Quatro gerações no mesmo time: 'A idade não determina competência', diz psicóloga
RESUMO | Com Baby Boomers, geração X, millennials e geração Z nas mesmas equipes, o desafio das empresas agora é gerenciar a diversidade de idade. Para Aliesh Farias, psicóloga e CEO da Carpediem RH, o principal obstáculo são os estereótipos que rotulam as pessoas pela idade. Cabe ao RH criar mentorias, preparar os líderes e rever a comunicação interna para que repertórios diferentes se somem.
O mercado formal brasileiro envelheceu na última década. Em 2024, os trabalhadores com mais de 50 anos e carteira assinada somavam 8,3 milhões, o equivalente a 17,9% do total de empregos formais, segundo dados da Rais compilados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Dez anos antes, a fatia era de 13,2%.
O efeito aparece dentro das empresas. Em muitas equipes, até quatro gerações, dos Baby Boomers à geração Z, dividem as mesmas metas, reuniões e ferramentas. Cada uma chega com uma ideia própria de carreira, liderança, tecnologia e qualidade de vida.
A convivência amplia o leque de competências. Também cobra de gestores e profissionais de RH a habilidade de equilibrar expectativas distintas sem desgastar o clima da equipe. "Quando bem conduzida, a diversidade geracional deixa de ser uma barreira e passa a representar uma oportunidade de inovação e de geração de resultados mais competitivos para o negócio", diz Aliesh Farias, psicóloga e CEO da Carpediem RH.
Flexibilidade de um lado, estabilidade do outro
Segundo a executiva, as gerações mais novas costumam buscar flexibilidade, propósito e qualidade de vida. Os profissionais mais experientes tendem a valorizar estabilidade, reconhecimento e segurança. Para ela, as empresas que se saem melhor não escolhem um lado: juntam as duas visões.
"Não existe uma geração melhor que outra. Existem diferentes repertórios que podem se complementar quando existe uma gestão preparada", diz Aliesh.
Na prática, a troca vale para os dois lados. Os profissionais com mais tempo de carreira costumam contribuir com conhecimento técnico, visão estratégica e experiência em decisões. Os mais jovens trazem domínio de tecnologia, novas perspectivas e mais facilidade para se adaptar às mudanças do mercado.
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O rótulo que afasta talentos
Para a psicóloga, o maior entrave à convivência entre gerações é o preconceito que classifica os profissionais pela idade. O tema já aparece nas pesquisas de mercado: em levantamento da plataforma de recrutamento Pandapé, 52,4% dos respondentes apontaram o etarismo como obstáculo para reter talentos maduros.
"Generalizações impedem que o gestor conheça verdadeiramente seus colaboradores. A idade não determina competência, disposição para aprender ou capacidade de inovar", diz Aliesh.
Segundo ela, quando os rótulos saem de cena, as melhores soluções costumam surgir do encontro entre pessoas com experiências diferentes. As equipes que convivem bem com essas diferenças também tendem a aprender de forma contínua e a colaborar mais entre áreas.
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Quantas gerações convivem hoje no mercado de trabalho?
Até quatro: Baby Boomers, geração X, millennials e geração Z. Na Rais de 2024, os trabalhadores com mais de 50 anos já representavam 17,9% dos empregos formais no Brasil.
Qual é o maior obstáculo para a convivência entre gerações?
Para Aliesh Farias, CEO da Carpediem RH, são os estereótipos de idade, que impedem o gestor de conhecer de fato quem está na equipe.
O que o RH pode fazer para integrar gerações diferentes?
Criar mentorias entre gerações, capacitar líderes, rever a comunicação interna, adotar políticas de diversidade etária e valorizar diferentes estilos de trabalho.
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