Bilionárias gaúchas: quais são e quanto faturam as 10 maiores empresas do Rio Grande do Sul
Do Rio Grande do Sul nasceram empresas que fabricam ônibus montados na África do Sul, na China e no México, produzem biodiesel certificado para o mercado da Califórnia e plantam algodão na Bahia.
A lista das maiores empresas do estado atravessa siderurgia, bancos, agronegócio, energia elétrica e moda.
Neste 20 de setembro, Dia do Gaúcho, a EXAME reuniu o faturamento de 2025 das dez maiores companhias do estado. O critério é a receita líquida. Somadas, as dez movimentaram 197,2 bilhões de reais no ano passado.
"É a combinação de capital privado bem administrado, cooperativismo forte e diversificação setorial, com uma cultura empresarial que não se abate diante da adversidade. O Rio Grande do Sul responde por cerca de 6,5% do PIB brasileiro e por quase 14% do PIB agropecuário nacional. São números como esses que mostram por que e o quanto a força gaúcha importa para o Brasil inteiro", diz Samuel Barros, doutor em Administração e Professor do Ibmec.
No topo está a Metalúrgica Gerdau, com 69,8 bilhões de reais. A siderúrgica fatura mais que a segunda e a terceira colocadas juntas, e mais de oito vezes o que fatura a décima. Em 2025, vendeu 11,63 milhões de toneladas de aço, alta de 5,9% sobre 2024.
Quais são as 10 maiores empresas do Rio Grande do Sul
- Metalúrgica Gerdau (siderurgia) — 69,8 bilhões de reais
- Banrisul (banco) — 21,7 bilhões de reais
- Banco Cooperativo Sicredi (crédito cooperativo) — 20,6 bilhões de reais
- 3tentos (agronegócio) — 16,4 bilhões de reais
- Lojas Renner (moda e varejo) — 15,8 bilhões de reais
- Randoncorp (bens de capital) — 13,1 bilhões de reais
- RGE Sul (energia elétrica) — 12,3 bilhões de reais
- Be8 (bioenergia) — 10 bilhões de reais
- Marcopolo (bens de capital) — 9 bilhões de reais
- SLC Agrícola (agronegócio) — 8,5 bilhões de reais
Gerdau: da fábrica de pregos ao topo do ranking
A maior empresa gaúcha começou com um negócio quebrado. Em 29 de dezembro de 1900, a fábrica de pregos Pontas de Paris, de Porto Alegre, foi posta à venda depois de não resistir às dívidas. O comprador foi João Gerdau, imigrante alemão que havia desembarcado no porto de Rio Grande em 1869 e passado três décadas entre o comércio e o transporte no interior do estado. Ele registrou a nova firma na Junta Comercial em 16 de janeiro de 1901.
O aço só apareceu quase meio século depois. Em 1946, com a morte de Hugo Gerdau, filho do fundador, o genro Curt Johannpeter assumiu a direção. Dois anos mais tarde, a fábrica de pregos comprou a Siderúrgica Riograndense. Em 1957, veio a usina de Sapucaia do Sul.
Hoje a companhia opera em dez países e é a maior produtora de aço longo das Américas. A família Gerdau Johannpeter mantém o controle por meio da Metalúrgica Gerdau, e a sede social segue em Porto Alegre.
O ranking mostra uma economia que cresceu para fora
Sete das dez maiores gaúchas vendem para fora do estado ou do país, e foi de lá que veio o crescimento de 2025.
Na Marcopolo, os negócios internacionais responderam por 45,4% da receita líquida, contra 36,3% em 2024. A fabricante de Caxias do Sul avançou na produção local dos ônibus G8 na África do Sul, na China e no México, e fez a primeira exportação da divisão de trens, com três composições entregues ao Chile.
A vizinha Randoncorp viveu o mesmo movimento. A receita subiu 10,3%, para 13,1 bilhões de reais, sustentada pela expansão internacional.
No agronegócio, o vetor foi a safra. A 3tentos cresceu 28% em receita e registrou lucro de 808,7 milhões de reais, recorde no ano em que completou 30 anos. A SLC Agrícola fechou com receita recorde e lucro de 565,2 milhões de reais. A Be8 cresceu 36% e chegou a 10 bilhões de reais, puxada pela compra de usinas em Mato Grosso, no Piauí e no Pará.
A exceção da lista é a Lojas Renner, única empresa que vende direto ao consumidor final. Foram 34 inaugurações em 2025 e um lucro líquido de 1,5 bilhão de reais.
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