Além de chacinas, o que propõem os presidenciáveis para a segurança?

Renan Santos apresenta a resposta mais radical, com propostas associadas ao chamado Direito Penal do Inimigo e medidas de exceção em territórios dominados por facções. Ao defender chacinas em favelas, explicita a incompatibilidade desse projeto em países democráticos comprometidos com direitos humanos.
Ronaldo Caiado era uma aposta na disputa presidencial por ter feito da segurança pública uma das marcas de sua gestão em Goiás. Embora seu governo seja associado à redução de homicídios e roubos, as políticas de confronto são criticadas pela letalidade policial e pela falta de transparência. Caiado também se posicionou contra câmeras corporais em policiais militares, argumentando que elas poderiam inibir os agentes. "Estamos em uma guerra", afirmou.
É Flávio Bolsonaro, contudo, quem oferece a maior contradição desta eleição. O candidato, que explora a insegurança dos brasileiros em sua campanha, construiu sua trajetória política pelo Rio de Janeiro, estado marcado pelo domínio territorial de organizações criminosas. Especialistas em segurança pública apontam que a flexibilização do acesso às armas durante o governo de Jair Bolsonaro favoreceu o crime organizado. A ampliação dos limites de compra por CACs, o uso de intermediários para adquirir armamentos e o enfraquecimento de mecanismos de fiscalização reduziram o controle sobre a circulação de armas e aumentaram os riscos da violência armada.
Sem enfrentar essas críticas nem apresentar um legado de segurança pública do governo do pai, Flávio repete propostas da extrema direita: reduzir a maioridade penal, promover a castração química de estupradores e ampliar as vagas no sistema prisional brasileiro, que já tem cerca de 700 mil pessoas encarceradas e o terceiro lugar no ranking mundial.
Mas qual foi a contribuição concreta da família Bolsonaro, cujos integrantes ocuparam cargos de vereador a presidente da República, para enfrentar a expansão das milícias e das facções? Não há um legado que possa ser apresentado como resposta a esse problema. Ao contrário, há suspeitas sobre relações de integrantes da família, incluindo Flávio, com pessoas ligadas às milícias.
A série Revelando trouxe novamente ao debate o caso de Ana Clara Gomes Machado, menina de cinco anos morta por disparos de fuzil em Niterói, em 2021. O policial militar Bruno Delaroli, acusado pelo crime, foi preso e denunciado pelo Ministério Público. Flávio Bolsonaro atuou como advogado de defesa do policial no processo.
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