas até Manaus.

A estratégia surgiu depois dos problemas enfrentados em 2023. Naquele ano, a seca extrema provocou a suspensão temporária da navegação de grandes embarcações. Sem os píeres provisórios em Itacoatiara, navios ficaram semanas sem conseguir chegar aos terminais da capital.

Os impactos também atingiram a indústria. Um levantamento do Centro da Indústria do Estado do Amazonas apontou cerca de R$ 1,4 bilhão em custos adicionais para as empresas, com despesas de logística, transporte e armazenamento de insumos.

Em 2024, os píeres flutuantes passaram a funcionar como alternativa para evitar que as cargas ficassem retidas nos portos de origem. Agora, em 2026, as estruturas voltaram a operar para manter o fluxo de mercadorias e insumos destinados ao comércio e ao Polo Industrial de Manaus.

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