Vítima de estupro no Paraná havia sido devolvida à família antes de escrever nova carta com pedido de socorro

A menina de 13 anos escreveu uma carta revelando os abusos - Foto: PCPR
O resgate da adolescente de 13 anos que era estuprada pelo próprio cunhado com o consentimento dos pais, em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, expõe uma falha no ciclo de proteção à criança. O caso, que culminou na prisão de três adultos nesta quarta-feira, revela que a menina já havia sido retirada do convívio familiar em 2025, mas acabou devolvida aos genitores após falsas promessas de melhora.
-LEIA MAIS: Temporal faz ônibus derrapar em curva e quase tombar na BR-369, no Paraná
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
No ano passado, a estudante já havia utilizado o ambiente escolar para relatar que sofria maus-tratos e importunação sexual por parte do cunhado, que é irmão de sua mãe. Após a denúncia inicial, a rede de assistência social interveio e a adolescente foi encaminhada a uma instituição de acolhimento. A permanência no abrigo, no entanto, foi temporária. Convencidos pelas promessas de mudança dos responsáveis, os órgãos competentes autorizaram a reintegração familiar, uma decisão que colocou a vítima diretamente nas mãos de seus agressores.
De volta para casa, a adolescente encontrou um cenário de negligência extrema agravado pelo vício dos pais em crack. Para sustentar a dependência química, o casal, de 50 e 62 anos, passou a receber dinheiro do cunhado, de 45 anos, para permitir que ele a estuprasse sistematicamente. A situação chegou a um limite insustentável, levando a jovem a escrever uma carta implorando ajuda à sua professora, na qual relatou não apenas os estupros, mas o fato de os genitores não comprarem sequer o básico para a alimentação da família, alertando que o que estava escrito não representava nem metade do que ela passava.
Com a nova denúncia formalizada por meio da escola, a Polícia Civil, por meio do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria), agiu rapidamente e prendeu preventivamente os três envolvidos. Eles responderão por estupro de vulnerável, favorecimento da exploração sexual e maus-tratos. A adolescente, agora retirada definitivamente do ambiente hostil, foi novamente encaminhada para uma instituição de acolhimento, onde recebe suporte psicológico e proteção do Estado. A polícia reforça a importância de denúncias contínuas e anônimas, que podem ser feitas pelos números 197 ou 181, para evitar que ciclos de violência como esse se perpetuem no seio familiar.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.