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Sunday, October 25, 2026

Das tumbas do Egito aos quintais brasileiros – A história da bolinha de gude

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Se você já jogou uma bolinha de gude no chão de terra, saiba que repetiu um gesto feito por crianças há milhares de anos. Essa brincadeira popular no Brasil e no mundo inteiro começou com esferas feitas de vidro, pedra ou metal. Aliás, a palavra gude vem do nome dado originalmente às pedrinhas redondas e lisas tiradas diretamente dos leitos dos rios.

As evidências dessa diversão milenar aparecem em diversos achados arqueológicos. No Egito, pesquisadores encontraram bolinhas no túmulo de uma criança que viveu em 3000 a.C. Em Mohenjo-Daro, na antiga civilização do Vale do Indo, no Paquistão, os itens datam de 2500 a.C., enquanto na ilha de Creta as peças foram produzidas entre 2000 a.C. e 1700 a.C.

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De nozes na Roma antiga aos buracos no chão

Na Grécia e em Roma, a criatividade não tinha limites. As crianças usavam opções de vidro, pedra, madeira e argila, além de sementes e frutos como pérolas, nozes, avelãs, castanhas e azeitonas. Em solo romano, a prática era inclusive batizada de jogo com nozes.

Geralmente praticado ao ar livre em terreno firme, o jogo tem regras tão variadas quanto as cores das peças. Os jogadores costumam fazer buracos do tamanho de um punho usando o salto do sapato ou desenhar linhas de arremesso para delimitar as jogadas.

Dúzias de apelidos e um campeonato mundial

Essa diversidade também se reflete no vocabulário popular. Pelo Brasil e pelo mundo, o brinquedo recebe uma lista enorme de nomes, como burca, burquinha, baleba, bila, biloca, bilosca, bolita, boleba, bugalho, bulica, burica, cabiçulinha, carambola, carolo, clica, fubeca, guelas, peca, pilica, pinica, quilica, tilica e ximbra.

A tradição é tão forte que cruzou os séculos e virou competição oficial. A história do torneio de Tinsley Green, na Inglaterra, aparentemente começou em 1588, quando dois homens interessados pela mesma ama de leite decidiram disputa-la em uma competição de bolinha de gude. Disputado na sua forma atual no pub Greyhound desde 1932, o Campeonato Britânico e Mundial de Bolinha de Gude reúne duas equipes de seis jogadores.

O objetivo é usar uma bolinha maior, chamada tolley, para derrubar o máximo de bolinhas-alvo em uma plataforma cobertas de areia com 1,80 metro de diâmetro, vencendo quem resistir mais tempo na disputa. Por lá, a temporada do campeonato abre na Quarta-Feira de Cinzas e segue disputada até o meio-dia da Sexta-Feira Santa.

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