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Friday, October 9, 2026

Escritora canadense Anne Carson vence o Prêmio Nobel de Literatura

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Ela conseguiu seduzir, com poesia, até quem não gosta de poesia. A canadense Anne Carson não segue regras quando escreve, e tamanha liberdade torna difícil classificá-la. Bom, a partir desta quinta-feira (8) ficou um pouco mais fácil. As obras dela poderão morar na prateleira dos laureados com o Nobel de Literatura.

A Academia Sueca chamou a obra de Anne Carson de ousada e inventiva e disse que, em um diálogo lúdico com a tradição clássica, ela criou novas formas para a literatura contemporânea. Poeta, ensaísta e tradutora, Anne tem 76 anos e é mais conhecida por recriar com uma voz moderna textos gregos antigos.

A obra mais famosa dela é "Autobiografia do Vermelho: Um Romance em Versos". Ela pega um fragmento de uma poesia grega e desenvolve. Transformou a história do monstro vermelho Gerião em uma história contemporânea. Nela, o monstro é um adolescente que se apaixona pelo herói Hércules. Na versão de Carson, os dois jovens vivem uma história de amor - que é outro tema recorrente na obra dela. Seu primeiro livro chama esse sentimento - o amor - de "doce amargo".

Escritora canadense Anne Carson vence o Prêmio Nobel de Literatura — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Anne é discreta, quase não dá entrevistas e nem tem fotos suas nos livros que escreveu. Em 2024, revelou que tinha mal de Parkinson e que tinha começado a lutar boxe para frear o avanço da doença.

A equipe do Nobel disse que, quando conseguiu falar com Anne Carson, ela ficou muito surpresa. A Academia postou a imagem da autora perplexa. Na ligação, ela disse que estava na Islândia, "escutando o vento". Algo que faz todo sentido para a autora da frase: “A realidade é um som, há que sintonizar-se, não só ficar berrando”.

Depois, Anne deu uma entrevista por telefone. Contou que estava varrendo o chão e que o telefone não parava de tocar. Ela não tem o hábito de atender ligações e só retornou o telefonema porque o marido insistiu. Anne chamou a Academia do Nobel de louca e disse que ia comemorar caminhando pela floresta e escutando o silêncio.

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